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O desafio das mulheres na liderança da tecnologia

As mulheres representam apenas 37% de todos os profissionais do setor do Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom)

Amanda Schnaider
29 de junho de 2021 - 6h03

As mulheres vêm conquistando  mais espaço dentro de empresas de tecnologia, mas ainda representam somente 37% de todos os profissionais do setor do Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). O desafio é maior quando se trata de chegar em cargos de liderança nessas empresas, visto que apenas 35% das mulheres têm cargos e salários mais altos nesse setor.

(Crédito: Skynesher/iStock)

Para Gabriela Onofre, que deixou carreira consolidada de mais de 20 anos em multinacionais internacionais para se tornar CMO e sócia da IDtech unico, essa diferença entre homens e mulheres no setor se deve à falta de incentivo desde a infância. “Naturalmente, também nos espelhamos pelo que vemos. Se é um mundo que já tem menos mulheres na formação e o ambiente já é mais masculino, é mais difícil para as pessoas que olham de fora aspirarem para sentar ali”, reforça.

Com anos de experiência como executiva de vendas e marketing em grandes empresas multinacionais do setor de tecnologia como Microsoft, Dell, Oracle e IBM, Fernanda Baggio, CMO da Neoway, entende que há diversas razões pelas quais os homens ainda são maioria em cargos de liderança das empresas de tecnologia. “Um dos principais é que, historicamente, por diversas razões, as mulheres não buscavam ou não tinham qualquer incentivo em se formar ou se especializar em tecnologia”, explica. Segundo a executiva, por esse motivo, é preciso pensar em incentivos e campanhas que falem diretamente com as mulheres para mostrar as possibilidades dessas carreiras. “É essencial também um esforço das empresas para contratar mais mulheres e, aos poucos, mudar essa realidade”, defende.

A chegada de Gabriela na unico, há dois anos, é um exemplo desse ponto de Fernanda, pois impulsionou o olhar diverso na companhia, que é composta 50% por mulheres. A unico também tem 50% de mulheres em cargos de diretorias e vice-presidências. “É muito legal quando chega uma mulher numa empresa de tecnologia porque é uma nova voz”, afirma a CMO. “Para as empresas de tecnologia, a questão da diversidade é ainda mais crítica, porque dependem muito de inovação. Precisa ter diversos olhares e backgrounds, pois cada um traz a sua lente, e essa soma faz com que a inovação aconteça”. A CMO da Neoway concorda: “A diversidade traz inúmeros benefícios. Um ambiente plural é mais criativo, favorece a inovação, traz um sentimento de pertencimento maior, promove o engajamento e melhora o clima organizacional”.

Segundo pesquisa anual da consultoria KPMG, em parceria com a Harvey Nash, a participação de mulheres em posições seniores em tecnologia na América Latina está, atualmente, em 16%. A percentagem é significativamente maior do que os 4% de representatividade feminina nestas funções em países como o Reino Unido, e superior à média global de 11%. Para Fernanda, isso ocorre porque as empresas da região têm adotado iniciativas voltadas à causa. A Neoway, por exemplo, possui o comitê NeoLadies, no qual, inclusive, Fernanda é madrinha, que foi criado em 2019 com a missão de disseminar, apoiar e promover ações que fortaleçam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino. “No comitê, promovemos discussões constantes e trabalhamos para aumentar a diversidade e, também, para tornar a Neoway uma empresa de referência interna e externa frente ao tema”, reforça.

Assim como a Neoway, a unico tem diversos grupos de afinidade para diversas pautas, como a Liga da Diversidade, criada pela própria Gabriela. Além disso, a CMO ressalta que a própria força das mulheres unidas fomentam as próximas gerações. “Acho que o Brasil tem isso, temos muitas organizções fomentadas por mulheres que nos empoderam e nos conectam”.

Como mudar a situação?
Acabar com as desigualdades entre homens e mulheres, nas mais diversas esferas, não é fácil. Assim como o trabalho de mudar uma cultura também não, mas a sociedade já está vendo avanços, observa Fernanda. Quando diz respeito a empresas de tecnologia, a CMO da Neoway afirma que um bom caminho para a mudança é estabelecer os sete princípios de empoderamento das mulheres, defendidos pela ONU: estabelecer liderança corporativa para a igualdade de gênero; tratar todos de forma justa; garantir a saúde, segurança e bem-estar das mulheres; promover a educação, formação e desenvolvimento profissional das mulheres; implementar o desenvolvimento empresarial que empodere as mulheres; promover a igualdade por meio de iniciativas comunitárias; medir e publicar os progressos da igualdade de gênero.

Para Fernanda, a mulher que queira chegar a um cargo de liderança em empresa de tecnologia deve estar sempre em busca de qualificação profissional e novos desafios. “Obtenha uma excelente formação, conquiste boas experiências, invista tempo em networking e acredite na sua intuição. Seguindo esses passos, as possibilidades para galgar posições de lideranças vão surgir”, enfatiza.

*Credito da imagem de topo: audioundwerbung/iStock

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