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Investimentos aquecem mercado de startups em 2021

Aportes ilustram momento de maturidade no ecossistema e refletem um 2020 bem-sucedido, mesmo com as incertezas geradas pela pandemia da Covid-19

Taís Farias
4 de março de 2021 - 6h00

O ano de 2021 começou agitado para o mercado de Venture Capital e as startups brasileiras que anunciaram o recebimento de aportes já nos primeiros meses do ano. Ilustrando esse movimento, no início de janeiro, a Skore, especializada em treinamentos corporativos que atende clientes como Ambev e Nubank, recebeu R$ 11 milhões da gestora Astella Investimentos, que já investe em empresas como RD Station e Omie. Depois de crescer sua operação oito vezes ao longo do último ano, a startup de crédito consignado Bxblue levantou R$ 38 milhões na sua série A, liderada pela Igah Ventures.

 

(Crédito: Vasyl Dolmatov/ istock)

As fintechs continuaram no centro dos investimentos neste mês. A Monkey Exchange anunciou que recebeu um aporte de US$ 6 milhões, em uma rodada liderada pelo fundo de Corporate Venture Capital do Itaú e pelo fundo americano Quona, que já apostou em startups como Creditas e Neon, nos últimos anos. Presente em 170 países e uma das brasileiras mais internacionalizadas, a dona de uma plataforma de comunicação de código aberto Rocket.Chat captou US$ 18,9 milhões, em uma série A, liderada pelo Valor Capital.

Esses movimentos, já no início do ano, ilustram um momento de maturidade no ecossistema brasileiro de startups e refletem um 2020 bem-sucedido para o setor, mesmo com as incertezas geradas pela pandemia da Covid-19. Um levantamento da Distrito, que monitora em tempo real, startups e fundos de investimentos aponta que o último ano quebrou recordes. Mais de US$ 3.5 bilhões foram investidos em startups por meio de mais de 470 rodadas de investimento.

Segundo o estudo, as fintechs mantém destaque no setor. Sozinhas, elas receberam mais de 50% do volume investido em startups. Ainda assim, 13 setores atraíram investidores, recebendo aportes tanto em early-stage, quanto late-stage. 2020 teve recorde no número de investimentos nos estágios séries B e C. O volume de fusões e aquisições cresceu cerca de 160% em relação ao ano anterior, segundo o relatório.

Gustavo Araujo, CEO do Distrito: “As empresas daqui estão finalmente olhando para esse mercado e com necessidade de se reinventar” (crédito: divulgação)

Para Renato Chu, cofundador e CEO da MindMiners, startup de pesquisas de opinião, que atende clientes como Ambev, Nestlé e McDonald’s, e recebeu um aporte de R$ 6 milhões liderado pela gestora KPTL, o aquecimento do mercado nesse início de ano é reflexo de uma maior segurança dos investidores, passado o período inicial da pandemia.

“Durante a pandemia, em 2020, os investidores optaram por segurar o pipeline de investimentos, realizando aportes mais seletos, restritos e oportunísticos. Assim, puderam observar o comportamento do mercado e das próprias startups durante um período de muita incerteza. Agora, com as coisas indicando que podem voltar ao normal com as vacinas, começam a desaguar o capital que foi represado durante o ano passado”, aponta Renato. Na MindMiners, o aporte será usado para fortalecer as equipes comerciais e investir na tecnologia e escalabilidade do produto da startup.

Gustavo Araujo, cofundador e CEO do Distrito, destaca também um maior interesse e afinidade do mercado brasileiro, como um todo, para com as startups. “As empresas daqui estão finalmente olhando para esse mercado e com necessidade de se reinventar – como mostra o crescimento dos M&As (fusões e aquisições) e do corporate venture capital. Temos câmbio e juros favoráveis para investimento externo e um país de tamanho continental, com mais de 200 milhões de pessoas, e cheio de desafios a serem resolvidos pelos empreendedores”, afirma o executivo.

Ele ainda cita os avanços legais alcançados, nos últimos meses. “Tivemos avanços até mesmo na legislação, ainda que pequenos, como o Marco Civil da Internet, a Lei Geral de Proteção de Dados e Marco Legal das Startups, que precisam ser aperfeiçoados, mas mostram que o país passou a olhar para tudo isso”, aponta o CEO do Distrito.

Em novembro do ano passado, a startup recebeu investimento seed da Via Varejo, que passou a ser dona de 16,6% da plataforma de inovação aberta. “Para nós, isso traz uma aceleração em tecnologia e estrutura, além de abrir um mundo de possibilidades para gerar valor à nossa comunidade de cerca de 500 startups, que passa a ter um agente de muito peso para conexão e até validação de suas soluções. Graças ao aporte investiremos mais em produto (nossa plataforma SaaS de Open Innovation) para atender startups e corações sem limitações físicas no país inteiro”, disse Gustavo Araujo.

*Crédito da foto no topo: Oleg Magni/Pexels

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