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Smart cities: inovação torna mobilidade mais eficiente

A tecnologia é aliada de cidades que aumentam o ritmo em que proporcionam resultados de sustentabilidade social, econômica e ambiental

Victória Navarro
2 de agosto de 2021 - 6h00

De 2017 até 2030, o mercado global de mobilidade crescerá cerca de 75% e atingirá um valor de US$ 26,6 trilhões. Daqui nove anos, o Brasil terá 225 milhões de habitantes e 90% da população viverá nas áreas urbanas. Até o final de 2020, US$ 124 bilhões foram investidos em tecnologias voltadas para melhorar a gestão das cidades inteligentes. Em 2019, o valor estimado para o mercado de MaaS (em inglês, mobility as a service, e, em português, mobilidade como serviço) — que consiste na integração de diferentes serviços de transporte em uma única plataforma, que pode ser acessada via aplicativo para celular –, no mundo, era de US$ 195,04 bilhões. Os dados são do levantamento “Liga Insights Mobilidade”, publicado em dezembro de 2020 pela empresa de inovação aberta Liga Ventures, com base em relatórios, estudos, debates, reportagens e informações de diversas fontes. A integração inteligente e a inovação moldam a nova mobilidade. A oportunidade da esfera privada de oferecer concorrentes para o carro e para o transporte público, ao mesmo tempo em que oferece experiência ao usuário, tende a trazer, cada vez mais, conforto e rapidez para mover as cidades. As startups estão olhando para esse segmento.

 

De acordo com pesquisa da Liga Ventures, de 2017 até 2030, o mercado global de mobilidade atingirá um valor de US$ 26,6 trilhões (crédito: Peng/Pexels)

Segundo o ISO (em inglês, International Organization for Standardization e, em português, Organização Internacional de Normalização, que visa promover o desenvolvimento de normas, testes e certificação com o intuito de encorajar o comércio de bens e serviços, cidades inteligentes são aquelas que aumentam o ritmo em que proporcionam resultados de sustentabilidade social, econômica e ambiental e que respondem a desafios, como mudanças climáticas, rápido crescimento populacional e instabilidades de ordem política e econômica. “As smart cities aplicam métodos de liderança colaborativa, trabalham por meio de disciplinas e sistemas municipais e usam informações de dados e tecnologias modernas, para oferecer os melhores serviços e qualidade de vida para os que nela habitam”, explica Raquel Cardamone, CEO e fundadora da Bright Cities, startup que faz análise de dados de cidades e de soluções tecnológicas, com o propósito de ajudar gestores públicos na construção de smart cities no Brasil e em todo o mundo.

O investimento em tecnologia para a gestão de cidades pode proporcionar, por exemplo, o uso de energia limpa, seja na iluminação pública ou no transporte público; auxiliar no desenvolvimento de projetos urbanos sustentáveis, com construções de baixo consumo de carbono; incrementar soluções de mobilidade, moradias com serviços de esgoto e saneamento; incentivam pesquisas e soluções verdes; entre outras ações. De acordo com Raquel, nas smart cities, “a tecnologia possibilita a geração de dados e controle em tempo real, análises que antes não eram possíveis”.

As cidades inteligentes já existem e, embora o imaginário faça pensar em uma visão quase de ficção científica, os primeiros passos já começaram pelo uso de dados, afirma Leandro Esposito, country manager do Waze no Brasil. O agente de mudança do tráfego e de inovação em mobilidade criou, por exemplo, o programa Waze for Cities, que trabalha com 1.900 parceiros, entre municipalidades e entidades de interesse público, para garantir acesso gratuito a dados de trânsito e alertas em tempo real à gestão pública. “Cidades parceiras, no mundo todo, conseguem compartilhar melhores práticas e usar esses dados para planejar suas ações, como o melhor horário para a coleta de lixo, melhoria do serviço de emergência, estudo de uma obra e preparação para eventos extraordinários”, diz. Com a pandemia da Covid-19, os governos passaram a usar essas informações como um guia para monitoramento, gerenciamento e planejamento de decisões mais assertivas para proteger a população.

O protagonismo da mobilidade
As gestões públicas devem adotar políticas bem planejadas, para facilitar e diminuir os deslocamentos, o que ajuda a reduzir a poluição, incentiva a mobilidade ativa, promove consciência ambiental e melhora a qualidade de vida. “Como os desafios de mobilidade variam conforme as características de tamanho, população, infraestrutura do transporte público de cada cidade, é fundamental que a gestão tome decisões estratégicas baseada na situação específica do município”, esclarece a CEO e fundadora da Bright Cities. Leandro destaca que é preciso entender a mobilidade urbana como uma questão integrada à organização das cidades.

O Brasil tem uma das taxas mais altas de urbanização do mundo. As cidades brasileiras cresceram significativamente nos últimos anos. Mas o planejamento urbano, o investimento e a evolução dos meios de transportes coletivos, nesses locais, não acompanharam esse crescimento. “O resultado foi uma diminuição da oferta de alternativa de mobilidade, para atender o excesso de passageiros que dependem de transportes públicos, e o fato da população adquirir seu próprio meio de transporte, aumentando o número de veículos nas ruas”, afirma Raquel. Alguns países têm esforços direcionados para uma maior adoção de carros elétricos, outros procuram soluções para mitigar os efeitos da poluição e alguns investem na melhoria do transporte público e no incentivo do uso de meios de mobilidade menos poluentes. Há ainda a criação de novos desenvolvimentos urbanos, que reduzem a necessidade de deslocamento das pessoas.

O emprego de tecnologia na mobilidade urbana não é novidade. “Entretanto, acentuou-se com o acesso à infraestrutura de tecnologia mais barata pelas empresas. Hoje, temos meios de transporte mais conectados, seguros e com novos modelos de serviço disponíveis na palma da mão do usuário. No entanto, a tecnologia por si só não vai tornar a mobilidade mais eficiente. A verdadeira evolução depende das pessoas e da adoção de novos hábitos”, diz Leandro. Empregar tecnologia, hoje, é parte da realidade e uma ferramenta poderosa que, quando alinhada a bons propósitos, proporciona um aumento na qualidade de vida do cidadão, tanto para a mobilidade quanto em outras áreas como na saúde ou em serviços essenciais.

Diante da imprevisibilidade proporcionada pela Covid-19, por exemplo, é fundamental que o processo de tomada de decisões se baseie em dados. “Este é o momento para o setor combinar uso inteligente de dados e de inovação, para estabelecer parâmetros e metas. No caso dos governos, o objetivo é manter os baixos níveis de congestionamento e, consequentemente, a boa qualidade do ar nas grandes cidades, além de definir as políticas de mobilidade que apoiarão essa agenda, mesmo após superarmos a pandemia”, afirma o country manager do Waze no Brasil.

As startups de mobilidade estão desenvolvendo, cada vez mais, soluções voltadas para caronas, transporte coletivo, carros elétricos e não motorizados e sistemas de mobilidade disruptivos. “Essas soluções irão evoluir de maneiras diferentes em cada país e região, considerando investimentos, esforços dos governos e até a adesão das pessoas às iniciativas de micro mobilidade”, explica Raquel.

Mobility as a service
A mobilidade como um serviço, também conhecida como por mobility as a service (MaaS), é um modelo de distribuição de mobilidade no qual uma pessoa atende às suas necessidades de transporte em uma única interface. “O MaaS visa fornecer transporte de ponta a ponta, conectando diferentes meios de transporte e fazendo um melhor uso das opções de transporte existentes em uma determinada área”, afirma a CEO e fundadora da Bright Cities. A é altamente orientada por dados e impulsionada por melhorias na tecnologia da informação, incluindo GPS, ampla penetração de smartphones em redes celulares de alta velocidade, alto nível de conectividade, horários de opção de viagem em tempo real e sistemas de pagamento sem dinheiro. “Um ponto importante para se destacar é que a implementação do MaaS requer forte cooperação local e regional entre órgãos públicos e provedores privados. Cada uma dessas partes interessadas pode trazer suas ideias e pontos fortes para a esfera do planejamento de transportes para mudar o futuro da mobilidade urbana nas cidades”, explica.

*Crédito da imagem no topo: Rapeepon Boonsongsuwan/iStock

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