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Healthtechs crescem 118% em dois anos

Adoção de tecnologias como machine learning, VR e IA tem impulsionado a oferta de serviços pelas startups de saúde

Amanda Schnaider
16 de março de 2021 - 6h03

Até pouco tempo atrás, para se ter um atendimento de forma privada no Brasil, era preciso ter um plano de saúde ou pagar pelo serviço de forma individual. Porém, de uns anos para cá, o avanço da tecnologia e a alta nos valores dos planos de saúde possibilitaram a criação das chamadas healthtechs, ou seja, startups voltadas ao setor de saúde, empresas que desenvolvem tecnologias para otimizar o sistema de saúde e todo o ecossistema relacionado.

 

Pandemia também impulsionou a chamada telemedicina (Crédito: Geber86/istock)

Segundo dados do HealthTech Report 2020, realizado pela consultoria Distrito, metade das healthtechs brasileiras tem menos de cinco anos. De 2018 a 2020, o número de startups no setor de saúde no Brasil cresceu 118%, passando de 248 para 542 empresas. Outro dado interessante é que, desde 2014, foram investidos US$ 430 milhões nessas startups no País, o que mostra que o setor tem crescido com consistência.

Excepcionalmente, outro fator que impulsiona esse mercado é a pandemia da Covid-19. Segundo Renato Pelissaro, diretor de marketing e atendimento ao cliente do Dr. Consulta, a Covid-19 forçou a companhia a avançar no uso de novas tecnologias, como a telemedicina. “A partir da regulamentação do serviço por parte do Ministério da Saúde,  conseguimos colocar a operação de telemedicina no ar em apenas nove dias, justamente porque já tínhamos toda a infraestrutura tecnológica necessária para entregar a experiência completa ao paciente”, reforça. Apesar desse avanço com a pandemia, o executivo avalia que o setor continuará forte na pós-pandemia devido ao uso intensivo de tecnologia.

De olho na inovação
A adoção de tecnologias como machine learning,  realidade virtual (VR) e inteligência artificial (IA) tem impulsionado as startups de forma geral, mas, principalmente, as startups de saúde. A Clude, por exemplo, usa inteligência artificial na plataforma de monitoramento em tempo real da saúde de seus pacientes. “Se algum dado de saúde, como pressão sanguínea, peso ou índice glicêmico, apresentar uma anomalia, automaticamente, um alarme toca no celular da nossa equipe, que analisa os números no histórico e, se julgar pertinente, entra em contato com o assinante”, comenta Marcio Mantovani, sócio e cofundador da healthtech.

Além de um sistema próprio de TI que suporta toda a operação da companhia, o Dr. Consulta conta com a plataforma SkalAI, um sistema que calcula a demanda de pacientes, através de algoritmos de IA, para cada centro médico e especialidade médica e sugere para os médicos as opções de agenda. “Com esse sistema, conseguimos aumentar a demanda de pacientes atendidos, ajustar melhor a oferta versus demanda, reduzir o tempo de espera entre o agendamento e o dia agendado e melhorar a ocupação das agendas, reduzindo custos”, afirma o diretor de marketing e atendimento ao cliente da startup. Somente com tecnologias como essas é possível reduzir, substancialmente, o custo dos serviços médicos, diz o executivo, ao mesmo tempo em que se aumenta a eficiência e qualidade dos tratamentos.

A inovação não está presente somente no processo interno das healthtechs, mas também na comunicação das startups de saúde com seu público-alvo. E é aí que entra a contribuição das martechs. Mantovani diz que essas empresas são responsáveis por comunicar assertivamente de que maneiras e em quais áreas as healthtechs podem contribuir com a revolução da saúde no Brasil. “Temos um desafio gigantesco, que vai levar algumas gerações para ser inteiramente resolvido, que é mudar uma questão extremamente enraizada no Brasil. Sinceramente, só consigo enxergar empresas e iniciativas de marketing ligadas à altíssima tecnologia com sucesso nessa empreitada”, diz.

Outro ponto importante de contribuição das martechs para o setor é a viabilização de experiências altamente personalizadas em escala, afirma Pelissaro, do Dr. Consulta. “No nosso caso, a plataforma de CRM é conectada ao prontuário eletrônico e aos algoritmos de gestão de saúde. Todas as vezes em que há alguma recomendação médica para o paciente, ele recebe uma notificação que é enviada automaticamente junto com outros conteúdos de interesse com base em seu perfil, criando uma experiência de consumo do serviço muito mais eficiente e fluída e tornando as comunicações muito mais relevantes”, explica.

Desafios para o setor
Para Mantovani, da Clude, o tempo é o principal desafio do setor, visto que mudar uma cultura que já existe há anos, quando se fala em saúde, não será um processo fácil. “A comunicação, talvez, precise ser ainda mais assertiva no sentido de mostrar onde as healthtechs já conseguem resolver problemas reais”, ressalta.

Pelissaro também destaca que é preciso melhorar a comunicação em relação às startups de saúde. “O desafio é tornar sua marca conhecida e ter a proposta de valor entendida pelo público que, em última instância, é o que permite o crescimento sustentado do negócio e traz ganhos de eficiência conforme a operação escala”. O executivo reforça que é preciso conseguir desenvolver as tecnologias necessárias para rodar a operação de forma eficiente, que consiga por meio de modelos e algoritmos entregar de forma escalável uma experiência personalizada e proativa na detecção de potenciais problemas de saúde do paciente e que obtenha diagnósticos precisos utilizando a menor quantidade de exames possível, o que reduzirá os custos de tratamento para os consumidores.

**Crédito da imagem no topo: Jes2ufoto/iStock

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