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Os desafios da digitalização do varejo

Thiago Braziel, cofundador e CEO da Afropolitan, afirma que pandemia forçou até mesmo os negócios menos sofisticados a dar os primeiros passos rumo à digitalização

Amanda Schnaider
25 de agosto de 2021 - 6h00

A pandemia foi a grande mola propulsora da digitalização de diversos setores da economia, principalmente, do varejo. De acordo com pesquisa realizada entre fevereiro e março de 2021 pela Sociedade Brasileira do Varejo e Consumo (SBVC), neste ano, o crescimento de varejistas que apostaram na transformação digital dentro das companhias foi de 21%. Além disso, em 2021, 57% dos entrevistados disseram que acreditam que a transformação digital é prioridade na empresa, fazendo parte do desenvolvimento de planos estratégicos, com investimentos e ações definidas — no ano passado, o percentual era de 42%. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Thiago Braziel, cofundador e CEO do ecossistema de e-commerce descentralizado Afropolitan, explica como as empresas podem se digitalizar de forma mais rápida e como as martechs e adtechs podem ajudar nesse processo.

 

Thiago Braziel, cofundador e CEO da Afropolitan (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – Durante a pandemia, as empresas que estavam mais adaptadas à digitalização foram as que conseguiram enfrentar esse período. Mas, como se digitalizar de maneira rápida e correta? 
Thiago Braziel – A beleza do mundo da tecnologia é que o processo de digitalização é um fenômeno global. Sendo assim diversas empresas, de vários portes em todos os mercados estão tendo que lidar com o tema em algum grau. O primeiro a fazer é avaliar honestamente o momento e as capacidades da empresa. Só nessa análise as lideranças terão o panorama geral do negócio e começarão a iniciar o processo de insight. Em seguida, é necessário observar as melhores práticas do seu mercado. Vale muito buscar referências dos agentes que estão em um estágio mais avançado no processo. O objetivo aqui é coletar aquilo que é comum a todos os agentes do seu mercado e pensar adaptações e inovações para sua realidade. Por último investir em um parceiro de tecnologia. Se não for possível, buscar interagir com pessoas, conteúdo e informação para adaptação rápida ao processo. Lembrando que tudo começa com uma análise sincera das possibilidades do momento.

M&M – Diante do cenário atual, quais os desafios da digitalização do varejo?
Braziel – Dados do Google revelam que 89% dos usuários da américa latina pretendem fazer uma compra online. Mesmo com essa realidade, o varejo como um todo está numa fase de aperfeiçoamento das tecnologias de e-commerce, refino de dados e operações logísticas. Esses, ao meu ver, são as agendas mais importantes nas empresas de varejo quando o tema é tecnologia. Sair da experiência tradicional para uma operação digital demanda acima de tudo entender e garantir a confiança, a satisfação e a recompra do cliente.

M&M – Como as martechs e adtechs podem contribuir para o processo de digitalização do varejo? 
Braziel – Indicadores como atração de usuários, retenção de clientes, aumento do ticket são observados constantemente na realidade de um e-commerce. As martechs e adtechs tem um papel fundamental na conexão das empresas com o usuário ideal. São empresas que já nascem com know-how de análise de dados e gerenciamento de campanhas que são recorrentes nas rotinas do varejo.

M&M – Varejistas que não se digitalizarem ficarão para trás na corrida pela atenção do novo consumidor? De qual forma? 
Braziel – Sim. Basicamente porque a novidade do mundo digital são as ações orientadas por dados. O machine learning, por exemplo, é uma tecnologia capaz de otimizar e automatizar as intenções do usuário. Como um varejista exclusivamente off-line poderia competir com isso? Mas a verdade é que esse varejista arcaico já morreu. A pandemia forçou até mesmo os negócios menos sofisticados a dar os primeiros passos rumo à digitalização.

M&M – A Afropolitan dá espaço a nano e microempreendedores. Esses empreendedores já entenderam o poder do marketing digital? Ainda há o que evoluir?
Braziel – Sim. A pandemia colocou em risco a existência de muitos desses negócios. Mas a cultura colaborativa provou que a disseminação das experiências, oferece um caminho de solução. Nas diversas realidades enfrentadas por esse afroempreendedor, temas ligados à rotina digital passaram a ser mais presentes em suas agendas. Pontos de atenção como produção de conteúdo, avaliação das redes e canais de venda, atenção ao usuário, atendimento online e a proposta de valor, passaram a compor um conjunto de métricas que direcionam esse empreendedor no mercado. Claro que ainda existe uma segregação poderosa na disseminação das informações sobre o assunto, e ainda existe um componente estrutural que impede o avanço mais capilarizado e profundo em direção a essa nova realidade, como capital, crédito e acesso a ecossistemas de fomento ao empreendedorismo digital. Ainda assim, percebo que há existência de iniciativas que colaboram para o fortalecimento desse movimento.

M&M – Como fomentar o empreendedorismo negro, dentro do ecossistema de inovação e tecnologia?
Braziel – Tal como no mundo digital, as ações orientadas por dados podem dar luz ao nosso caminho. Em pesquisa interna realizada na Afropolitan em novembro de 2020, quando pedido para colocar os principais desafios de empreender no Brasil, nossos empreendedores elencaram três causas principais. A primeira é o acesso a informação. Ainda que exista conteúdo disponível na rede, o ordenamento e a seleção das fontes são pontos de barreiras dissuasórias no processo de digitalização. Além disso, outro ponto de dificuldade é a barreira quanto a networkings e ecossistemas como aceleradoras, que tem por natureza o poder de abrir algumas portas nessa jornada. A segunda causa é o acesso a crédito. Um assunto antigo na pauta nacional, que impede o avanço de todo um ecossistema a anos. Negócios muitas vezes com potencial milionário se perdem por falta de acesso a capital. Já, a terceira é a questão de visibilidade e do acesso a espaço de credibilidade para marca. Tenho a impressão que para trazer inovação para o empreendorismo negro, necessariamente teremos que enfrentar esses tres pontos. Toda ação a partir daí se segue como no ecossistema tradicional.

**Crédito da imagem no topo: Irina Devaeva/iStock

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