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Como o setor pet está pensando tecnologia?

Com o terceiro maior mercado mundial, players brasileiros investem em omnicanalidade e na digitalização de pequenos negócios

Taís Farias
16 de agosto de 2021 - 8h00

Mercado pet brasileiro encerrou o ano de 2020 perto dos R$ 40,1 bilhões de faturamento, segundo o Instituto Pet Brasil (Crédito: Nomad Soul/ shutterstock)

O Brasil está entre os três maiores mercados do mundo para o segmento de produtos pet – para animais de estimação. O País só fica atrás dos Estados Unidos e da China. A afirmação é feita com base nos dados do Instituto Pet Brasil. De acordo com o levantamento da entidade, o mercado pet brasileiro encerrou o ano de 2020 perto dos R$ 40,1 bilhões de faturamento. Número 13,5% superior ao registrado em 2019. O levantamento revela que o setor é dominado por empresas de menor porte. Mais de 90% são pequenas e médias. As grandes redes respondem por 10% do faturamento. Dentro do setor, a receita é concentrada em alimentação (pet food), serviços veterinários (pet vet) e cuidados (pet care).

A pandemia da Covid-19 acelerou um movimento de valorização dos animais de estimação, que auxiliaram no suporte emocional de seus donos. O setor, que é considerado um serviço essencial, investiu na omnicanalidade e na digitalização de seus serviços. O comércio eletrônico, atualmente, já responde por 4,4% do faturamento desse mercado (R$ 1,5 bilhão).

Digitalização acelerada
Essa aposta em tecnologia e soluções digitais está movimentando o mercado. No início do mês, a Petz, rede de petshops brasileira que atingiu R$ 2 bilhões em faturamento no último ano, anunciou a compra da Zee.Dog, marca premium do setor, pelo valor de R$ 715 milhões. No anúncio, a companhia afirmou que a aquisição amplia as possibilidades de crescimento da PetZ e soma expertise em gestão de marca, desenvolvimento de produtos exclusivos, sourcing e tecnologia, além de presença no mercado internacional.

“A Zee.Dog nasceu em 2012 com a missão de conectar cachorros e pessoas. A Zee.Dog já surgiu no mercado com tecnologia na veia, tanto que o nosso CTO, hoje, foi uma das primeiras contratações e posições que nós trouxemos quando fundamos. A Zee.Dog vem para suprir a falta de uma comunidade, que as pessoas pudessem se sentir pertencentes, ter produtos inovadores e de altíssima qualidade, além de experiências de compra disruptivas em todos os nossos canais – offline e online”, conta Thadeu Diz, fundador e diretor criativo da Zee.Dog.

Segundo a Zee.Dog, ao longo da pandemia, a empresa teve um crescimento de 600%. Para o executivo, isso se deve ao fato da companhia já estar preparada para a aceleração digital, quando esse momento chegou. Hoje, 58% da receita da Zee.Dog vem das vendas online, sendo 30% originadas no aplicativo da marca. Ela também é conhecida por suas entregas rápidas. “A Zee.Dog, hoje, é mais uma empresa de tecnologia do que de consumer goods.  Foi justamente essa cabeça tech focused que fez a marca ter um crescimento tão acelerado nestes últimos anos e começar a brigar com os maiores grupos do setor”, defende o Thadeu Diz.

Força do e-commerce
Outra companhia que saiu beneficiada com o avanço digital foi a Petlove. Fundada em 1988, a empresa se tornou um dos primeiros petshops online há 22 anos. Atualmente, o e-commerce faz parte do ecossistema Petlove&Co. “O nosso propósito é atender todos os elos da cadeia pet-vet, como hospitais, clínicas e médicos veterinários, petshops e pais e mães de pet. Nossas empresas, Petlove, DogHero, Vet Smart, Vetus e mais recentemente a Porto.Pet, tem o diferencial de atender todo esse ecossistema de forma digital”, conta Marcio Waldman, fundador da Petlove.

Em 2020, o faturamento da companhia cresceu 65%. De acordo com o executivo, os principais investimentos estão no fortalecimento da estrutura logística e na integração entre físico e digital. “Entre nossas estratégias de inovação, estamos desenvolvendo novos centros de distribuição pelo país, para que com uma tecnologia integrada à logística, possamos entregar de forma ainda mais ágil ao consumidor. Também estamos desenvolvendo marcas exclusivas e parcerias com petshops físicos para potencializar a omnicanalidade e atender o consumidor de forma mais rápida e personalizada”, aponta Waldman.

Varejista do setor pet e garden, a Cobasi também aposta na tecnologia e automação para integrar seus canais e aprimorar a experiência do cliente. “Nossa arquitetura de sistemas permite uma integração entre lojas, centro de distribuição, canais online, site, APP, Central de Atendimento ao Cliente que viabiliza vários automatismos de processos, permitindo informação em tempo real de estoque, status de pedidos, status de entrega, mensagem automáticas via APP e Whastapp. Tanto nosso cliente como nossos colaboradores de lojas, tem controle das solicitações de produtos e serviços solicitados pelos  tutores dos pets”, conta Regis Borghi, diretor de tecnologia e operação digital.

“Além disso, dentro da área de Tecnologia, utilizamos ferramentas e arquiteturas em nuvem e de micro serviços que permitem escalarmos nossos serviços de forma segura e com performance , além de garantir agilidade no desenvolvimento pelo nosso time interno de TI – CobasiLabs”, acrescenta o executivo.

Desafios e pulverização
Apesar de todo o avanço, o setor ainda conta com desafios a serem enfrentados. “O mercado pet, hoje, ainda é muito pulverizado e ainda bastante informal. A tecnologia vem para otimizar, melhorar, acelerar basicamente todos os layers”, aponta o diretor criativo da Zee.Dog. Pensando nisso, a Petlove criou o projeto Vet Smart, em que atua como provedora de tecnologia. Na iniciativa, médicos veterinários e pequenos petshops podem criar e personalizar um site de vendas integrado à plataforma da Petlove. A logística de entrega dos produtos é feita pela companhia. Mais de cinco mil negócios já foram impactados pelo projeto.

*Crédito da foto no topo: Ajwad Creative/iStock

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