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Startups: a força em atrelar o mindset correto à tecnologia

De acordo com Romero Rodrigues, managing partner da Redpoint Eventures, a base tecnológica auxilia no rápido crescimento de negócios

Victória Navarro
30 de julho de 2021 - 6h00

O planejamento estratégico de negócios em prol da escalabilidade auxilia startups a economizarem com mão de obra e a atingirem seus objetivos mais rápido. “Curiosamente, investimento de venture capital não é, necessariamente, investimento em empresas de tecnologia, mas, sim, em companhias extremamente escaláveis e, coincidentemente, até hoje, só conseguimos ver empresas que escalam na velocidade que precisam, para receber esse investimento, com uma base tecnológica muito forte”, diz Romero Rodrigues, managing partner da Redpoint Eventures, empresa de capital de risco que apoia empreendedores do mercado digital brasileiro. O segmento de venture capital fica atento, explica, a negócios de alto impacto, responsáveis por gerar grandes retornos aos investidores, fomentar o surgimento de talentos e resolver deficiências. Ao Meio & Mensagem, Romero explica em que pé está o mercado de unicórnios, no Brasil, qual é o impacto do aumento do número dessas empresas na realização de IPOs e de qual forma o mercado local está carente de ativos de tecnologia.

 

Romero Rodrigues, managing partner da Redpoint Eventures (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – Como as startups podem aliar o mindset correto à tecnologia?
Romero Rodrigues – As startups bem-sucedidas costumam procurar um mercado muito grande e, dentro desse mercado, um problema muito importante. A ideia é você, ao resolver esse problema muito importante dentro de um mercado muito grande, conseguir desenvolver um modelo de negócios e, com isso, poderá cobrar por isso. Afinal, se o mercado é grande, o problema que está resolvendo é relevante. Associado a isso, se você tiver uma base tecnológica muito forte, irá conseguir crescer muito rápido. Os empreendedores precisam desenhar a companhia para escalar rapidamente, porque, se ela não estiver preparada para escalar rapidamente ou não conseguir capturar essa oportunidade, ela vai precisar de muito mais pessoas e de muito mais contratações ou ela demorar muito mais tempo para chegar onde deseja, porque as vendas não estão padronizadas. Por isso, a escalabilidade é o mais importante. Curiosamente, investimento de venture capital não é, necessariamente, investimento em empresas de tecnologia, mas, sim, em companhias extremamente escaláveis e, coincidentemente, até hoje, só conseguimos ver empresas que escalam na velocidade que precisam, para receber esse investimento, com uma base tecnológica muito forte.

M&M – No Brasil, em que pé está o mercado de unicórnios, em comparação com outros países?
Romero – Nos últimos dois anos, vimos uma aceleração no número de unicórnios, no Brasil. De acordo com o Distrito, 14 empresas chegaram a esse estágio. Algumas outras fontes já revelam um número maior, de 19 companhias. Primeiramente, o que fez isso acontecer foi a maturidade do ecossistema, que começou a ser construído a partir de 2010, com investidores especializados em cada fase. Relaciono o segundo motivo ao fato de que boa parte das startups, que, hoje, são consideradas unicórnios, foi criada entre 2010 e 2011, por conta da saída e da venda de empresas lá do primeiro ciclo, no ano 2000, de investimentos. Ou seja, os primeiros investimentos realizados deram resultado para os investidores em 2009, 2010 e 2011, como Buscapé, Netshoes e Pagseguro. O dinheiro conquistado, no primeiro ciclo, volta para o ecossistema com as novas startups. A terceira razão é o tamanho do mercado. Então, por exemplo, quando o Buscapé começou, lá atrás, eram cem mil usuários na internet. Tínhamos, na pré-pandemia, 140 mil pessoas conectadas em planos de dados. Agora, temos, virtualmente, todos os brasileiros conectados. Isso em função da quarta razão, que é o fato de a pandemia ter trazido uma aceleração no mundo. A pandemia, mais do que a digitalização do CNPJ, forçou a digitalização do CPF, seja você um MEI, vendendo café em uma esquina de São Paulo, seja você um grande executivo, um profissional liberal, como um personal trainer.

M&M – No País, de qual forma o mercado de venture capital vem se consolidando? E, qual é a importância de fomentar o mercado de venture capital?
Romero – O mercado vem consolidando-se, por meio de companhias que atravessam todo o ciclo e que, ao fazê-lo, geram altos retornos para os investidores gerarem também mais profissionais talentosos para o mercado. O empreendedorismo de alto impacto gera muitos exemplos, como os altos retornos para os investidores, mais talento empreendedor no mercado e, obviamente, a resolução de deficiências onde há uma grande ineficiência, da melhor e mais rápida forma, ou seja, via tecnologia. Então, quanto mais problema, mais ineficiência, você vê mais oportunidade para empreendedores existe. Essas três combinações estão consolidando o mercado de venture capital. A importância de fomentar é, justamente, gerar talento altamente qualificado. Nenhum tipo de empresa consegue criar talentos e os educar de uma forma tão eficiente e rápida quanto a indústria de tecnologia. O venture capital é a gasolina dessa indústria e impacta, diretamente, na sociedade e na economia, não só via impacto primário do talento para as empresas, mas o impacto secundário. Ficou mais fácil você ter um cartão de crédito e ficou mais barato, ficou mais simples de realizar uma reclamação. Também houve a possibilidade de uma comparação de preços, além de poder comprar e receber um produto no mesmo dia. Toda essa eficiência e tecnologia são resultado da competição que os investimentos de venture capital geram entre as pessoas extremamente talentosas.

M&M – Qual é o impacto do aumento do número de unicórnios na realização de IPOs?
Romero – O número de unicórnios que a gente vê, no País, é uma proxy para IPOs. Mas, isso não quer dizer que todos os unicórnios vão, necessariamente, fazer IPOs ou que todas as empresas, que vão fazer a abertura de capital, chegarão ao status de unicórnios. Isso mostra a evolução das várias safras de startups. Apesar das startups ainda não estarem públicas e não conseguirmos aferir os seus valores, na medida em que elas chegam a esses status de valerem um bilhão de dólares ainda privadas, sabemos que essas empresas já poderiam estar públicas, se quisessem. Geralmente, a partir desse estágio, a startup tem muita liquidez, ou seja, é muito mais fácil vender ações dessa empresa do que comprar ações da mesma. Então, você pode dizer, praticamente, que aquela startup está no mesmo patamar que uma empresa que realizou o IPO. Acredito que uma forma correta seria somar esses dois números de IPOs e de startups de tecnologia para, assim, entendermos quantas companhias chegaram a esse estágio de liquidez, tamanho e valor.

M&M – O mercado local está carente de ativos de tecnologia?
Romero – De certa forma, o mercado local está carente de ativos de tecnologia, porque, assim como outros locais do mundo, temos visto um interesse gigantesco por venture capital e por startups. Isso é refletido pelo tamanho do mercado que existe hoje versus vinte anos atrás. Hoje, são 170 milhões de usuários contra 100 mil, de lá atrás, seja pela qualidade do talento, que foi lapidado nestes últimos vinte anos, ou pelas condições macroeconômicas, como a taxa de juros que saiu de 15% e foi para 2% e que, agora, está em cerca de 4% ou 5%. As duas coisas estimulam o investimento de risco. Isso também possibilita uma abundância de liquidez e, em um mercado com abundância de liquidez, as empresas acabam tendo uma escassez de bons ativos para investir.

*Crédito da imagem no topo: Trendobjects/iStock

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