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O impacto das femtechs no setor de saúde

Apesar do empreendedorismo feminino estar ganhando, cada vez mais, força, faltam incentivos financeiros ao setor

Victória Navarro
8 de setembro de 2021 - 6h00

Para os próximos anos, dentro do segmento das healthtechs, as femtechs apontam, cada vez mais, como um mercado promissor. O termo foi criado pela fundadora do aplicativo focado em menstruação Clue, a Ida Tin. Atualmente, a tecnologia já conta com mais de 8 milhões de usuários, distribuídos por 180 países. De acordo com a sétima edição do “Inside Healthtech Report”, divulgada pelo hub de inovação Distrito no primeiro semestre deste ano, as femtechs podem movimentar até US$ 50 bilhões, nos próximos cinco anos. No Brasil, há 23 startups focadas na saúde e bem-estar da mulher, com soluções como acompanhamento do ciclo menstrual e fertilidade, menopausa, gravidez e amamentação. Entre as categorias mais representativas, estão: oito, em fitness e bem-estar; seis, em acesso à saúde; e quatro, em engajamento do paciente.

 

De acordo com o estudo “Inside Healthtech Report”, do Distrito, as femtechs podem movimentar até US$ 50 bilhões, nos próximos cinco anos (crédito: RFStudio/Pexels)

Para Stephanie von Staa Toledo, fundadora e CEO da Oya Care, clínica digital de saúde feminina, o setor health, globalmente, é muito focado no tratamento de doenças, o que faz com que as pessoas tenham costume de ir ao médico apenas quando identificam algum problema. Além disso, existe uma grande conexão entre as políticas públicas e a saúde da mulher, uma vez que mulheres e meninas são as que ficam mais vulneráveis à doenças e infecções em locais onde não existe saneamento. A pobreza menstrual também é um dos motivos de evasão escolar de muitas adolescentes. “No resto do mundo, essas discussões já estão mais avançadas, até em função de mais mulheres na política”, diz Marina Ratton, fundadora da Feel, startup voltada para sexualidade. “Acredito que a saúde feminina, no Brasil, está pronta para ser revolucionada. Dados das pesquisas que fizemos com as mulheres brasileiras apontam que 69% delas, muitas vezes, têm vergonha de perguntar coisas para seus médicos e, na maioria das vezes, resolveram algum desconforto de saúde pesquisando no Google ou perguntando para amigas”, adiciona Stephanie.

O mercado de femtechs, no Brasil, ainda está em aquecimento. Apesar do empreendedorismo feminino estar ganhando, cada vez mais, força, faltam incentivos financeiros e apoio no início da ideia. Sem isso, é impossível desenvolver as soluções. “Existe muito engajamento pelo propósito, mas pouco engajamento financeiro. Em comparação ao resto do mundo, estamos avançando muito pouco. Começam a nascer, agora, grupos de mulheres investidoras, que estão aportando em outras mulheres, mas tudo ainda muito incipiente”, afirma Dani Junco, CEO e fundadora da B2Mamy empresa que capacita e conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia. Segundo um estudo da Frost & Sullivan, o setor de femtechs cresce 15,6% ao ano: “Apesar da pouca representatividade no mercado local, acredito que essa é uma tendência com grande potencial no Brasil, uma vez que as mulheres, além de gastarem muito mais com saúde do que os homens, estão em busca de fontes confiáveis e tratamentos mais individualizados e acolhedores”, explica a CEO da Oya Care.

Investimentos e venture capital
De acordo com pesquisa promovida pelo Distrito e pela B2Mamy, o Female Founders Report 2021, dos US$3,5 bilhões de investimentos feitos em startups brasileiras, em 2020, apenas 0,04% do total foram para startups de mulheres. “O acesso à capital sempre é uma questão no debate sobre o empreendedorismo feminino. Os investimentos trazem a musculatura tão necessária, não só para a fase de validação, mas também para tração do negócio”, diz Dani. A executiva da B2Mamy complementa que algumas empresas existem, justamente, para fomentar o empreendedorismo feminino e incentivar as femtechs.

Quando se trata em unir tecnologia à saúde feminina, Marina, aponta que há muitas possibilidades. Os desafios podem surgir quando os profissionais de tecnologia não são ou não entendem as mulheres e a importância de juntar as pautas. Outro desafio pode ser o acesso à capital. “É necessário olhar para cada corpo de forma totalmente humanizada e entender como potencializar cada um deles conforme as suas características específicas e o contexto de vida da pessoa”, complementa a fundadora e CEO da Oya Care.

Segundo o Distrito, no País, as três primeiras startups voltadas para a saúde apareceram em 2010. Quase dez anos depois, a área ainda precisa ser mais explorada. Existem ainda muitas áreas a serem exploradas, muitos conceitos a serem debatidos e muitos tabus para serem quebrados. Não só a categoria de femtechs evoluiu pouco, conforme a Female Founders Report 2021, como também menos de 5% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres. “Além, por exemplo, da falta de acesso ao capital, outro ponto é o bloqueio de mídias ao sinal das palavras, como vagina, orgasmo, lubrificantes e algumas imagens relacionadas ao prazer feminino. Muitas das femtechs encaixam-se na subcategoria de sextechs, um mercado bilionário, e encontram esses entraves para visibilidade e crescimento. Diferentemente de outros segmentos, como as fintechs. As big corporates, como o Boticário, começaram somente agora a flertar com esse segmento em open innovation, outro asset para acelerar esse movimento”, explica a fundadora da Feel. As startups e empreendedores que se dedicarem a estudar a fundo a saúde feminina, entendendo suas particularidades e especificidades, diz Stephanie, têm grandes chances de contribuir significativamente para o setor.

O marketing digital pode auxiliar na popularização das femtechs, já que, afirma Dani, as mulheres têm muita aderência nas redes sociais. “As mídias e os canais digitais permitem que as pessoas se informem e se empoderem da sua saúde, o que permite saber muito mais sobre como se manterem saudáveis e terem autonomia para tomar as próprias decisões”, diz Stephanie. De acordo com a fundadora e CEO da Oya Care, as startups são, hoje, a grande marca de inovação e estão se disseminando por diversos setores. E, todos esses segmentos são aliados, especialmente as martechs e adtechs, que têm como foco o setor de comunicação e marketing e têm um papel muito importante no processo de difundir essas informações para as pessoas.

*Crédito da foto no topo: Piranka/iStock

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