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Edtechs: os avanços da tecnologia na educação

Existem mais de 550 startups de educação no Brasil, segundo o Distrito EdTech Report 2020

Amanda Schnaider
11 de outubro de 2021 - 6h01

Apesar de o termo edtech estar vinculado a EAD (ensino a distância), os conceitos não são a mesma coisa. Edtech é a junção das palavras education (educação) e technology (tecnologia), ou seja, tecnologia educacional, que diz respeito às soluções que conectam tecnologia aos professores e alunos. Segundo o estudo Distrito EdTech Report 2020, desenvolvido pelo Distrito Dataminer, com apoio da KPMG e da Wayra, há mais de 550 startups de educação no Brasil, divididas, principalmente, em sete categorias: ensinos específicos (22,4%), novas formas de ensino (22,2%), plataformas para a educação (20%), ferramentas para instituições (17,5%), foco no estudante (11,1%), conteúdo educativo (4,1%) e financiamento do ensino (2,7%).

 

A digitalização da educação ocorre em todos os níveis de ensino (Crédito: August de Richelieu/Pexels)

Alex Augusto, CEO do UOL EdTech, observa que a educação, assim como outros setores, está se tornando digital ou, pelo menos, obtendo algum componente digital, mas que, com certeza, a pandemia impulsionou isso. “Notamos a digitalização da educação em todos os níveis de ensino, sobretudo para adultos. Porém, os níveis têm sido mais digitalizados ou há, pelo menos, preocupação com relação a isso”. O presidente da Faculdade Descomplica, o braço de ensino superior do Descomplica, Daniel Pedrino, concorda: “Se, hoje, a idade média é de 34 anos para ensino digital, o provável é que vá descendo e decrescendo até encontrar os jovens geração Z de hoje e do futuro”, ressalta, reforçando que essa geração já usa o celular para tudo, desde comprar comida até se locomover, e que tem utilizado essa modalidade também para estudar.

Democratização do acesso
Pedrino nota que, com o passar dos anos, a educação passou por um processo de mudança. “No passado, era feita para poucos, para formar pensadores, só para as classes altas. Agora, é para muitos”, comenta. A educação, relata, começou a se modificar no período da Revolução Industrial, quando havia o fundamento de capacitar mão-de-obra como força de trabalho. Agora, a educação não tem só o objetivo de empregabilidade efetiva, mas também é totalmente interativa, social e voltada a uma geração que nasce interagindo com o celular, conteúdo digital, com extrema necessidade de entretenimento, e que se entretém e se entedia muito facilmente.

Abordar a digitalização da educação no Brasil, para o CEO do UOL EdTech, não é só falar de disrupção, tendência ou modernidade, mas é também falar de oportundiade para pessoas que não têm acesso à educação por uma série de questões sociais e econômicas. “Em um país que tem apenas 18% da população economicamente ativa com ensino superior, é impossível falar de educação digital ou digitalização de educação sem falar que é uma questão de inclusão, de trazer e aumentar as oportunidades das pessoas”.

Marketing digital como aliado
O marketing digital é fundamental para a ampliação da educação digital. “Todo foco da educação digital está na geração Z, geração que nasceu sem precisar fazer a transição do off-line para o digital porque nasceu digital. Já convive no mundo digital como tendo a primeira experiência, o primeiro olhar da vida, para uma tela e conteúdo. A mídia precisa possibilitar que ela esteja em ambiente no qual as pessoas estão se sociabilizando”, enfatiza o presidente da Faculdade Descomplica.

Augusto, do UOL EdTech, concorda e reforça que as instituições de ensino viveram muitos anos com um pensamento de que o marketing era mais local, off-line, pensado para o vestibular, em que havia mais candidatos do que vagas, mas destaca que o mercado não é mais assim. Agora, o marketing digital é essencial na divulgação, exploração da marca e atração desse aluno digital. “Estamos falando de plataformas que vão de Facebook, Instagram, Google, TikTok, WhatsApp, todo tipo de ferramenta que auxilia na comunicação e divulgação da sua oferta de ensino digital”.

Tendências para o futuro
Para Pedrino, nos próximos cinco a dez anos, a força das edtechs impulsionará o segmento com base nas provocações que não são mais indicadores de qualidade e referências do Ministério da Educação, mas, sim, indicadores de empregabilidade, de soluções digitais alinhadas ao novo consumidor, que tem buscado coisas novas e experimentado forma de acesso a um conteúdo diferenciado e que talvez já não esteja mais conseguindo se adaptar a esse modelo de ensino antigo.

Augusto acredita que o futuro das edtechs é usar a tecnologia para criar experiência ao usuário. “Falar de educação digital é falar de experiência de aprendizagem digital. Não estamos falando do EAD tradicional, de educação a distância, de digitalização de conteúdo, de simplesmente colocá-lo no online. Falamos de uso de tecnologia para criar experiência de aprendizagem digital que seja mais imersiva, adaptativa, completa e inclusiva”. Sob a ótica do conteúdo, Augusto entende que a tendência é buscar formas de trabalhar este conteúdo, encapsuladas por essas tecnologias digitais que possam atender aos diferentes formatos de aprendizagem. “Essa aprendizagem mais individualizada, adaptativa, é algo que vejo como tendência para o futuro”.

**Crédito da imagem no topo: Blue Planet Studio/Shutterstock

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