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Qual é o perfil do novo chief information officer?

Conhecimento profundo de negócios e do papel estratégico da tecnologia é crucial para um CIO, diz Yran Dias, sócio sênior da McKinsey & Company

Victória Navarro
11 de agosto de 2021 - 6h00

Responsável pelos sistemas de tecnologia da informação (TI) da empresa a nível de processos e do ponto de vista de planejamento, o chief information officer (CIO) tem ganhado, cada vez mais, protagonismo dentro das empresas. Porém, nem sempre foi assim. Segundo pesquisa da consultoria McKinsey & Company, realizada em 2018, 79% das organizações que buscaram se digitalizar ainda estavam em estágios iniciais da transformação tecnológica. Com o tempo, os CIOs deixaram de apenas gerenciar TI e passaram a usar a tecnologia para criar valor de negócio. “Na maioria das indústrias, produtos, serviços, processos e ferramentas são, cada vez mais, tecnológicos e, com isso, os CIOs passam a ter um papel fundamental como parceiros do negócio, além de terem um foco na geração de valor. Também possuem um papel mais tradicional, o de entregar somente projetos de tecnologia, infraestrutura e etc”, diz Yran Dias, sócio sênior da McKinsey & Company, com exclusividade para o Meio & Mensagem.

O chief information officer analisa como a empresa pode aproveitar as novas tecnologias, identifica quais benefícios interessam mais à companhia e avalia seu funcionamento. Para o executivo, entre as características do novo CIO, estão: conhecimento profundo dos negócios da empresa e do papel estratégico da tecnologia e capacidade de ajudar a desenvolver o conhecimento da empresa e dos executivos seniores sobre o que há de mais novo no mercado.

 

Yran Dias, sócio sênior da McKinsey & Company (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – Com o tempo, os CIOs deixaram de apenas gerenciar TI e passaram a usar a tecnologia para criar valor de negócio. A que se deve isso?
Yran Dias – De fato, é um movimento que já é uma realidade nas empresas líderes nos seus mercados. Na maioria das indústrias, produtos, serviços, processos e ferramentas são, cada vez mais, tecnológicos e, com isso, os CIOs passam a ter um papel fundamental como parceiros do negócio, além de terem um foco na geração de valor. Também possuem um papel mais tradicional, o de entregar somente projetos de tecnologia, infraestrutura e etc. Essa é uma mudança também cultural, nas empresas. Ao mesmo tempo, as áreas de negócio também têm que conhecer muito mais de tecnologia, para poder trabalhar de forma totalmente integrada com o CIO e todo o seu time de tecnologia.

M&M – Como as novas tecnologias reformularam o cenário competitivo das marcas?
Yran – As novas tecnologias estão mudando o cenário competitivo, em todos os elos da cadeia de valor. Desde o momento da comunicação com o cliente, no qual as mídias digitais têm cada vez maior influência, passando pelos canais de venda, onde a porcentagem de vendas digitais aumentou muito — acelerando na pandemia — até o momento de manter e fortalecer o engajamento e lealdade do cliente à marca. Dois grandes motivos para o aumento da influência da tecnologia são a mudança do comportamento dos clientes, que usam e preferem interações em canais digitais, e a disseminação de novas tecnologias nas empresas, que são mais escaláveis e mais acessíveis.

M&M – Apesar dos avanços promovidos pela pandemia, quais fatores atrasam o processo de transformação digital das empresas?
Yran – Temos apoiado um grande número de clientes na sua transformação digital e vemos que alguns desafios importantes foram recorrentes, nesse processo. Há a transformação cultural. Para evoluir de forma importante na digitalização, é necessário transformar muito mais do que a tecnologia. A empresa precisa incorporar atributos na cultura, que são fundamentais, como centralidade no cliente, autonomia aos times para executar, priorizar aprendizados e entregas de valor para o negócio em ciclos mais curtos, além de estar disposto a testar mais e aprender com o erro. Há novos talentos e habilidades. A transformação digital exige um conjunto grande de novos conhecimentos e habilidades, que as empresas precisam desenvolver, por meio de treinamento e contratação de novos talentos. Tem a modernização das plataformas e das soluções tecnológicas. As empresas, tradicionalmente, têm grandes desafios com sistemas legados e um modelo de gestão antigo. Para a transformação digital, é importante mudar muito além dos canais e interfaces com os clientes, é preciso transformar os sistemas e o modelo core de tecnologia das empresas. Outro desafio é a necessidade de uma visão clara e ambiciosa da transformação digital compartilhada e alinhada entre board e grupo de executivos seniores da empresa, acompanhadas de métricas específicas de geração de valor, que a transformação deve habilitar. E, há o modelo de trabalho lento na tomada de decisão e execução. Um negócio digital demanda um modelo de trabalho onde tecnologia e negócio trabalham de forma integrada, habilitando a empresa a ser mais produtiva e ter um time to market muito mais acelerado

M&M – Quais são as características do novo CIO?
Yran – Entre as características que me parecem, cada vez mais, fundamentais nos CIOs, estão: conhecimento profundo dos negócios da empresa e do papel estratégico da tecnologia; capacidade de ajudar a desenvolver o conhecimento da empresa e dos executivos seniores sobre novas tecnologias; capacidade de atrair e desenvolver novos talentos na tecnologia e evoluir a cultura; e conhecimento de novas tecnologias e modelos de trabalho modernos, com tecnologia e negócios trabalhando de forma integrada.

*Crédito da foto no topo: Eugenesergeev/iStock

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