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O mercado de alimentação está aberto para a tecnologia?

É preciso trazer a atitude empreendedora de arriscar, afirma Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders e idealizadora do FoodTech Movement

Victória Navarro
15 de setembro de 2021 - 6h00

O aproveitamento de tecnologias, como internet das coisas (IoT), big data e inteligência artificial (IA), para tornar a indústria alimentícia sustentável e eficiente é o que move as foodtechs. Ainda em processo de consolidação no Brasil, o setor conta com oportunidades de reinventar a cadeia da comida, do início ao fim. De acordo com Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders, consultoria focada no fomento da inovação, tecnologia e desenvolvimento de startups do mercado de alimentação, e idealizadora do FoodTech Movement, que busca analisar as mudanças no perfil de consumo do mercado de comida, identificar oportunidades e mapear desafios dentro do segmento, o benefício e, ao mesmo tempo, o desafio de guiar o mercado alimentício em direção à tecnologia baseiam-se em mudar o mindset interno do como inovar e trazer, para dentro das corporações, a atitude empreendedora de arriscar, testar e pivotar com agilidade. “Não fazer nada não é mais uma opção e, tampouco, leva tempo para tomar essa decisão. É muito importante que as empresas busquem empresas e profissionais especialistas no tema, para dar esse grande passo, evitando assim desperdício de tempo e investimento”, diz. Com exclusividade ao Meio & Mensagem, a Ana aborda como as grandes empresas podem estimular o ambiente de foodtechs e de qual forma os novos hábitos de consumo afetam e mudam os ramos do setor de alimentos.

 

Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders e idealizadora do FoodTech Movement (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – Acredita que o movimento de foodtechs já está consolidado, no Brasil?
Ana Carolina Bajarunas – Tanto no Brasil como no mundo, o movimento de foodtechs ainda está acontecendo. Não está consolidado, pois está em plena transformação, uma vez que as oportunidades de reinventar essa cadeia do início ao fim são inúmeras e algumas delas foram pouco ou nada exploradas. O conceito foodtechs ganhou notoriedade, há pouco mais de três anos, no Brasil. Globalmente, vem sendo discutido e ganhando espaço e investimentos, há não mais que dez anos. O Brasil está caminhando em um ritmo bom, ainda distante dos principais benchmarks, como Israel, EUA e alguns países europeus — Inglaterra, Holanda e Alemanha –, mas nossa cultura é também muito diferente. A grande massa da população não está preparada para tanta disrupção, tanto em questões culturais quanto financeiras. Dado isso, fica incoerente comparar nossa realidade com outras, que, além dessas questões citadas, respiram um mindset diferente em relação a empreendedorismo e inovação, onde players da cadeia buscam se unir para alcançar melhores resultados.

M&M – O que ainda falta para o mercado de alimentação avançar mais em direção à tecnologia e à inovação?
Ana – A oportunidade e, ao mesmo tempo, o desafio baseiam-se em mudar o mindset interno do como inovar, como trazer para dentro das corporações a atitude empreendedora de arriscar, testar e pivotar com agilidade. Não fazer nada não é mais uma opção e, tampouco, leva tempo para tomar essa decisão. O melhor momento é o agora. Acessar algumas tecnologias, como inteligência artificial, machine learning e a ciência, em busca de novos ingredientes pode também ser um desafio, uma vez que setor privado, governos e academia não andam de mãos dadas no Brasil, como vemos acontecer em mercados mais maduros. Por isso, é muito importante que as empresas busquem empresas e profissionais especialistas no tema, para dar esse grande passo, evitando assim desperdício de tempo e investimento.

M&M – Quais são as ferramentas e as tecnologias que uma foodtech pode ter a sua disposição?
Ana – Uma foodtech é uma empresa como qualquer outra. Mesmo que, muitas vezes, menor e mais ágil, ela não deve abrir mão de ferramentas de gestão do negócio, como um bom business plan, mapeamentos das jornadas de seus clientes em busca de oportunidades de melhoria e inovação, pesquisas e outras, que orientam os executivos a construir estratégias mais assertivas. Acessar tecnologias, como internet das coisas, blockchain, inteligência artificial, machine learning, softwares e biotecnologia, vai ajudar quando aplicável ao plano de negócio. Em alguns casos, é possível inovar sem estar diretamente ligado a algo disruptivo, mas quase impossível sobreviver em um ambiente off-line. O melhor ponto de partida vai ser, sempre, ter um olhar profundo aos gaps do mercado no qual está inserida a startup e como ela pode se relacionar de forma mais assertiva com seus clientes. Não existe um único caminho, respostas certas ou erradas e fórmulas mágicas. Existe a consciência dessa necessidade de mudarmos para algo mais inteligente e mais sustentável. E, todos se movem nessa direção.

M&M – Como as grandes empresas podem estimular o ambiente de foodtechs?
Ana – O que está acontecendo, no setor alimentício, é uma transformação na forma de pensar, de consumir, de buscar por informação e, por consequência, de entregar inovações ao mercado. Essa construção de uma nova cadeia alimentar está se dando, por meio de conexões inteligentes, onde empresas foodtechs são uma delas. O que acontece é que a demanda de uma empresa pode ser atendida de forma mais ágil, quando conectada com foodtechs que já estão trabalhando com produtos e serviços inovadores e que estão sendo testados no mercado, em uma velocidade que grandes corporações não conseguem atingir, muitas vezes por questões burocráticas internas. Esse é um dos grandes benefícios que essa conexão pode trazer para a grande indústria, que não pode mais gastar anos desenvolvendo um produto, com investimentos altíssimos, e que, quando chega ao mercado, muito provavelmente já não será mais uma inovação. O consumidor atual não espera mais, ele não precisa, já que encontra diversas opções para suas necessidades sem depender da grande indústria. Empresas podem estimular a inovação neste mercado, abrindo seus desafios para essas startups, fazendo conexões, trabalhando co-brand para produtos e serviços ou até mesmo fazendo uma aquisição de foodtechs, que mais fazem sentido para o negócio da companhia.

M&M – De qual forma os novos hábitos de consumo afetam e mudam os ramos do setor de alimentos?
Ana – Os novos hábitos de consumo pautados em experiências ultra-nichadas, saúde e bem-estar, conveniência, sustentabilidade e transparência vêm exigindo mais do setor, já há alguns anos, e, depois da crise pandêmica, isso ganhou velocidade. E, é justamente pela velocidade de resposta que esta movimentação se conecta com as foodtechs, que como mencionado anteriormente, tem esse driver em seus DNA’s. Ao invés de investir milhões em novas pesquisas, desenvolvimento e lançamento de produtos, o setor pode se beneficiar de soluções já prontas, podendo trabalhar com um plug and play e testar no mercado novos produtos e serviços em questão de semanas.

*Crédito da foto no topo: Ella Olsson/Pexels

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