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Os reflexos da digitalização dos últimos meses nos próximos anos

Segundo Paulo de Alencastro Jr., da Unico, o mercado, agora, tem a oportunidade de melhorar as experiências dos usuários

Victória Navarro
31 de agosto de 2021 - 6h00

A pandemia da Covid-19 e o consequente distanciamento das pessoas das ruas fizeram com que o mercado digital crescesse. No entanto, destaca Paulo de Alencastro Jr., cofundador e vice-presidente de projetos e relação com investidor da Unico, startup focada em reconhecimento facial, nem todas as marcas estavam prontas para esse novo momento de consumo brasileiro. “Muitas empresas criaram seus canais online recentemente, sem muita experiência, e, ao mesmo tempo, muitos consumidores também, sem experiência, passaram a consumir de forma digital. Temos impactos negativos de experiência e, para muitos, o motivador dessa migração não foi nada agradável”, diz, com exclusividade ao Meio & Mensagem. Porém, adiciona, o caminho era inevitável e, com calma, o mercado poderá melhorar experiências dos usuários.

Em dezembro de 2020, ao receber um aporte de US$ 580 milhões dos fundos SoftBank e General Atlantic, a Unico assumiu um novo posicionamento de marca — antes, recebia o nome Acesso Digital. Pouco tempo depois, em agosto deste ano, após levantar R$ 625 milhões em uma rodada liderada pelas mesmas empresas, tornou-se o mais novo unicórnio brasileiro — ou seja, uma das startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão.

Paulo explica a importância de apoiar a transformação digital, no Brasil e na América Latina; como a adoção de tecnologias podem auxiliar no crescimento de negócios; qual é o papel do ecossistema de startups nos avanços das marcas em processos escalonáveis e ágeis; e como times multidisciplinares ajudam a trabalhar o marketing digital e a automatizar resultados.

 

Paulo de Alencastro Jr., cofundador e vice-presidente de projetos e relação com investidor da Unico (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – Quais serão os reflexos da digitalização dos últimos meses, nos próximos anos?
Paulo de Alencastro Jr. – O principal reflexo é que aceleramos o tempo. Mudamos abruptamente o comportamento das pessoas e das empresas, para inseri-las rapidamente no mercado digital em função da pandemia. E, nem todos estavam prontos. Muitas empresas criaram seus canais online recentemente, sem muita experiência, e, ao mesmo tempo, muitos consumidores também, sem experiência, passaram a consumir de forma digital. Temos impactos negativos de experiência e, para muitos, o motivador dessa migração não foi nada agradável. No entanto, acredito que era um caminho inevitável e, com calma, poderemos ir melhorando experiências, trazendo mais segurança para as operações e mais opções de canais, tanto para empresas comercializarem quanto para os consumidores fazerem suas compras.

M&M – Como um todo, qual é a importância de apoiar a transformação digital, no Brasil e na América Latina?
Paulo – A transformação digital é essencial para evoluirmos a sociedade. Estamos falando de tecnologia aplicada tanto ao lado das empresas quanto ao lado do consumidor. Ela torna as operações melhores para ambos e todos ganham com isso. Apoiar essa transformação é essencial para que possamos posicionar o Brasil bem no mundo e de forma que ele possa acompanhar inúmeros produtos e serviços globais, que só podem chegar de forma digitalizada. O Brasil é um país que gosta de tecnologia e, sempre, esteve entre os principais em consumo de internet, uso de celulares e, principalmente, uso de redes sociais. Isso demonstra que o brasileiro está em uma sociedade aberta à inovação, posicionando ele como um dos principais players do mundo.

M&M – Como a adoção de tecnologias, que vão desde os serviços de nuvem até a inteligência artificial, podem auxiliar no crescimento de negócios?
Paulo – O Brasil é caracterizado como um país ineficiente, pois ainda, na maioria de suas indústrias, atua com baixo nível de tecnologia ou automação, tornando, em muitos casos, as empresas pouco competitivas ou gerando produtos e serviços mais caros à população. Acredito que implementar tecnologias inovadoras e eficientes posicionará muito melhor nossas empresas. Teremos empresas mais rentáveis e, consequentemente, com maior capacidade de investir ou ajustar seus preços, para se tornarem mais competitivas ou diferenciadas, dependendo do uso da tecnologia. Aqui, entram o uso de dados e o fato de que empresas que utilizam bem suas informações para entenderem melhor seus clientes conseguem ofertar produtos e serviços de forma mais assertiva e que estimule o consumo.

M&M – Qual é o papel do ecossistema de startups, com veia tecnológica, nos avanços das marcas em processos escalonáveis e ágeis?
Paulo – O ecossistema de startups é essencial para o desenvolvimento tecnológico. Com esse ecossistema, conseguimos criar e inovar muito mais. As startups podem arriscar mais e tem maior capacidade para errar e redirecionar seus esforços. São ambientes propícios para o desenvolvimento. Nesse contexto, a Unico, nos últimos 12 meses, incorporou duas empresas que estão inovando em suas tecnologias. A primeira foi a Meerkat, empresa especializada em visão computacional que desenvolve tecnologias de OCR, liveness e motor biométrico; e mais recentemente a Vianuvem, empresa que está digitalizando todo o processo de compra de veículos para os consumidores. Com esse tipo de atuação, conseguimos adotar tecnologias e inovação em produto de forma acelerada. Isso possibilita que possamos seguir com mais estratégias em paralelo, visto que há limitação na velocidade de contratação de talentos em tecnologia e produto no Brasil e no mundo para que você possa fazer isso tudo dentro de casa.

M&M – Qual é a importância de ter times multidisciplinares, para trabalhar o marketing digital e automatizar resultados?
Paulo – Acredito que para se ter uma estratégia de marketing mais robusta, é necessário ter os times pensando em diferentes frentes. Aqui na Unico, temos um time focado na nossa estratégia digital orgânica, com foco em awareness de marca, e outro que olha para a nossa estratégia de ads, com foco em conversão. Separar essas estratégias é uma forma de conseguirmos otimizar nossos recursos e cada área focar no que tem mais domínio.

*Crédito da foto no topo: Piranka/iStock

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