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Foodtechs levam tecnologia ao setor de alimentação

De acordo com a The Food Tech Matters, espera-se que, em 2022, o setor atinja um valor global de aproximadamente R$ 980 bilhões

Victória Navarro
30 de setembro de 2021 - 13h35

À frente do uso tecnologia no desenvolvimento de produtos alimentícios, as foodtechs ganham, cada vez mais, espaço, ao redor do mundo, entre as empresas e os consumidores. Essas startups buscam levar inovação, escalonamento, sustentabilidade e disrupção a todos os processos da cadeia, desde produção, distribuição, venda, consumo, serviço até reciclagem.

 

Segundo a pesquisa “Liga Insights Foodtechs”, da Liga Insights, São Paulo concentra 56% das foodtechs (crédito: Polina Tankilevitch/Pexels)

Para Simone Murata, head de marketing da NotCo, empresa de tecnologia de alimentos que produz alternativas à base de plantas para produtos alimentícios de origem animal, no Brasil, o País é o grande celeiro de inovação da América Latina. A combinação de diversas inteligências a fim de levar inovação para o segmento passou a ser uma tendência, afirma, apenas nos últimos cinco anos. “O avanço do ecossistema de startups impulsionou muito esse mercado. Por outro lado, o consumidor brasileiro é muito aberto a experimentar coisas novas, não apenas no mercado de alimentos. Quando o assunto é tecnologia, a nossa população é sempre early adopter”, explica.

Entre as tecnologias que podem ser aplicadas pelas foodtechs, estão, diz Raphael Straatmann, CTO da Liv Up, empresa de alimentação congelada e saudável, big data, inteligência artificial (IA) e da internet das coisas (IoT). Segundo a pesquisa “Liga Insights Foodtechs”, realizada pela Liga Insights, em parceria de Derraik & Menezes, IGC Partners, Ambev e Cargill por meio da análise de 332 startups brasileiras em maio de 2019, São Paulo concentra 56% das foodtechs. As categorias que mais se destacam são tecnologias para produção (53), promoção do varejo (53), novos alimentos e bebidas (43), logística e entrega (28), gestão do varejo (28), alimentação em casa e no trabalho (20), marketplace de alimentos e delivery (18) e farm-to-table (18).

O aumento de empresas que buscam levar inovação ao setor se deve, principalmente, ao fato de que a alimentação é uma atividade essencial e ao de sistema produtivo, em vigência, está obsoleto. “É necessário mais eficiência e inteligência para acompanhar o crescimento da população e para fornecer acessibilidade a uma comida boa de verdade, que faz bem para quem come, para quem produz e para o planeta. Cada vez mais as pessoas têm buscado formas de se alimentar de forma mais saudável e natural”, afirma Raphael. Segundo pesquisa realizada pela Offerwise em parceria com a Liv Up em julho de 2021, 85% dos brasileiros gostaria de comer mais alimentos naturais e 82%, de saber a origem do que consome. “As foodtechs trabalham muito em escalabilidade, a nutrição da população brasileira é um grande desafio enormemente debatido, principalmente da população infantil. Isso é um campo muito fértil para empresas que trazem ideias disruptivas”, acrescenta Simone.

Mundialmente, o setor já está um pouco mais consolidado e tem chamado a atenção dos investidores, diz o CTO Raphael: “O número de investidores, dentro do segmento, triplicou, nos últimos quatro anos”. De acordo com a instituição britânica The Food Tech Matters, que busca conectar empreendedores do setor com companhias, aceleradores, investidores e outros players, espera-se que, em 2022, o mercado de foodtechs atinja um valor global de aproximadamente R$ 980 bilhões.

Ferramentas no prato
As ferramentas à disposição de uma foodtech variam, de acordo com o core business da empresa: vão desde a tecnologia de alimentos, como ultracongelamento, robótica, nanoengenharia; algoritmos proprietários; aplicativos próprios; logística; gestão de estoques e roteirização; até relacionamento com o consumidor. “Hoje, existem muitas ferramentas modernas que possibilitam modelos muito mais sustentáveis, saudáveis e transparentes do que os antigos. É possível minimizar desperdícios, com algoritmos de previsão, sistemas de controle de estoque e modelos de negócio circulares; gerar eficiência; conseguir preços mais baixos; e garantir maior qualidade, por meio de produtos modernos, empresas verticais e vendas diretas aos consumidores. As marcas conseguem conversar mais com as pessoas, co-criar e ajudá-las a ter uma vida mais saudável”, diz Raphael.

A tecnologia ajuda a solucionar problemas previamente mapeados, afirma Simone: “Esse tipo de iniciativa é mais comum acontecer em uma startup, porque empreendedores não têm medo de errar, estão testando e tentando escalar negócios”. Seja no desenvolvimento de carne em laboratório, na produção de comida em impressoras 3D ou no segmento plant-based, segundo a head de marketing da NotCo, há um grande movimento de uso de tecnologia para a produção de alimentos com menor impacto ambiental. As foodtechs têm, por papel essencial, usar a inovação para resolver problemas ou otimizar produtos e processos no setor de alimentação. “O diferencial é que essas empresas já nascem no contexto digital. Nascem sem o arrasto de décadas com práticas pouco sustentáveis e muito industrializadas e sem a dificuldade de escolher entre manter a fonte de renda do passado ou construir a alimentação do futuro”, explica o profissional da Liv Up.

As grandes empresas podem apoiar o movimento das foodtechs com programas de estímulo ao empreendedorismo, seja interno ou externo. Incubadoras, investimentos em startups, programas em parceria com universidades ou redes de empreendedores podem contribuir com o crescimento de soluções, cada vez mais, inovadoras no setor alimentício. “As grandes empresas podem beneficiar-se disso, ao conseguir aproximação com ecossistema e, eventualmente, ao adquirirem startups estratégicas, para potencializar o impacto de ambas”, explica Raphael. Alguns exemplos podem ser parcerias em desenvolvimento de produtos, em distribuição e logística, como também o compartilhamento de linhas de produção.

Nativas digitais
O marketing digital é uma das principais ferramentas de comunicação e de vendas, para todos os setores. Porém, assume um papel ainda mais importante para empresas nativas digitais. “Ainda que haja um espaço bastante interessante para trabalhar a interação entre os universos online e off-line, quando uma empresa transita entre sua comunicação e o momento de compra por um mesmo universo, nesse caso o digital, fica mais fácil chegar aos seus consumidores de forma assertiva, uma vez que já estão inseridos naquele ambiente”, afirma o CTO da Liv Up. Além disso, as ferramentas do marketing digital, bem como o uso da tecnologia no sistema de alimentação, tem como papel fundamental dar eficiência e inteligência aos processos, ao possibilitar a segmentação assertiva dos consumidores e diminuir a dispersão de mensagens.

*Crédito da foto no topo: Pixabay/Pexels

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