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Como a pandemia impulsionou o negócio das logtechs?

Com as restrições e o crescimento do comércio eletrônico, startups que usam tecnologia para entregar soluções logísticas viram suas operações crescer

Taís Farias
14 de abril de 2021 - 6h00

Logtech é o termo usado para definir as startups que atuam no setor de logística. Segundo dados do Distrito, em 2020, foram mapeadas 283 empresas que atuam nesse modelo no Brasil, sendo que mais da metade delas foram fundadas há cinco anos. Apesar de se caracterizar como um mercado jovem, as logtechs vêm atraindo investimentos. Desde 2011, cerca de US$ 1,3 bilhão foram aportados nessas startups, em aproximadamente 100 rodadas de investimento, de acordo com o Distrito.

Cobli usa IoT e dados para a gestão de frotas (Crédito: Divulgação)

A atuação dessas empresas pode variar bastante dentro das inúmeras funções abarcadas pelos serviços logísticos. A paulistana CargoX, por exemplo, atua como um marketplace de fretes que conecta empresas, transportadoras e caminhoneiros autônomos. Com 450 mil caminhoneiros em sua plataforma, a empresa investe no projeto de capital de giro. O modelo de negócio da startup adianta os valores referentes às despesas necessárias para o transporte da carga em troca de uma porcentagem sobre as quantias pagas pelos contratantes. Isso permite que pequenas e médias transportadoras tenham dinheiro em caixa, já que os embarcadores podem levar até 120 dias para pagar pelo frete.

Já a Mandaê, outra startup categorizada como logtech, trabalha com pequenos e médios comércios eletrônicos. O trabalho da empresa é conectar os e-commerces com outros players logísticos que vão atuar no despacho da encomenda até a entrega para o consumidor final. A tecnologia entra para tornar mais inteligente essa conexão com os outros players e facilitar a vida do pequeno e-commerce que acessa todos os serviços por meio de uma transação única. Outro serviço possível é o da Cobli, uma plataforma que usa dados e IoT para gerir frotas. A ferramenta da startup ajuda empresas que tenham uma frota, com pelo menos três veículos, a otimizar seus gastos, roteirizar os melhores trajetos, além de ter visibilidade sobre o uso dos veículos.

Processos digitalizados

“A dinâmica da logística mudou rapidamente nos últimos anos. Com o crescimento de grandes marketplaces, como Amazon, B2W e Mercado Livre, o consumidor está cada vez mais exigente: tanto em relação à visibilidade (acompanhamento e atualizações sobre a entrega/serviço), quanto em relação à rapidez e qualidade da entrega/serviço. Por conta disso, a tecnologia e agilidade das logtechs tornam-se essenciais para suprir essas necessidades e, principalmente, para garantir a satisfação do cliente, que é um dos nossos principais parâmetros de qualidade”, analisa Gustavo Stein, diretor de marketing da Cobli.

CEO da CargoX, Federico Veja, reforça essa ideia. “Diversos setores estão hoje se digitalizando e com a área de logística não foi diferente. A pandemia ajudou a impulsionar esse movimento no mercado, fazendo com que as empresas e os caminhoneiros percebam a facilidade que as logtechs, como a Cargo X, oferecem hoje”.

O impacto da pandemia

A pandemia da Covid-19 tem se apresentado, inclusive, como um ponto de virada para a atuação das logtech. Isso porque, com as restrições de circulação e o crescimento agressivo do comércio eletrônico, a eficiência nos processos logísticos se torna cada vez mais estratégico. Passada a retração inicial causada pelos fechamentos, o marketplace de fretes CargoX atingiu um crescimento de 75% no faturamento. A operação também atraiu investimentos no período. A startup recebeu, em abril de 2020, um aporte de R$ 430 milhões da LGT Lightstone e mais R$ 15 milhões, em junho, da Pattac Empreendimentos e Participações S/A.

A Mandaê que atende os pequenos e-commerces viu o volume de encomendas crescer 200%, na comparação com o período pré-pandemia. “Durante 2020 ficou claro que o nosso serviço se tornou ainda mais crítico para o mercado”, opina Marcelo Fujimoto, CEO da Mandaê. Esse movimento impulsionou até mesmo a criação de algumas empresas da área. A Starl-4PL nasceu em 2020 como integradora de tecnologia e soluções inovadoras para a cadeia de abastecimento do setor de saúde.

Tecnologia a serviço da logística

Dentro desses processos, a tecnologia tem papel essencial. A Cobli, por exemplo, conecta um OBD, uma espécie de pendrive, que permite obter uma série de dados sobre o carro. Com isso e o uso de telemetria e computação em nuvem, é possível disponibilizar informações, como aceleração, frenagem, posição do carro, em tempo e ajudar o motorista a definir a melhor rota de acordo com as paradas necessárias. Já o CargoX usa Inteligência artificial para automatizar as rotas e promover o melhor match entre cargas e transportadores.

“Eu tenho certeza de que essa pandemia mudou muita coisa na maneira como vemos o futuro do Supply Chain e as Logtechs terão um papel fundamental neste novo cenário. Eu vejo uma demanda cada dia mais forte por soluções integradoras de tecnologia e com informações confiáveis, transparentes e em tempo real”, prevê Gustavo Galvão, CEO da Stark-4PL.

*Crédito da foto no topo: Ajwad Creative/iStock

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