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Entre dois mundos: o futuro da publicidade no metaverso

Denis Shirazi, da 20DASH, prevê a intensificação do uso de tecnologias imersivas para impactar consumidores e o brand awareness

Giovana Oréfice
23 de novembro de 2021 - 13h31

Denis Shirazi, fundador e CEO da 20DASH (Crédito: Divulgação)

Neste ano, a audiência do Big Brother Brasil 21 pôde participar da ação da Avon no programa por meio de filtro no Instagram em que, ao escolher o avatar de um dos semifinalistas do reality show, era direcionado a um game. A solução foi desenvolvida pela 20DASH para aumentar o alcance digital da campanha #AvonTaOn e gerar não só entretenimento, mas também engajamento com a marca através de cupons de descontos de acordo com o desempenho no jogo. A integração da realidade com o meio digital já é um artifício essencial às empresas, indo desde o live-commerce, popularizado com a pandemia, até ativações que envolvem soluções como a realidade virtual (VR) e aumentada (AR). A 20DASH conta, em seu portfólio, com trabalhos para marcas como Consul, Hyundai, Snikers e Banco Original, com a produção de conteúdos diversos para atender às inúmeras plataformas digitais disponíveis ao público. 

Denis Shirazi, fundador e CEO da 20DASH, aborda a tendência do metaverso e estratégias que marcas devem ter para gerar mais identificação com os usuários e, assim, gerar vendas.

Meio & Mensagem – A 20DASH se posiciona como boutique tecnológica. O que isso significa?
Denis Shirazi – Já tive startups, cresci fazendo produtos e os colocava no mercado e o cliente se adequava a esse produto. Depois de muito tempo, construí a 20DASH já pensando em boutique, que é igual a um alfaiate. Construímos o terno, nesse caso a solução tecnológica, com as medidas do cliente. Com base no que ele quer e onde precisa chegar, desenvolvemos soluções, principalmente, focadas no que estamos chamando hoje de metaversos: soluções de AR e VR, experiências de comunicação com robôs e máquinas, mas que sejam muito mais amigáveis e intuitivas.

M&M – Com o metaverso se mostrando tendência para os próximos anos, qual é a perspectiva que marcas devem ter nesse sentido, em termos de infraestrutura e estratégias de marketing?
Shirazi – Vamos ouvir falar do metaverso por muitos anos, é tendência muito forte, visto que uma das maiores empresas do mundo mudou o nome para Meta (antes, Facebook Inc). Em 2016 e 2017, percebi que aquilo tinha potencial enorme. Quando abrimos a empresa, em 2018, já estávamos nesse mundo. Este ano, confirmamos que essa é a tendência. O metaverso não é uma empresa, são várias empresas que precisam se integrar e se falar para criar esse mundo com diversas soluções. Se é uma marca,  precisa estar muito integrada — ter agência ou consultoria muito forte nisso — para entender e traçar caminhos de como posicionará seu produto e, principalmente, como pode transformar o produto também em digital, que se assemelhe em ambos os mundos. Elas devem traçar ações para impactar o usuário. Para as novas gerações, que nasceram com a tecnologia, as duas partes serão totalmente associadas. Da mesma forma que vivo o meu mundo digital, vou viver em um mundo real sem diferenças e sem barreiras. Assim como as marcas começaram a utilizar as redes sociais para conversar com o público e essas gerações não tão recentes de forma exponencial, vão precisar se aprofundar mais em soluções digitais. 

M&M – Qual o papel do entretenimento na jornada de consumo?
Shirazi
É envolver o cliente, pegá-lo não com algo que se identifique, mas trazê-lo para o mundo da marca ou levar a marca ao seu mundo , em que consiga se inspirar e estar envolvido com aquilo e ter maior engajamento, seja para compra imediata ou futura, um conhecimento de marca apenas ou mensagem que a marca querer a passar. Esse envolvimento, no futuro, será muito prático quando estamos falando de metaverso. Gosto de dar o exemplo do que imaginamos como interação de marca: chego em casa e fui impactado com alguma coisa que a Nike ou a Adidas lançou, um tênis novo. Aí, eu falo: “Alexa, quero ver esse tênis novo”. Em seguida, pego um óculos de VR e vou à loja-conceito da visão que aquela marca quis me passar e com a qual me identifique. Ainda, posso colocar esse óculos de AR, ou até mesmo pegar meu celular, e apontar pro meu pé e ver o tênis já como se eu o estivesse calçando. Depois, compraria talvez através de token ou de NFTs, para ter o tênis tanto no meio virtual, em um game, quanto no digital. É um mundo novo que se abre ainda e, em futuro próximo, veremos muito disso acontecendo para qualquer coisa.

Ação integrada da 20DASH para a Avon (Crédito: Reprodução)

M&M – Quais são os obstáculos ao trabalhar o marketing de experiência no ambiente digital com a omnicanalidade? Shirazi – Acho que encontramos dificuldades mais técnicas em experiência. É preciso ter celular um pouco mais gradiente para ter isso. Quando falamos de experiências mais profundas como a VR, os óculos ainda não estão disponíveis para enorme parte da população. Essas tecnologias, a partir do momento em que vão avançando, serão muito mais difundidas. De quanto mais formas você conseguir impactar e chegar ao usuário, melhor.

M&M – Como experiências inovadoras e imersivass nas plataformas digitais fortalecem o brand awareness?
Shirazi –  O brand awareness fica até no segundo plano em alguns momentos. Mas, quanto mais forte uma marca se posicionar com seu branding, mais isso estará na mente da pessoa para gerar venda futura. O brand será essencial para fortalecer a marca para a pessoa em qualquer mundo em que ela esteja, principalmente quando falamos no mundo digital. A compra do produto começa muito antes, com a experiência e visão que a marca traz, que é muito forte. As pessoas compram mais se aquela marca é sustentável, traz conceitos de mundo que englobam diversas comunidades e que atingem a própria comunidade do consumidor e combina como o seu jeito de ser. Essas mensagens que a marca tenta trazer e divulgar serão melhor absorvidas pelo público e, assim, gerarão mais vendas futuras.

M&M – Quais são as soluções tecnológicas que compõem a publicidade do futuro?
Shirazi – São três pilares. O primeiro são os assistentes pessoais e a comunicação por voz. No mundo passado, a comunicação por voz era o principal. A parte do toque e do digital foi feita para a interface de um mundo como era antes. Vejo muito o retorno da conversa e, principalmente, da conversa natural, através de assistentes pessoais. O outro é a AR, que já é uma solução que cresce infinitamente e as marcas usam muito para divulgação, passar mensagem, demonstração de produto e entretenimento, seja com jogo ou alguma coisa que a pessoa se sinta legal ou no mundo que quero passar. E a VR também, mas isso mais no futuro, será muito utilizada. A AR traz a marca para o mundo da pessoa e, com a VR é o contrário, traz a pessoa para o mundo da marca. Isso nos próximos anos, talvez meses, será exponencial.

*Crédito da imagem do topo: LuckyStep/shutterstock

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