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A representatividade do agtech no venture capital

Segundo o estudo Distrito Agtech Mining Report, os investimentos no setor, no Brasil, ultrapassaram os US$ 160 milhões, somando os aportes feitos desde 2009

Carolina Huertas
23 de agosto de 2021 - 6h00

Segundo o relatório da Crunchbase, de 2020, o montante de investimento de risco realizado, no primeiro semestre do ano passado, globalmente, em todos os segmentos, teve uma redução de 6%, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Brasil recebeu 90% do investimento de venture capital, na América Latina. Nesse cenário, a cidade de São Paulo foi classificada, no Ranking dos Ecossistemas de Startups, de 2020, como o 18º ecossistema de startups do mundo. Segundo o estudo Distrito Agtech Mining Report, realizado em junho de 2021, os investimentos em agtechs, startups voltadas ao agronegócio, no Brasil, ultrapassaram os US$ 160 milhões, somando os aportes feitos desde 2009 — mais da metade desse valor, aportado nos últimos três anos. Porém, apesar do grande potencial do setor, cerca de 40% das rodadas de investimento está concentrada no estágio Seed, o que demonstra que o mercado de agtechs ainda está em fase de amadurecimento.

 

De acordo com o mapeamento Radar Agtech, de 2020 e 2021, o setor agtech aumentou seus investimento globais de US$ 6,4 bilhões, em 2014, para US$ 30,5 bilhões, em 2020 (crédito: Shutterstock)

De acordo com os relatórios anuais da AgFunder, de 2021, os investimentos brasileiros e latino-americanos ainda são muito menores do que aqueles realizados em outras regiões, como Estados Unidos, China e Índia, que lideram a lista dos 15 maiores países em termos de investimento em agtehcs, em 2020 — com, respectivamente, US$ 13,2 bilhões, em 815 negócios; US$ 4,8 bilhões, em 115 negócios; e US$ 1,8 bilhão, em 164 negócios. O único país sul-americano que aparece na lista é a Colômbia, mercado que se desenvolveu após o crescimento da Rappi.

“O segmento de agtechs ainda é sub olhado, no Brasil. Sabemos que os setores como fintechs e mobtechs são mais relevantes, porque conseguem atingir toda a população e as agtechs acabam sendo um setor específico. Mas, nós acreditamos que elas são subdimensionados, porque, no PIB brasileiro, o agro é muito relevante e o investimento em agtechs não acompanha essa característica. Ao olhar para outros países, como os Estados Unidos, o investimento em fintechs é maior também, só que o tamanho do agro e do PIB americano não é tão disparado quanto essa diferença do Brasil. Nós fizemos um estudo sobre o setor de crédito e percebemos que, se você olhar o tamanho do PIB americano, o do brasileiro e também o tamanho do mercado de crédito dos dois, o percentual dessa relação é parecida. A disponibilidade de crédito para o agricultor americano é muito maior percentualmente do que para o brasileiro”, explica Murilo Vallora, associado da SP Ventures, empresa gestora de venture capital, que é uma das responsáveis pelo Radar Agtech, um mapeamento das startups do agro brasileiro.

No Brasil, o agronegócio já representa mais de 25% do PIB e o profissional comenta que um dos obstáculos para a valorização do setor, no País, pelos investidores se dá por conta das características do segmento, onde um banco ou um investidor tradicional não sabe como vai fazer uma análise de risco crédito levando em consideração o fator climático, o de solo, a quebra de safra, o câmbio e crescimento chinês. “Percebemos esse receio por conta dos investidores e disponibilizadores de crédito, porque eles não entendem direito as características próprias do setor, mas nós acreditamos que isso está melhorando, pois, 15 anos atrás, nem a SP Ventures era focada nesse negócio”, diz Vallora.

O mapeamento Radar Agtech, de 2020 e 2021, menciona o crescimento da atenção e do interesse mundial em investidores para o setor agtech, que, no ano passado, acumulou US$ 30,5 bilhões. O Distrito Agtech Mining Report também revela que o Brasil, em 2021, até o momento, o setor alcançou a marca de US$ 4,7 milhões em sete deals e, em 2020, bateu o recorde de investimentos, com US$ 67,3 milhões aportados, ao longo de 18 rodadas. Porém, US$ 60 milhões foram investidos apenas na Solinftec, empresa destaque em agricultura de precisão. E, entre as categorias mais investidas, agricultura de precisão aparece em primeiro lugar, seguida por marketplace, automação e robotização, biotecnologias, midstream technologies e novel farming.

Já o relatório de Agfunder, de 2021, que analisa o setor de agtechs mundialmente, listou o segmento eGrocery, em primeiro lugar, com 20% dos investimentos, seguida pelas midstream, alimentos inovadores, biotecnologia agrícola e tecnologias digitais. “Alguns setores, dentro das agtechs, estão indo mais rápido, porque os mercados que eles atacam são maiores e não tão nichados. Nós vemos muitas soluções interessantes, mas, para os investidores, se o mercado de atuação da startup não tem um público tão grande e um valor agregado, acaba não valendo a pena financeiramente”, conta Vallora.

Para o especialista, esse tipo de startup tem grande potencial e expectativa de crescimento. O movimento vem acontecendo lentamente, por conta do tempo necessário para o desenvolvimentos das soluções em meio à natureza. Mas, Vallora acredita que, à medida que o mercado como um todo for recebendo mais informações e conhecimento sobre as agtechs, naturalmente, os produtores estarão mais abertos aos trabalhos dessas empresas, os investidores vão ter mais interesse e a pesquisa vai ganhar mais espaço.

“Às vezes, são conceitos muito pesados de entender e o relacionamento dos investidores grandes com o mercado agro ainda é muito tênue. Eles não conhecem as grandes corporações, não tem um relacionamento. Então, eles não vão conseguir impulsionar tão bem o negócio das agtechs, apesar do dinheiro. Mas, à medida que chega mais conhecimento, o investidor lê um mapeamento, aí, ano que vem, ele vê uma notícia de que as agtechs americanas estão recebendo bilhões e bilhões de dólares, percebe que já não tem mais tanta fintech para investir e começa a procurar outros setores. É um processo natural de geração de conhecimento e de exemplos positivos”, afirma Vallora.

*Crédito da imagem do topo: Marcin Jozwiak/Pexels

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