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O avanço do social commerce no Brasil

Rodrigo Regis, fundador e CEO da Adyou, analisa como as marcas se movimentam por esse segmento e aponta mudança na estratégia das plataformas de mídias sociais

Taís Farias
5 de outubro de 2021 - 6h00

Rodrigo Regis: “Ser global é bom, mas traz algumas dificuldades” (Crédito: Divulgação)

Nos Estados Unidos, mais da metade das vezes em que pessoas descobrem marcas novas no ambiente digital passa pelos feeds das redes sociais. A afirmação é fruto de relatório do sistema de gestão de marcas online HootSuite, divulgado em setembro. Neste mesmo mês, o TikTok, rede social de vídeos curtos que atingiu 1 bilhão de usuários ativos por mês, anunciou em evento global o projeto TikTok Shopping. A iniciativa reúne uma série de ações para auxiliar os usuários na descoberta de marcas e aquisição de produtos ou serviços na plataforma. Ambas as notícias refletem um movimento único – o avanço do social commerce. Apesar das divergências a respeito de seu significado, o conceito de social commerce pode ser definido como a estratégia que usa a interação humana, em especial nas redes sociais, para alavancar ou concretizar vendas.

A tendência, que já vinha na rota das marcas, ganhou força com as restrições causadas pela pandemia e a digitalização de empresas e consumidores. Antes mesmo, as empresas responsáveis pelas redes sociais estavam de olho no potencial de suas comunidades para fomentar vendas e abrigar iniciativas de shopping. O eMarketer estima que as vendas do “comércio social” nos EUA dobrarão até 2025, chegando a mais de US$ 79 bilhões. Com base nisso, Rodrigo Regis, que foi sócio da XP por 11 anos, criou o AdYou, aplicativo de social commerce em que os usuários podem trocar indicações e ver os produtos mais desejados pelos seus amigos. Ao interagir ou realizar compras, os inscritos acumulam um montante que pode ser doado para causas, como a ONG Aldeias Infantis SOS Brasil. Em seu lançamento, a plataforma já contava com mais de 140 marcas plugadas. Em entrevista, Regis, que é também CEO do Adyou, analisa como o social commerce vem se consolidando no Brasil e revela como a plataforma pretende ser facilitadora da jornada de compra.

Meio & Mensagem – O que é social commerce? Como se pode definir esse conceito?
Rodrigo Regis – Hoje em dia, existem pessoas que definem o social commerce de forma diferente. Mas é, realmente, qualquer ambiente em que o seu círculo social ou até uma comunidade de pessoas, que não necessariamente se conheçam, tenha participação ativa em compras ou vendas. Isso não quer dizer, obrigatoriamente, que todo mundo vai se juntar para comprar algo e conseguir um preço melhor. Também pode ser isso. Mas podem ser as pessoas trocando dicas e informações sobre uma compra ou buscando seus amigos para falar sobre um produto. Ou seja, qualquer atividade de compra, que vai desde o processo de decisão e descoberta até a compra em si, que envolva outras pessoas no processo, é social commerce. Falei sobre pessoas definindo de outras formas, porque há muita coisa acontecendo em live commerce. É o que temos visto com influenciadores em lives, explicando o produto, o preço, como usar, assim por diante. Esse, na nossa visão, não é o social commerce. É o live commerce, outra forma. Nem melhor, nem pior. Mas não, necessariamente, envolve o círculo social da pessoa. Ainda acaba sendo como um vendedor e um cliente potencial.

M&M – Dentro disso, qual é a proposta do Adyou? Que papel ocupa nesse mercado?
Regis – Sabendo que o círculo social influencia bastante em consumo e vendo algumas pesquisas de plataformas, como o Facebook, que apontam fatia sempre acima de 70% das pessoas que buscam e confiam mais em sugestões e avaliações de amigos e familiares, o Adyou nasce exatamente para trazer esse processo, que se faz espalhado em WhatsApp, pessoalmente, telefone, mídias sociais etc., para um lugar só. Ou seja, é um ambiente onde os produtos vão estar lá ou você pode trazer produtos de fora e indicar para os seus amigos. Pode, por exemplo, antes de comprar, navegar pelas listas de desejo de outros amigos. Algo que ainda não existe no mercado. Então, se estou procurando uma camiseta, no app você pode navegar na lista dos seus amigos para saber o que eles estão desejando, além de outras formas. Independentemente de como, o que vai sendo mudado a cada versão, estamos ali para justamente trazer para esses 70% de pessoas que querem indicações de amigos um ambiente que seja exclusivamente para isso. Não é um ambiente para confraternização, colocar fotos da sua família. Não. É um ambiente para encurtar a decisão de compra, sabendo de forma muito rápida e organizada o que os seus amigos desejam. Com forma organizada, quero dizer que, se eu for no Instagram, que não é nosso concorrente, você acaba descobrindo o que os seus amigos gostam, assim como descobre o que uma influenciadora gosta. O que fazemos é trazer de forma organizada, porque somos exclusivamente para isso. Nada além disso.

M&M – Atualmente, quais são os principais avanços do social commerce? Como essa tendência se estabeleceu no Brasil?
Regis – É um conceito novo e, por isso, ainda está sendo formado. Por exemplo, existe uma onda de marcas indo vender em redes sociais e isso pode ser considerado social commerce sim. Então, o principal avanço é empresas procurando mídias sociais, da lojinha de brigadeiro da Dona Maria a uma grande indústria, para tentar vender. Esse é o grande avanço que se vê. De novo, não considero que as iniciativas de live commerce possam ser consideradas social commerce. A não ser que estejam acontecendo dentro de uma rede social. Aí começam a arranhar a superfície. Nesse formato de indicação, de você querer saber do seu círculo social o que comprar, você vê algumas coisas fora do Brasil. E, aqui, a iniciativa pura somos nós, que queremos navegar nesse mercado.

M&M – Em termos de redes sociais, como as plataformas estão evoluindo no caminho do social commerce? Quais são as tendências?
Regis – Tem aparecido sinais muito fortes, tanto o TikTok quanto o Instagram ou o Pinterest. O Instagram já deu uma declaração dizendo que o destino deles é o social commerce e não tanto o que eles fazem hoje, que é essa troca de experiências entre as pessoas. O TikTok não tem posição oficial sobre isso, mas você percebe uma série de movimentações deles se virando para esse lado. De tendência para os próximos anos, essa virada de direção de grandes redes vai abrir o mercado e vai ensinar para as marcas e vendedores a importância do social commerce e podem começar a surgir novos concorrentes. É algo que nós precisamos pensar. Você vai para o Instagram hoje para comprar? Não vai. Você pode até ser impactado por uma venda, enquanto está lá, mas você não procura. Essa própria virada vai colocar o holofote nesse nicho de mercado e trazer especialistas. Ser global é bom, mas traz algumas dificuldades. Essa virada de chave para as grandes redes, que vão ter uma dificuldade natural ,pelo menos no início, de fazer a venda internamente, vai criar uma tendência de outros players provavelmente no que estamos fazendo, por isso estamos correndo para ser os primeiros.

M&M – Quando o assunto é tecnologia, que ferramentas devem ser incorporadas para auxiliar na evolução do social commerce?
Regis –  Inteligência artificial (IA), big data, análise de dados robusta. Ainda estamos crescendo nossa base, mas, com o crescimento, fazer análise de dados sem big data e sem data science vai se tornar uma tarefa impossível. Até porque, de alguma forma, concorremos com redes sociais em alguma instância e, se não tiver uma análise muito robusta, podemos começar a dar sugestões de produtos muito abaixo dos outros. Temos planos para o futuro de começar a pensar em realidade virtual, realidade aumentada. Já existem iniciativas em plataformas que não são tão conhecidas, em que você pode, por exemplo, apontar a câmera do seu celular para o pé e ver como ficaria determinado tênis. E, além de tecnologia, estamos olhando muito para os novos players de logística e em como fazem suas entregas. Já há um movimento nos Estados Unidos de entrega via drone pela Amazon. Estamos de olhos atentos, pode ser algo para o futuro.

*Crédito da foto no topo: Gremlin/Getty Images

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