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Marketing sensorial impulsiona experiência no digital

Ana Erthal, especialista em comunicação multissensorial da ESPM, e Flávio França, fundador e CEO da Media Glass, abordam as oportunidades criadas por estratégias que exploram os sentidos humanos

Taís Farias
20 de maio de 2021 - 6h00

Os cinco sentidos humanos – visão, olfato, paladar, audição e tato – podem ser grandes aliados do marketing. Isso porque, com o uso de estratégias de persuasão que envolvem os sentidos, as marcas se tornam capazes não só de envolver o consumidor, como criar memórias e vínculos afetivos com seu público, além de estimular a compra por impulso. Essa é a premissa básica do marketing sensorial, como explica Ana Erthal, especialista em comunicação multissensorial da ESPM e autora do livro “A comunicação Multissensorial, compreendendo modos de sentir”.

Realidade virtual e wearables são trunfo da Media Glass para aplicar marketing sensorial (Crédito: Divulgação)

“O principal objetivo do marketing sensorial é criar essa memória – de um odor, uma cor, um som, um sabor ou texturas – que faça distinções entre as marcas. Afinal, nossas memórias mais marcantes advêm dos nossos sentidos e essas experiências criam registros objetivos e afetivos a longo prazo. Essa recorrência de memória afetiva pode ser um fator no momento da decisão de compra ou de influência social”, conta a especialista.

Essa estratégia de diferenciação ganha ainda mais força em um contexto de alta exposição a informações, como o da sociedade moderna. Em 2014, uma pesquisa da Media Dynamics apontou que um indivíduo é exposto, em média, a 362 anúncios por dia. Nesse sentido personalização e a experiência são fatores chave na fidelização. Exemplos bem-sucedidos do uso do marketing sensorial estão espalhados pelo mercado, como o uso da sonorização dos pontos de venda feito pelas lojas Starbucks, a odorização de lojas, embalagens e produtos da Melissa e até patenteados, no caso do som das motos Harley Davidson.

Melissa é exemplo de marca que faz uso do marketing sensorial (Crédito: Divulgação)

Tecnologia aliada aos sentidos

Esse potencial de criar experiências tem chamado atenção das martechs, que usam a tecnologia para dar um passo além na interação com os sentidos. A MediaGlass, por exemplo, conta com um portfólio de serviços que abrange aplicativos de realidade aumentada e virtual para experiências imersivas, em 360º e para óculos inteligentes. “Essas aplicações possuem a capacidade de impactar os sentidos, principalmente na questão do visual, gerando experiências imersivas que integram áudio e vídeo”, conta Flávio França, fundador e CEO da companhia.

Com os wearables, eles já desenvolveram projetos para museus como MAM Rio, Masp e Museu do Futebol. Além disso, a startup vem investindo na virtualização de lojas, reproduzindo a experiência das unidades físicas no universo digital. “As martechs investem em estratégias sensoriais pela abordagem da experiência: o cliente vivencia, interage, avalia e compartilha a experiência da marca/serviço ou produto”, analisa Ana Erthal.

Limites físicos

As restrições causadas pela pandemia da Covid-19, naturalmente, impactaram as estratégias de marketing sensorial que precisaram encontrar caminhos para continuar cumprindo seu papel no digital. Mas, para a especialista em comunicação multissensorial da ESPM, as redes sociais e o marketing de influência podem ser aliados nesse processo. Segundo a professora, a experiências vivenciadas e divididas nas redes podem representar as sensações que os usuários também desejam ter.

“O consumidor deseja materializar as cenas que vê, ele idealiza e projeta seus desejos a partir das imagens. No processo de compra, ele pode ser seduzido por uma imagem e, a partir dela, há um longo protocolo de preparação da experiência que se materializa desde a embalagem até o compartilhamento nas redes sociais”, afirma a autora do livro “A comunicação Multissensorial, compreendendo modos de sentir”.

Ela ainda adiciona que é preciso muita pesquisa para desenvolver uma estratégia eficaz de marketing sensorial, já que é preciso conhecer em profundidade a identidade da marca e de seus clientes. “Essas características identitárias irão compor as matrizes semióticas para o desenvolvimento das marcas sensoriais, uma vez que existem muitas diferenças tanto culturais quanto biológicas na percepção dos estímulos sensoriais”, destaca Ana.

*Crédito da foto no topo: Oleg Magni/Pexels

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