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Insurtechs: tecnologia evolui mercado de seguros

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Insurtechs: tecnologia evolui mercado de seguros

De acordo com o "Insurtech Report", realizado pelo Distrito, em 2019, houve um aumento de 47% nas startups focadas em seguro, em comparação com 2018

Victória Navarro
16 de dezembro de 2021 - 6h00

A transformação digital chegou para as mais variadas indústrias, no Brasil e mundo afora. Com o mercado de seguradoras, não foi diferente. As empresas tradicionais de seguros, cada vez mais, esbarram nas companhias nativas digitais. As insurtechs (insurance technology ou tecnologia de seguros) vieram para agilizar processos burocráticos, facilitar a contratação, criar produtos com base em dados, reduzir os preços de contratos e compreender o comportamento digital. Essas startups buscam resolver as dores e melhorar a eficiência dos processos.

No Brasil, em 2018, o setor de seguros arrecadou R$ 444,9 bilhões — o que representa 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto). As seguradoras mantêm mais de R $1,2 trilhão em ativos, ou seja, integram um dos setores que mais investem do País. Os dados são da Confederação Nacional de Seguros (CNseg). Além disso, de acordo com o “Insurtech Report”, realizado pelo hub de inovação aberta Distrito, em 2019, constatou-se um aumento de 47% no número de startups focadas em seguro, em comparação com 2018. Quase metade (47,8%) tem foco em Infraestrutura e Backend, à frente de parcerias com seguradoras já existentes. Logo atrás, ficam Produtos e Distribuição (31%), Marketplace e Comparação (14,2%) e Serviços Adicionais (7,1%). Três entre quatro dessas startups, no Brasil, localizam-se na Região Sudeste — 52,2% estão em São Paulo.

 

As insurtechs agilizam processos burocráticos, facilitam a contratação, criam produtos com base em dados, reduzem os preços de contratos e compreendem o comportamento digital (crédito: Zen Chung/Pexels)

Entretanto, quase metade das insurtechs nasceram entre 2016 e 2019. Para Thaiza Estevão, diretora de vendas e de marketing da Youse, esse movimento tem grande relação com a maturidade do mercado de seguros. O crescimento do número de empresas do setor, também, deve ser atribuído às recentes regulações que alteram a lógica do mercado e dão espaço para seguradoras e insurtechs alcançarem novos clientes e aprimorarem a experiência concedida aos clientes. Somado a isso, afirma, o aumento da digitalização e da inovação nos processos, via tecnologias de inteligência artificial e rápida contratação de serviços, trouxe um ganho significativo para o segmento de seguros, evidenciando um mercado com grande oportunidade de expansão. Segundo Adilson Lavrador, diretor executivo de operações, tecnologia e sinistros da Tokio Marine, esse movimento também se deve, em grande parte, pela mudança de comportamento dos consumidores, nos últimos anos: “Os consumidores estão, cada vez mais, exigentes e bastante atualizados quanto ao uso da tecnologia e, como consequência, em busca de comodidade e facilidade no atendimento”.

As insurtechs B2B (business to business) predominam (55,8%) — B2C (business to consumer) corresponde a 38,9% do setor e B2B2C (business to business to consumer), 5,3% –, de acordo com o estudo do Distrito. Adilson explica que essas startups possuem uma alta proximidade com os clientes e os parceiros, uma vez que ajudam o mercado segurador a entender o comportamento do consumidor e, consequentemente, auxiliam no desenho de produtos e serviços mais customizados e sob medida. “As insurtechs são aliadas das seguradoras no aprimoramento de diversos processos, como precificação; emissão de apólices; regulação de sinistros; e digitalização de processos, como vistoria remota”, afirma. Outro fator que demonstra a importância das insurtechs é que essas empresas desenvolvem sistemas e tecnologias que podem facilitar a operação das seguradoras e os processos operacionais dos corretores e assessorias de seguros. “A indústria securitária tem um grande potencial de expansão e, por isso, a parceria com insurtechs pode resultar em procedimentos mais ágeis, abertura de novos canais, diversificação de produtos e serviços e redução de problemas recorrentes”, adiciona.

Transformação digital em seguros
Com a tecnologia, começou a ser possível desenhar algumas formas mais simples de se comercializar seguros. “As insurtechs também conseguiram inovar em produtos, a partir de analytics e de inteligência artificial, para desburocratizar serviços e proporcionar uma experiência mais positiva e personalizada com os seguros”, diz Thaiza. A transformação digital no mercado de seguros evoluiu muito, nos últimos dois anos, e as empresas de seguros estão, cada vez mais, próximas a seus clientes e parceiros de negócios, por meio de soluções e ferramentas digitais e omnichannel. “Outra demonstração de que o mercado de seguros, no Brasil, tem avançado, em termos de revolução tecnológica, é a implementação do Open Insurance, que deve ter início ainda neste ano. Estamos atentos à regulamentação proposta pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e acreditamos que ela caminha no sentido de uma maior modernização do setor, abrindo portas para a simplificação de processos e para a disseminação da cultura do seguro, o que é fundamental para o crescimento da participação da nossa indústria na economia brasileira”, explica o diretor executivo de operações, tecnologia e sinistros da Tokio Marine.

Educar o mercado consumidor ainda é um desafio para as insurtechs, afirma a profissional da Youse. “Então, há a importância de termos como premissa a questão do cliente como ponto de partida e a inovação como pontos essenciais ao negócio. É desafiador oferecer produtos que sejam adequados às suas necessidades, por isso, é tão importante ouvir o cliente e promover inovações mais ágeis, personalizadas e digitais”, diz Thaiza. Outro desafio é incentivar uma cultura de desenvolvimento de soluções, produtos e serviços, tornando todo a jornada do seguro mais ágil. “Nesse contexto, vale destacar que as insurtechs surgiram, exatamente, para solucionar um gap do mercado, com a oferta de processos ágeis, redução de preço, facilidade na contratação do seguro e entendimento acurado da jornada nativa do consumidor, no meio digital”, complementa.

Martechs e adtechs
As martechs complementam o trabalho das insurtechs, uma vez que ajudam na prospecção e na fidelização de clientes, bem como na obtenção de leads. Ademais, essas empresas auxiliam em processos como CRM (Customer Relationship Management), análise dos perfis na WEB, mailing digital, gestão de mídias sociais e SEO (Search Engine Optimization). Já as adtechs são empresas que ajudam a explorar os melhores espaços nas mídias, digitais ou não, auxiliando na produção de materiais publicitários para que as insurtechs consigam se apresentar da melhor forma. Ambas partem da premissa, a de impactar positivamente o cliente, seja por meio da satisfação do serviço ou produto oferecido, seja pela mensagem passada, cada vez mais personalizada e individualizada.

Para as insurtechs, o marketing digital contribui com a venda e a construção de marca. Além disso, auxilia no awareness da marca, em gerar leads qualificados e em criar conversas com os clientes. Porém, destaca Thaiza, para ser efetivo em um setor ainda tradicional, é preciso apostar na diferenciação. “O novo perfil do consumidor nos desafia a pensar em como atender à procura por seguros, em um mundo no qual as decisões têm de ser muito rápidas e as informações precisam estar disponíveis a qualquer momento. Por meio do marketing digital, essas empresas podem colaborar para a disseminação das soluções e, consequentemente, para aumentar a cultura de seguros no Brasil”, explica Adilson.

*Crédito da foto no topo: Reza Fahlevi/Pexels

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