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Por que ter um unicórnio na carteira de investimentos?

Thiago Maluf, managing director da Igah Ventures, afirma que empresas que se beneficiam de tendências de longo prazo são as mais atrativas

Victória Navarro
5 de julho de 2021 - 6h00

A oferta pública inicial ou IPO (initial public offering) representa a primeira vez que uma empresa realiza oferta de ações ao mercado. Além de permitir com que companhias levantem recursos, o capital aberto possibilita que empreendedores ou sócios ganhem maior liquidez e que o negócio receba credibilidade, projeção e reconhecimento público. Para Thiago Maluf, managing director da Igah Ventures, gestora de venture capital brasileira que nasceu da união de forças das plataformas de investimento E.bricks Ventures e Joa Investimentos, cada unicórnio tem um histórico e chegou até o IPO pelas seus próprios atributos. “Em todos os casos, são empresas muito bem-sucedidas nos respectivos espaços, que ganharam escala e têm alto potencial de crescimento futuro. O ponto mais relevante é que cada novo unicórnio é um caso de sucesso que contribui para o desenvolvimento do mercado de venture capital brasileiro”. Ao Meio & Mensagem, o profissional explica o que a análise de investimentos leva em conta ao buscar empresas que tendem a adquirir alto valor de mercado e como diversificar a carteira de investimentos em startups.

 

Thiago Maluf, managing director da Igah Ventures (Crédito: Divulgação)

Meio & Mensagem – No Brasil, para realizar IPOs entre os unicórnios do ecossistema de startups, é levado em conta um cenário de longo prazo?
Thiago Maluf – O investidor que está comprando a ação em um IPO busca empresas de alto crescimento e que se beneficiem de tendências de longo prazo, como a transformação digital e o aumento da penetração de e-commerce. Além disso, o processo de análise dos investidores leva em conta as perspectivas das companhias para um período de vários anos. Certamente, não é uma análise focada apenas no curto prazo.

M&M – Como tornar os IPOs realidade possível dentro do segmento de startups?
Maluf – Com o mercado mais receptivo a IPOs de empresas de tecnologia, startups que buscam abertura de capital devem começar a planejar esse caminho anos antes, implementando controles financeiros, auditoria, governança e times de primeira linha, em conformidade com as melhores práticas de empresas listadas. Temos o compromisso de apoiar nossos empreendedores na construção de negócios vencedores, que transformem seus mercados. Uma forma de fazer isso é ajudá-los a preparar suas empresas para um IPO, por exemplo, reforçando time e controles, disseminando melhores práticas entre as empresas do portfólio e, proativamente, buscando oportunidades para que nossas investidas participem de conferências. Recentemente, tivemos o primeiro IPO das investidas da Igah Ventures, realizado pela Infracommerce. Fizemos nosso primeiro investimento na empresa ainda na fase seed. Continuamos investindo em diversos rounds, ao longo de sete anos, durante os quais ajudamos o founder em múltiplas frentes, como atração de clientes, internacionalização, reforço do C-level, novas captações e, mais recentemente, na abertura de capital. Atualmente, detemos mais de R$ 500 milhões em participação na empresa e continuamos apostando na Infra. Para startups, ter parceiros que possam acompanhá-los e apoiá-los ao longo de toda a jornada, do seed ao IPO and beyond, faz toda a diferença.

M&M – Como o mercado de venture capital vê o perfil dos unicórnios brasileiros?
Maluf – Não há perfil único. Cada empresa tem um histórico e chegou até o IPO pelo próprio caminho. Em todos os casos, são empresas muito bem-sucedidas nos respectivos espaços, que ganharam escala e tem alto potencial de crescimento futuro. O ponto mais relevante é que cada novo unicórnio é um caso de sucesso que contribui para o desenvolvimento do mercado de venture capital brasileiro. Gestores de venture capital passam a considerar o IPO um caminho de saída viável e, com mais opções de saída, podem tomar mais risco nas novas decisões de investimento. Potenciais empreendedores são motivados a tomar o risco de empreender ao ver o sucesso dos unicórnios. E grandes alocadores de capital internacionais tendem a aumentar o percentual de seus portfólios, alocando a venture capital no Brasil por entender que temos um mercado maduro. É um ciclo virtuoso.

M&M – O que uma análise de investimentos leva em conta ao buscar empresas que tendem a adquirir um alto valor de mercado?
Maluf – Buscamos times e founders diferenciados focados em resolver dor real em mercado muito grande. Pegue como exemplo a Conexa, nossa investida que é a maior empresa independente de telemedicina do Brasil. O mercado de saúde é gigante. Temos um grupo de founders, executivos e board members absolutamente diferenciado e, desde nosso investimento, temos sido incansáveis em reforçar o time. A solução da Conexa ataca dois problemas reais da saúde no Brasil: o custo médico e o acesso à saúde de qualidade. Em pouco mais de um ano desde nosso investimento, a empresa multiplicou seu faturamento mensal em mais de 40 vezes, fechou duas aquisições, fez captações adicionais com investidores globais e tem mais de 15 milhões de pacientes atendidos, chegando próxima aos R$ 100 milhões de faturamento, neste ano. É uma forte candidata para acessar o mercado de capitais em alguns anos.

M&M – Como diversificar a carteira de investimentos em startups? Qual é o papel dos unicórnios?
Maluf – Somos uma gestora com mais de R$ 1 bilhão sob gestão e mais de 60 investimentos completos. Temos processos internos para garantir que não concentremos nosso portfólio em poucos ativos ou setores. Isso nos permitiu construir um portfólio bastante diversificado, incluindo empresas como a Contabilizei, maior plataforma de contabilidade na nuvem da América Latina; Infracommerce, líder em soluções end-to-end para e-commerce com operações em cinco países da América Latina; Ambar, líder em construtech da América Latina; a Tembici, maior companhia de bike-sharing da América Latina; a Conexa, a maior plataforma independente de telemedicina do Brasil; e a Avenue, corretora líder em soluções de investimento internacionais para investidores de varejo brasileiros.

*Crédito da foto no topo: Pixabay/Pexels

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