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Mulheres na liderança: martechs e adtechs precisam mirar diversidade

Para Dani Junco, fundadora e CEO da B2Mamy, startups lideradas por mulheres se saem melhor do que as lideradas exclusivamente por homens

Victória Navarro
19 de maio de 2021 - 6h00

Se, há dez anos, quando o ecossistema de startups ainda estava em estágio de desenvolvimento, as empresas de base tecnológica fundadas apenas por mulheres representavam 4,4% e as criadas por ambos os gêneros somavam 3,5%, agora, os dados são, respectivamente, 4,7% e 29,5%. Os dados, do estudo Female Founders Report 2021, realizado neste ano pelo Distrito, Endeavor e B2Mamy, comprovam a necessidade de fomentar o aumento de mulheres nesse mercado.

Segundo Dani Junco, fundadora e CEO da B2Mamy, que capacita e conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia, entre os principais motivos para números tão baixos estão: o aporte de capital não chega à mão das fundadoras e a relação das mulheres com a economia do cuidado. “As martechs e adtechs são responsáveis por grande faturamento do segmento de inovação e criatividade. Não faz sentido ter um olhar único se a diversidade é o drive de inovação”, diz.

Com exclusividade ao ProXXIma, a profissional explica a necessidade de fomentar o aumento de mulheres em cargos de liderança e a importância de incentivar a criação de programas de aceleração e incubadoras de startups criadas pelo gênero.

 

Dani Junco, fundadora e CEO da B2Mamy (Crédito: Divulgação)

Meio & Mensagem – Como está a questão da quantidade de líderes mulheres em startups no Brasil?
Dani Junco – De acordo com o Female Founders Report 2021, de março deste ano, conduzido pelo Distrito, Endeavor e B2Mamy, apenas 4,7% das startups brasileiras são fundadas exclusivamente por mulheres. Existem vários fatores para explicar o porquê ainda estarmos engatinhando em equidade de gênero nesse ecossistema, mas destaco dois principais. Primeiro, o aporte de capital não chega na mão das fundadoras. Segundo o mesmo estudo, apenas 2,2 % dos investimentos de venture capital, em 2020, foram destinados para startups com, pelo menos, uma fundadora. Além disso, ainda há muito viés de gênero com os investidores e empresas sobre capacidade técnica e disponibilidade, porque toda economia do cuidado fica com as mulheres. Normalmente, as perguntas são mais detratoras — Como você vai dar conta de chegar nesse resultado? — do que promotoras — Quais são os canais que você pensou para chegar nesse resultado? –, no ambiente de trabalho.

M&M – Como fomentar o aumento de mulheres em cargos de liderança em martechs e adtechs?
Dani – É preciso fomentar o aumento de mulheres em todos as verticais. De acordo com Kauffman Foudation, startups lideradas por mulheres percorrem melhor financeiramente do que aquelas lideradas exclusivamente por homens. Geram 10% mais receita e 63% mais retorno. As martechs e adtechs são responsáveis por grande faturamento do segmento de inovação e criatividade. Não faz sentido ter olhar único se a diversidade é o drive de inovação.

M&M – Em que área, dentro das martechs e adtechs, as mulheres se destacam?
Dani – Pelo que vejo entre as startups que passam pela B2Mamy, o destaque acontece nas áreas criativas, como audiovisual, artes, lançamento de produtos e vendas, principalmente, na área de trade marketing. Há destaque também para criação de comunidades e autoridades digitais.

M&M – Qual é a importância de incentivar a criação de programas de aceleração e incubadoras de startups de mulheres no Brasil?
Dani – Como estar em um lugar, se você nem mesmo consegue imaginar que é possível? O papel das aceleradoras, como a B2Mamy, que é feita somente para mulheres, é, essencialmente, mostrar que é possível. Segundo, são muitos conceitos e tecnologias novos e ter um lugar estruturado para beber da fonte facilita a curva de aprendizado. E, por último e não menos importante, a comunidade, que gera relacionamentos que cortam caminhos, trazem novas oportunidades e ajudam o crescimento exponencial.

*Crédito da foto no topo: Negative Space/Pexels

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