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Internet das coisas: tecnologia impulsiona negócios

Martechs e adtechs, com empresas de tecnologia, sensorização e comunicação, têm possibilitado a formação de marketing baseado em dados, experiência do consumidor e confiabilidade

Victória Navarro
8 de junho de 2021 - 6h00

A internet das coisas (IoT), ou seja, a interconexão digital de objetos cotidianos com a internet, reúne um conjunto de estruturas e fatores que, quando aplicado, traz diferenciais e valores cruciais para a maioria das organizações: dados convertidos em informação, acompanhamento de processos remotos, controles operacionais, identificação de clientes, gestão e controle de ativos, supervisão de máquinas e fluxos, integração de tecnologias e inteligência artificial.

Para 44,8% dos líderes brasileiros, a IoT será indispensável para o crescimento dos negócios, afirma pesquisa realizada pela CI&T, com apoio da Opinion Box. O levantamento, que ouviu 1.241 profissionais dos mais diversos setores da economia brasileira em 2020, aponta que tecnologias como computação em nuvem (43,4%), inteligência artificial (39,2%), assistente virtual (37,4%) e tecnologias de realidade virtual, aumentada e mista (28%) ficam logo atrás. Ao menos três, entre cada dez líderes, investiram nessas tecnologias para transformar o seu negócio.

 

Segundo pesquisa da CI&T, para 44,8% dos líderes brasileiros, IoT será indispensável para o crescimento dos negócios (Crédito: Reprodução)

Os dispositivos wearables e inteligentes, que têm a tecnologia IoT, estão mudando a forma como os consumidores e clientes se relacionam com diversos aspectos da rotina. Segundo Fernando Teixeira, diretor de estratégia digital e soluções martech da Adobe para a América Latina, as empresas e as marcas precisam entender que os consumidores buscam conveniências e  facilidades que essa tecnologia pode oferecer. “Logo, se o anunciante entender que precisa sanar uma dor do cliente ou mesmo se antecipar e oferecer soluções ou experiências melhores, a IoT pode ser grande aliada, gerando benefícios aos negócios, melhor relacionamento com esse consumidor e entendimento do que busca”, explica.

Para Alessandro Galvão, diretor de marketing da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), a inovação é obrigatória e deve ser trazida para a pauta de pequenas, médias e grandes empresas como assunto estratégico. “É preciso destacar alguém na organização para, seriamente, ir atrás de possibilidades geradas pela IoT e que comece a ser diretivo nas implementações, tendo performance, eficiência e informação como norte das iniciativas”, diz.

Implementação de IoT
Como todo processo de inovação e transformação digital, é importante que a iniciativa seja apoiada pela alta gestão, para que, assim, se promova a mudança cultural nas empresas. Um bom começo, afirma Alessandro, é fazer diagnóstico do nível de maturidade das áreas e processos integrantes da jornada de implementação de IoT, se a companhia não tiver um roadmap, uma espécie de mapa que visa organizar as metas de desenvolvimento de software. “Feito o mapeamento do nível de prontidão e consolidado o plano de ação, deve-se então cumprir um passo importante, o de mapear a liderança e seu envolvimento nessa trajetória, para que haja sempre o buy-in tanto da alta gestão quanto dos líderes de cada área e processo impactado pela transformação”, aponta. Identifica-se, então, aspectos relacionados a cada dimensão passível de implementação de IoT, como gestão da equipe, operações e processos, experiência do consumidor, data e analytics, integração tecnológica e conhecimento digital.

No plano de marketing
As aplicações de IoT para o marketing e as marcas vão muito além do uso em ambiente doméstico. Segmentos automotivo, varejo, saúde e de esportes já fazem uso de IoT para melhorar operações, serviços e, principalmente, a experiência do consumidor. Atualmente, é comum que profissionais da saúde e médicos acessem a dieta de seu paciente, de acordo com os dados de sua geladeira, ou um gráfico de pressão arterial, que seu relógio inteligente armazena durante atividades físicas. “Essas e muitas outras iniciativas, para detectar padrões comportamentais e direcionar experiências de consumo, e até de vida, apontam para o marketing digital e o fortalecimento de seus pilares”, afirma. O universo de IoT possibilitará, em tempo real, o acesso a informações mais completas e ricas, a interação mais próxima com os usuários e consumidores, a integração da cadeia de valor das empresas, serviços públicos mais inteligentes e otimizados e conteúdos e informações altamente personalizados.

Teixeira, da Adobe, afirma que, no marketing, a IoT pode oferecer nível de personalização nunca antes visto. A IoT pode ser aplicada a um produto de marca na prateleira, por exemplo, fornecendo descontos para a próxima compra, dicas de uso e até sugestões de outros produtos. Nesse sentido, produtos físicos individuais podem se tornar plataforma de mídia e contato com o consumidor. “É, portanto, um produto conectável, independentemente do segmento”, diz. Por outro lado, a marca pode explorar o comportamento do consumidor para criar uma forma inteiramente nova de gestão de relacionamento com o cliente (CRM). Para implementar esse tipo de tecnologia, a empresa precisa, primeiro, ter o modelo de negócio Data Drive Operation Model (DDOM): “Isso significa que o marketing precisa ser orientado a dados, com o uso consolidado de plataformas robustas para coleta e análise dessas informações, oriundas dos dispositivos IoT. É uma construção complexa que demanda muito investimento e integração maior entre os times de marketing e tecnologia”.

Martechs e adtechs
Por terem modelo orientado a dados e ao uso de tecnologias mais robustas, as martechs e adtechs estão mais preparadas para apostar em inovações como a IoT, afirma Teixeira. Consequentemente, devem assumir o papel de se anteciparem e puxarem a expansão da tecnologia no mercado. As empresas “devem estar focadas em trabalhar em conjunto com martechs e adtechs, mas sempre como protagonistas e protetoras dos dados dos clientes, garantindo que toda a cadeia de parceiros trabalhe de forma correta, respeitando a privacidade dos clientes e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”.

“A quantidade de dados sobre padrões e hábitos de consumo, que diferentes equipamentos e plataformas integradas e conectados podem gerar, é incrível”, afirma Galvão, da Abinc. Esses dados ordenados têm gerado informações determinantes para ter visibilidade da etapa da jornada de compra em que o consumidor está, quais são seus desejos e suas ambições de consumo e saber os produtos e os serviços que está mais acostumado ou inclinado a consumir.

Mapear e entender as preferências do cliente e usuário, nos diversos pontos de contato, é o ponto de partida. Ter uma estratégia de marketing para cada uma dessas possíveis interações é determinante. “Essa dinâmica trará muitas informações disponíveis e a demanda por um conteúdo altamente personalizado”, afirma Galvão. “Porém, nesses dois pontos, estão a saída para que seus clientes e usuários tenham experiências memoráveis”, acrescenta.

De acordo com o diretor da Abinc, para algumas empresas, captar dados e transformar em informações é tarefa mais fácil, pois o cliente tem relação de confiança com sua empresa e marca. Existe relação diretamente proporcional entre a sofisticação da geração de conteúdos personalizados, por meio de dados captados dos clientes, e o quão assustados poderão ficar por conta da invasão de suas vidas. “Nesse sentido, além do respeito, que é intrínseco ao profissional de marketing, ser inteligente para que o consumidor não perceba esse grau de sofisticação e, portanto, não se sinta invadido, é crucial para que a relação de confiança não seja quebrada”, diz.

Existe uma necessidade das agências de comunicação e publicidade, que são o motor propulsor do marketing nas pequenas, médias e grandes empresas, de se aproximarem ainda mais do mercado de tecnologia e seus players, afirma Galvão. “Entender a extensão das possibilidades com tecnologia, bem como entender a dinâmica de desenvolvimento e implementação de projetos nas empresas, será passo fundamental para que possam ser influenciadores dos processos de transformação digital e IoT nas organizações”, explica. Dessa forma, serão geradores de oportunidades e consumidores das informações e outros insumos gerados pela IoT.

*Crédito da imagem no topo: Francesco Ungaro/Pexels

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