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IPOgrifos: a vitalidade do ecossistema de empreendedorismo de inovação

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IPOgrifos: a vitalidade do ecossistema de empreendedorismo de inovação

No Brasil, fatores econômicos, sociais e de mercado fazem com que seja raro o surgimento de startups com valuation maior que US$ 1 bilhão

Victória Navarro
14 de setembro de 2021 - 6h00

Diferentemente dos unicórnios, ou seja, startups de capital fechado com US$ 1 bilhão de valor de mercado, os IPOgrifos, termo criado pelo Distrito, definem aquelas empresas com valuation ainda maior. No Brasil, a primeira empresa a atingir esse feito foi o PagSeguro, que, em maio de 2019, lançou o Pagbank, sua conta digital em parceria com a Visa e, dezembro de 2020, o Shopping Pagbank, um marketplace com cashback em todas as compras. A startup, fundada para atuar no mercado de adquirentes, é um spinoff do UOL e do Grupo Folha. De acordo com a pesquisa “Corrida dos Unicórnios”, realizada pela plataforma de inovação aberta Distrito em 2021, o IPO (Initial Public Offering), usado quando uma empresa é lançada na na bolsa de valores, do PagSeguro, em 2018, arrecadou US$ 2,27 bilhões. Hoje, a sua capitalização de mercado é de US$ 18,06 bilhões.

O nome IPOgrifo é busca unir o termo IPO e Hipogrifo, usado na mitologia para designar um cavalo com cabeça e asas de águia. A ideia, segundo o Distrito, é “manter a honra concedida às empresas que atingem essa marca, sem prejudicar o conceito já difundido internacionalmente do termo unicórnio”. No Brasil, há diversos fatores econômicos, sociais e de mercado que fazem com que seja raro o surgimento de startups com valuation maior que US$ 1 bilhão.

 

IPOgrifos definem aquelas empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão (crédito: Rodnae Productions/Pexels)

O ecossistema de inovação brasileiro ainda é muito embrionário, em comparação com os Estados Unidos e a China, por exemplo. Assim, o número de startups que atingem tamanho o suficiente para realizarem um IPO é bem baixo. Entretanto, muitas vezes, entrar na bolsa pode não ser um desejo dos sócios, seja pela diluição de captable, seja pelos altos custos para realizar a oferta de ações, seja pelos novos fundos de investimentos de risco, explica Tiago Ávila, líder do Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado do Distrito. “Após um aquecimento acelerado no mercado de IPOs, nos últimos meses, o atual cenário político-econômico do Brasil passou a gerar dúvidas sobre o melhor momento para a abertura de capital na bolsa de valores. Em 2021, 28 empresas já cancelaram o IPO, devido à instabilidade do mercado. Para empresas tech, isso tem sido ainda pior. O mercado brasileiro ainda não está acostumado com os múltiplos utilizados para avaliar empresas de tecnologia, o que prejudica sua capitalização de mercado.

Para Rafael Lauand, head de estratégia e novas verticais da empresa de tecnologia Movile, o principal fator que faz com que surjam poucos IPOgrifos é a falta de investimentos na educação, o que deixa o País defasado em relação à formação de empreendedores. “Se pararmos para refletir, boa parte dos unicórnios brasileiros foram fundados ou co-fundados por estrangeiros”, afirma. Outro motivo para esse cenário, de acordo com o executivo, é o fluxo de investimentos no mercado de venture capital brasileiro: os valores investidos, no Brasil, em relação ao PIB, é de 0,12%, enquanto, em países como Estados Unidos, 0,36%, e Israel, 0,38%. Além disso, é preciso tornar as empresas ambientes diversos e inclusivos, para que a inovação possa nascer de todas as mentes criativas e não de apenas uma parcela da população.

A Stone também é um exemplo de IPOgrifo. Com o fim no monopólio das adquirentes VisaNet — atual Cielo — e Redecard, que detinham direitos exclusivos sobre as bandeiras Visa e Mastercard, a startup ganhou força. A aquisição da Elavon e seu crescimento entre 2015 e 2017 levaram o IPO da Stone a ter excelentes resultados na Nasdaq. A valorização levou a empresa a uma capitalização de mercado, segundo o Distrito, de US$ 12 bilhões. Em dezembro de 2020, a captação de R$ 1,3 bilhão do C6 Bank em uma rodada estruturada pelo Credit Suisse, responsável por levar o seu valor de mercado à marca de R$ 11,3 bilhões, mostrou como as startups podem expandir suas possibilidades de empreendedorismo via alternativas de capitalização. Em vez de optar por rodadas de investimentos mais tradicionais, onde nomes do venture capital aportam capital nos negócios, o C6 Bank recorreu a uma operação de renda fixa.

Valor de mercado superior a US$ 1 bilhão
O surgimento de novos IPOgrifos é a ponta de uma longa cadeia do ecossistema de inovação. “Ao vermos uma startup atingir um valuation de US$ 1 bilhão significa que muita gente auxiliou e influenciou nesse processo. Para vermos mais IPOgrifos, precisamos ter founders capacitados, capital disponível para financiar a expansão das startups por meio de toda sua jornada e um mercado aquecido e consciente sobre o modelo de negócio das startups”, explica Tiago. O caminho mais comum para startups atingirem o status de unicórnio é por meio do investimento de fundos de venture capital, em estágios iniciais, e de fundos de private equity, em estágios mais avançados. “Porém, novas alternativas para captar investimentos têm surgido para as startups no Brasil, como o venture debt e operações tradicionais de dívida, como fez o C6. O caso da Stone e do PagSeguro são interessantes por terem escolhido abrir capital na NASDAQ, a bolsa de tecnologia dos EUA, onde já é muito mais comum o IPO de empresas de tecnologia”, complementa.

Para Rafael, todos os setores têm potencial para estimular o surgimento de startups unicórnios, porém, “acredito que alguns estão mais à frente que outros. Por exemplo, o setor financeiro já criou alguns unicórnios, devido a carência e baixo nível de serviço que o setor possuía, e acredito que ainda virão novos unicórnios por lá. Minha principal aposta seria para o setor de logística, pois já encontramos alguns unicórnios no varejo e essas empresas, cada vez mais, necessitam melhorar a experiência de entrega. No geral, acredito que o estímulo vem de dois fatores principais, o tamanho do mercado e a carência que existe nesse determinado mercado por produtos, serviços ou inovações”. Já do lado de ferramentas, há metodologias e iniciativas que já existem e estimulam o crescimento das startups, como programas de mentorias e aceleração, de organizações, associações e empresas de tecnologia.

*Crédito da foto no topo: Lukas/Pexels

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