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Martechs: que setores atraem investimentos a essas empresas?

Geração de receita rápida em cenário favorável à produção e consumo de conteúdo faz com que martechs sejam mais atrativas aos investidores

Amanda Schnaider
4 de outubro de 2021 - 6h03

O momento é propício para martechs receberem aportes, mas é necessário diferenciação  (Crédito: Rodnae Productions/Pexels)

Com o desenvolvimento do mercado de marketing e publicidade no Brasil, as startups começam a captar rodadas mais avançadas de investimentos. Segundo dados do Distrito, o primeiro bimestre deste ano foi o mais movimentado para as martechs dos últimos anos, visto que, somente neste período, levantaram US$ 20 milhões e a tendência é que os números aumentem. O bom desempenho do início de ano foi impulsionado, principalmente, pela Rocket.Chat, startup proprietária de plataforma de comunicação, que captou US$ 18,9 milhões em uma das Series A, liderada pelo Valor Capital. Apesar disso, no ano passado as martechs já vinham atraindo investimentos. A Take Blip, plataforma de serviços de comunicação automatizada, recebeu aporte de US$ 100 milhões de fundo americano; a Locaweb adquiriu a Social Miner por R$ 22,2 milhões e a Etus Social, empresa de solução para gestão de marketing digital, por R$ 18,95 milhões; e o Magazine Luiza adquiriu a InLoco Media, entre outras.

Mais recentemente, a HubLocal, martech acelerada pelo InovAtiva Brasil, fechou acordo de R$ 2 milhões em rodada bridge, que é a captação de estruturação para rodada mais robusta para o próximo ano. “Estimamos captar em 2022, com rodada Série A, o valor aproximado de R$ 50 milhões”, revela Felipe Caezar, CEO da HubLocal, reforçando que o momento é muito propício para martechs receberem aportes, mas que é necessário inovação e diferenciação clara perante várias ideias que já existem no mercado na busca por aporte.

Ainda segundo o CEO, a maior parte das martechs foram impulsionadas pela conjuntura atual, de pandemia, pois desenvolvem soluções de tecnologia que conectam os negócios aos clientes através da internet. Entretanto, o CEO da Circle Aceleradora, Alexandre Netto, pondera que, muito antes da pandemia, os canais e mídias tradicionais já sofriam o impacto da chegada forte e acelerada das martechs, que criavam produtos e serviços mais dinâmicos para todo o ecossistema. Porém, reforça que, durante a pandemia, esse efeito foi ainda maior. “Essa reviravolta midiática e geração de receita rápida em cenário favorável à produção e consumo de conteúdo, informação e ações de marketing, faz com que sejam um dos nichos mais atrativos aos investidores, hoje em dia”.

Para Raphael Augusto, diretor de inteligência de mercado na Liga Ventures, esse amadurecimento do mercado mostra que os segmentos de tecnologias no setor de marketing, vendas e publicidade têm espaço muito grande. “Quando falamos de ferramentas que conseguem ajudar o canal digital a ficar mais próximo da conversão de vendas, isso mostra que esse mercado tem espaço muito grande. Muitas ferramentas se tornaram gigantes no mercado atuando nessa digitalização”.

Vantagens
Os investimentos em startups e martechs têm algumas vantagens, tanto para o investidor quanto para o beneficiário. Segundo Augusto, um dos objetivos de se investir em negócio novo e inovador que já descobriu seu “market fit” é acelerar seu crescimento. “Nesse caso, você pode injetar dinheiro para que tenha crescimento mais rápido”, reforça, completando que também existe a parte de conquista de mercado. “Quando falamos de investimentos em startups, esses investidores podem ser uma alavanca muito estratégica para o negócio, seja com rede de contatos, com experiência de mercado, e até mesmo para abrir e chancelar as próximas rodadas de investimento”. Netto enfatiza que investimentos ajudam as martechs a explorarem novos produtos e serviços, o que, sem o aporte, não seria possível em prazo hábil. “Isso significa maior exposição ao mercado, aumento do investimento em aquisição de clientes e um produto de melhor valor agregado versus receita gerada”, complementa o CEO da Circle Aceleradora.

Para Caezar, CEO da HubLocal, essa movimentação recente do mercado pode atrair mais os olhares dos empreendedores para investir em soluções de tecnologias nesse segmento. “Tenho acompanhado que o modelo de agências de marketing está cada vez mais complexo e elas têm pivotado seus negócios para serem martechs, ou têm buscado realizar parcerias com as melhores já existentes no mercado para conseguirem atingir maior escalabilidade”. O CEO prevê forte crescimento desse segmento nos próximos anos, principalmente diante de tantos aportes e a própria tendência das agências de se transformarem ou se associarem às martechs.

Netto vê o setor de produção de conteúdo como grande oportunidade  para as martechs. “Haverá demanda por consumo de conteúdo e informação através de canais distintos de mídia, e as martechs que entenderem rápido esse movimento e desenvolverem tecnologias, como inteligência artificial (IA), automação e linguagem natural, além de internet das coisas (IoT), terão maior posição de destaque e mais força na argumentação com fundos de investimento”.

**Crédito da imagem no topo: koto feja/iStock

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