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Como o metaverso aproxima o marketing das blockchains?

Executivos da Zygon e do GDB explicam o que é BAT e como os investimentos no metaverso podem acelerar a aderência de ferramentas de marketing

Carolina Huertas
4 de novembro de 2021 - 6h03

(Crédito: Preechar Bowonkitwanchai / Shutterstock)

Na última quinta-feira, 28, o cofundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou a chegada da Meta que, disse, representa o compromisso da empresa na construção de tecnologias sociais que extrapolam o que a conexão digital oferece atualmente. “O Facebook agora se refere à família de aplicativos e plataformas futuras. É hora de adotarmos uma nova marca de empresa para englobar tudo o que fazemos”, revelou o CEO. A empresa, afirmou, será “metaverse first” em vez de “Facebook first”. Mas, como isso afeta o mercado do marketing digital?

“Esse parece ser um movimento que vai acelerar muito o enlace do mundo do marketing e o mundo do blockchains, tokens, cripotomoedas e tudo mais. Algo que eu achava que ia demorar 10 anos para acontecer, é provável que aconteça em dois ou três porque você tem alguém do tamanho do Facebook dizendo que isso tem que acontecer”, pontua o CEO da Zygon, Lucas Reis. 

Com esse anúncio, Zuckerberg tem um objetivo de unir criptomoedas e NFTs (Non-fungible Token) no seu metaverso para possibilitar a propriedade de dados. Dentro desse universo, a expectativa da empresa é que em uma década, o metaverso tenha um bilhão usuários, gerando bilhões de dólares em comércio. Hoje, já existem tecnologias de marketing que trabalham com as mesmas ferramentas, como é o caso do BAT (Basic Attention Token). “O BAT é uma iniciativa que une anunciantes, criadores de conteúdo, empresas de tecnologia e de criptomoedas. É uma nova maneira de fazer publicidade digital usando blockchain para recompensar diretamente os usuários finais. O objetivo é recompensá-los pelo tempo e atenção gastos ao consumirem um determinado conteúdo. No modelo de publicidade digital atual, anunciantes interessados em divulgar seus produtos remuneram uma cadeia ampla que passa por agências de publicidade, meios de comunicação e toda a infraestrutura que os suporta, como redes publicitárias e meios de compra, mas nada disso chega ao usuário final. O BAT procura inverter essa lógica, adicionando os usuários nessa cadeia”, explica o sócio e CBDO do GDB, Emerson Calegaretti. 

O BAT é uma criptomoeda nativa do Brave e para ter acesso é necessário instalar o navegador, já para o anunciante, é preciso utilizar a plataforma Brave Ads. Além da recompensa por atenção na interação com o anúncio ser bom para o consumidor, garantindo uma melhor experiência na navegação com uma maior proteção e privacidade, o mantendo anônimo durante o processo, a ferramenta beneficia o publisher ao aumentar a taxa de entrega e gerar receita através da contribuição de usuários. E também o anunciante ao fazer com que a comunicação seja mais efetiva respeitando a privacidade. Além de garantir a inexistência de fraudes e a a deduplicação de usuário, segundo dados da Adbank, 56% de todo o tráfegos dos websites são bots. “O recente anúncio do facebook sobre o investimento no metaverso une várias tendências que a gente escuta há muito tempo ligadas à 5G, Internet das coisas e criptomoedas. O BAT vem para resolver o problema da remuneração do usuário e o fato de ser um token, ou seja, ter a estrutura de blockchain por baixo dá a segurança relacionada a fraude porque você tem certeza de que aquele usuário é ele mesmo, não te como fraudar”, diz Reis.

As dificuldades e o impulso do metaverso
Porém, no Brasil, o uso de BAT ainda é praticamente insignificante, especialmente diante de seu potencial. O programa tem cerca de 1,35 milhão de participantes no mundo todo, mas o navegador Brave, a principal plataforma de divulgação desse modelo, é usado por menos de 1% dos usuários brasileiros segundo o Statcounter.com. Mas, segundo Reis, é exatamente nesse ponto que Mark Zuckerberg impacta ao investir no metaverso. “Para o metaverso funcionar, é preciso ter a estrutura de blockchain por trás e 5G. E para que exista realmente um mundo alternativo que possa ser compartilhado, é preciso que as coisas nesse mundo sejam únicas de alguma forma. Eu preciso que a minha camisa seja só a minha camisa, se eu decidir comprar a chuteira do neymar, que seja a chuteira do neymar e não seja uma fraude. Para que isso aconteça, é preciso que se tenha uma NFT e uma blockchain por trás. Como provavelmente no Metaverso as pessoas vão transacionar entre si usando tokens, será mais natural o uso de cripotomoedas, eu vou usar meu dinheiro ‘real’ para comprar tokens ou vou fazer atividades no metaverso que me gerem tokens para que eu possa comprar coisas nele, até para que não haja o risco de eu receber um dinheiro falso no metaverso. Essa aposta que o Facebook faz é algo muito interessante  por vi de empresa tão grande como ela. Quando ela diz que vai fazer algo, precisa entregar, se não as ações cairiam”, esclarece Reis.

O especialista acredita que com essa futura mudança de comportamento das relação das transações financeiras no universo digital e novos modelos de marketing que chega com o metaverso, pois ajuda a ferramenta a também a sair do uso das mãos únicas do early adopters, chegando em mais pessoas, sendo essa a chave para que realmente o uso do BAT se torne comum.

**Crédito da imagem do topo: Fit Ztudio/Shutterstock

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