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Drones começam a se viabilizar como oportunidade ao varejo

Manoel Coelho, da Speedbird, e Leonardo Romano, da Natura &Co, detlalham o desenvolvimento de projeto para entregas pelo equipamento

Carolina Huertas
24 de novembro de 2021 - 17h28

(Crédito: Guilherme Missumi)

O grupo Natura &Co, em parceria com a Speedbird Aero, vem testando o modelo de entregas através de drones para as marcas Avon, Natura, The Body Shop e Aesop. A startup brasileira se tornou, no ano passado, a primeira empresa a receber o certificado de autorização de voo experimental (CAVE) pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e começou a trabalhar com a companhia por meio do programa Natura Startups. Além da Natura, a startup quer ajudar as empresas, serviços de logística e instalações de saúde com a funcionalidade. Atualmente, países como Finlândia, Islândia, Suíça, China, Japão e Estados Unidos já utilizam drones para entregas de varejo, alimentos e medicamentos.

“O Brasil é o terceiro maior país em fabricação de aeronaves civis por conta da própria Embraer. Temos um cluster, um ambiente propício com engenheiros aeroespaciaisaeronáuticos mecânicos, eletricistas etc. Temos toda a infraestrutura, as regras brasileiras estão mais avançadas foi justamente isso que nos permitir vir dos Estados Unidos pra cá. Éramos brasileiros fora do Brasil e decidimos voltar porque vimos potencial muito grande no País. O mercado é gigantesco, existe necessidade incrível e os desafios logísticos são gigantescos, como o tamanho do Brasil“, diz Manoel Coelho, CEO e fundador da Speedbird. 

Para a Natura, os drones não são ação isolada, mas estão envolvidas nas vertentes de transformação da experiência e impacto positivo do grupo. Para a companhia, os drones se mostram como uma das tecnologias que vão ajudar a transformar, no longo prazo, o modo com que as pessoas compram e recebem os produtos. Diante desse propósito, Leonardo Romano, supply chain director da Natura &Co, comenta que o mercado vive um momento onde tempos expressos são um dos requisitos para os consumidores. Se, antigamente, três horas para entregas em São Paulo era rápido, hoje esse período é considerado lento.  “Já se fala de entrega em horas, daqui a pouco, serão minutos. As medições estão cada vez mais curtas. Nas metrópoles, há dificuldades de acesso por questões como trânsito ou mesmo por lugares mais remotos de acesso complexo. Somos uma empresa nascida na venda direta, que é muito e chega primeiro onde não chegam muito dos outros negócios. Às vezes, nem chegam. Um dos propósitos com esse projeto é conseguir encurtar tempo e chegar mais perto do consumidor, da consultora e da representante”, diz o supply chain director. 

Na parte ambiental, a tecnologia faz parte das ações incluídas nos planos estabelecidos para firmar o compromisso assumido pela empresa de zerar as emissões líquidas de carbono até 2030. “Já somos uma empresa carbono neutro, mas estamos tratando a emissão também. Porque é isso que, no fim das contas, evitará que o planeta colapse. Não adianta só compensarmos em crédito de carbono. Isso é importante, mas não resolve o problema, é preciso zerar as demissões. E o drone é uma tecnologia infinitamente menos poluente do que qualquer outra forma de entregar. Olhamos essas duas variáveis pensamos em algumas soluções porque o drone não vai resolver todos os problemas, mas é uma das componentes dessa estratégia”, explica Romano.

Tecnologia na prática
As empresas já entraram com o processo de autorização da Anac para a execução do projeto-piloto de entrega em condições reais, que será feito em raio de até 200 quilômetros já no primeiro trimestre de 2022. Segundo o executivo, a Anac precisa homologar rota por rota, decolando e pousando em lugares seguros, e diante disso, a Natura escolheu praças específicas no Nordeste, Norte e Sudeste, ainda não divulgadas, que têm tráfego mais fluído para sair dos centros de distribuição das marcas para um ponto muito próximo ao consumidor ou representante.

Os profissionais comentam que esse projeto tem como consequência o desenvolvimento do modal, mas, mesmo ante toda a estratégia, o processo ainda é complexo. “Seguimos um processo de certificação que é extremamente rigoroso, e tem que ser, porque realmente é algo difícil e que precisa de tempo, é uma tecnologia nova. A aviação tripulada já existe há algum tempo e estamos no frete justamente porque é algo complexo. Qual outro drone já voou mais de três anos seguidos todos os dias? Nenhum. Para colocar essa operação em dia, funcionando em tempo integral,  precisamos saber o nível de falhas do motor, de bateria, nível de fadiga do equipamento etc. Para poder passar pelas cabeças das pessoas como o helicóptero faz nas grandes cidades, tanto o certificador quanto o operador e nossos clientes querem segurança. E é isso que estamos fazendo agora: horas de voo, aperfeiçoando e conseguindo demonstrar por três anos, no Brasil, operando diariamente, que é seguro”, revela Coelho.

*Crédito da imagem do topo: Volodymyr Goinyk/shutterstock

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