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Como atrelar tecnologia e marketing ao mercado da moda

Conceitos da indústria 4.0 aplicados à moda, como inteligência artificial, modelagem 3D e tecnologia de escaneamento, abrem espaço para uma produção mais ágil, diversa e sustentável

Taís Farias
2 de setembro de 2021 - 6h00

Elio Silva e Carlos Alves (Crédito: Divulgação)

A tecnologia vem transformando produtos e processos de toda a cadeia produtiva em diversos setores da economia. Com a moda, não é diferente. Segundo dados da plataforma de desenvolvimento de e-commerce Nuvemshop, entre janeiro e março deste ano, o e-commerce de moda faturou cerca de R$ 134 milhões e teve um crescimento de 244% no volume de pedidos. Mas, além da digitalização dos canais, a indústria fashion também vem incorporando tecnologia nos processos que antecedem a venda e compõem todo o desenvolvimento e fabricação das peças. A chegada da indústria 4.0 às corporações têxteis e à moda abre espaço para que a inteligência artificial (IA), modelagem 3D e big data sejam incorporados às etapas de desenvolvimento e fabricação das peças. Isso significa não só ganho de eficiência relevante para as companhias como possibilidade de diminuir os desperdícios e enfrentar a cobrança por mais sustentabilidade no setor. Além disso, o avanço da modelagem e a otimização de recursos permitem o avanço da diversidade nos produtos. Isso faz com que as fashiontechs, startups de moda, se destaquem, ao mesmo tempo em que grandes companhias fazem suas apostas. Esse é o caso da Riachuelo.

“Já estamos chegando nesta moda 4.0, o que ela traz de potencial é ainda mais agilidade e  uma experiência de compra mais assertiva para os clientes. Hoje, é possível prever como as roupas ficarão em uma pessoa antes de serem compradas por meio da realidade aumentada”, conta Carlos Alves, diretor executivo de tecnologia e inovação da varejista de moda. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Carlos e Elio Silva, diretor executivo de canais e marketing da Riachuelo abordaram como a companhia vem acompanhando os avanços da tecnologia na moda e seu impacto no marketing. 

Meio & Mensagem – Hoje, como o mercado de moda usa tecnologia? Qual o patamar de automação? 

Carlos Alves – A tecnologia se tornou essencial para todos os processos de uma empresa de moda. Desde os tecidos com soluções tecnológicas até o ponto de contato com os clientes para efetuar uma venda. 

 M&M – Nesse contexto, como o escaneamento digital, animação 3D e os conceitos da indústria 4.0 podem transformar a moda? O que trazem como potencial? 

Carlos Alves – Já estamos chegando nesta moda 4.0, o que ela traz de potencial é ainda mais agilidade e  uma experiência de compra mais assertiva para os clientes. Hoje, é possível prever como as roupas ficarão em uma pessoa antes de serem compradas por meio da realidade aumentada. Podemos ainda usar a tecnologia para escanear o corpo do cliente e criar roupas sob medidas, o que além de mudar o conceito de fabricação de roupas, também diminui o número de trocas. 

M&M – Atualmente, quais são os desafios de inserir o uso dessas tecnologias no mercado de moda? Onde estão os principais gargalos?

Elio Silva – Um dos desafios é engajar o cliente para conhecer os novos meios de compra e todas as tecnologias disponíveis para melhorar a experiência. É um processo de construção e de mudança de comportamento também acelerado com a pandemia. Do lado interno, procuramos sempre utilizar a tecnologia para trabalhar em escala e gerar ainda mais valor para o nosso negócio e facilidades ao nosso cliente. A experiência de compra muda constantemente e o nosso objetivo é estar onde o cliente quer que nós estejamos, seja para uma nova solução ou funcionalidade ou encontrar o produto que deseja.

Hoje, o consumidor não busca apenas uma boa experiência de compra, ele busca informação antes de adquirir um produto e por isso precisamos trabalhar com eficiência, seja para o atendimento utilizado através da inteligência artificial, seja no processo fabril, na confecção de roupas, em que o cliente pode optar por um tecido mais limpo, mais sustentável. O desafio não está em levar a tecnologia ao público consumidor, mas sim em, exatamente, entender quais são as suas necessidades. Recentemente, lançamos o nosso próprio marketplace, um novo modelo de negócios que oferece produtos de diferentes segmentos e marcas, alguns diferentes do mundo da moda, mas que se complementam perfeitamente. A questão é encontrar esse equilíbrio e entender como podemos melhorar a jornada do cliente.

M&M – Como é a experiência e os aprendizados de desenvolver esses conceitos (escaneamento digital, animação 3D, inteligência artificial, etc) com uma grande varejista da moda, como Riachuelo? 

Elio Silva – Aqui, na Riachuelo, acredito que o dinamismo é essencial. Nos permitimos experimentar novas propostas e novos conceitos a todo o momento, desde o relacionamento com o nosso cliente, passando pelo posicionamento de marca. Em março deste ano, lançamos a nova campanha: “A Riachuelo Começou a Seguir Você”, na qual a proposta é estreitar o relacionamento da nossa marca com o nosso consumidor. Isso seria impossível de se acontecer para uma empresa do porte da Riachuelo. Sempre comento que somos um transatlântico com cabeça de startup. Encorajamos testes rápidos e correções constantes e aplicáveis para a melhoria em escala.

M&M – Como a aplicação dessas tecnologias e a personalização podem impactar no marketing das companhias?

Elio Silva – Temos a possibilidade de estreitar ainda mais o relacionamento com o nosso cliente e promover uma experiência mais personalizada. Essa aplicação melhora nossa comunicação com o público, a torna mais humanizada e única. Hoje, o dado sem análise e sem ação não tem valor, o diferencial está em como usamos para direcionar soluções que melhorem a experiência de compra e tragam soluções inteligentes ao cliente. Conseguimos atender as demandas dos consumidores e mensurar o impacto, através de diversas ferramentas, desde experiência de compra no site e na loja física, atendimento telefônico, interação nas redes sociais. Hoje, o cliente não quer apenas um conteúdo, ele quer interagir, quer conhecer a marca e busca por isso. Essa é a razão de estabelecer esse contato com o nosso consumidor, levando exatamente o que ele procura.

M&M – Como o marketing digital ajuda a impulsionar essas tendências?

Elio Silva: O marketing digital nos conecta com o consumidor como nunca. Gera interação, diálogo, identificação e proximidade. Para nós, que mantemos o cliente como centro de negócio, é uma oportunidade incrível de conhecer ainda mais o cliente e estar presente na jornada dele. Apostamos cada vez mais na estratégia digital para impulsionar essa tendência. Acredito que seja o nosso papel como marca mostrar os ganhos para o dia a dia de cada do consumidor, descomplicando e simplificando a vida dele através da tecnologia.

*Crédito da foto no topo: Eugenesergeev/iStock

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