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Agtechs e a transformação do agronegócio

Vitor Mondo, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, fala sobre o potencial de transformação do setor e os obstáculos do processo

Taís Farias
12 de janeiro de 2022 - 8h29

Tecnologia pode impulsionar eficiência e sustentabilidade no agro (Crédito: nazar cantora/shutterstock)

Com a recuperação do cenário hídrico, o agronegócio brasileiro deve crescer 5% até o final de 2022. A projeção é fruto de estudos da Fundação Getúlio Vargas, coordenados pela professora Silvia Matos e divulgados pela CNN Brasil. Com esse cenário, o setor se torna a principal engrenagem da economia do País no ano, ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deva crescer menos de 1%.

Mesmo no ano de 2020, marcado pelas perdas geradas pela pandemia da Covid-19, a agropecuária foi a área da economia que mais cresceu, na comparação com indústria e serviços. Foi registrado um avanço de 2%, em relação a 2019.

Apesar da relevância dentro do cenário econômico, o setor agropecuário enfrenta uma série de desafios como os altos índices de desmatamento, baixa produtividade e falhas na cadeia produtiva. Neste cenário, muito analistas apontam a tecnologia como um meio para o desenvolvimento mais eficiente e sustentável dos negócios do agro. É assim que surgem as agtechs, startups que desenvolvem serviços e soluções tecnológicas em benefício do setor agropecuário.

Essas companhias aproveitam de sua agilidade para testar e implementar novas alternativas no campo. Vitor Mondo, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, analisa como vem se dando a transformação digital do agro e como as startups podem ajudar nesse processo.

Meio & Mensagem – Big data, inteligência artificial e a internet das coisas abrem um novo universo de possibilidades, que se expandirá ainda mais com a chegada do 5G, a nova geração da tecnologia móvel. Quais transformações podemos esperar?
Vitor Mondo – Dados, capacidade de análise e interpretação e a conectividade de dispositivos (sensores e equipamentos) realmente colocam qualquer uma das atividades agropecuárias em um outro patamar. Essas são atividades que lidam com fatores não controlados, desde clima e solo a plantas e animais, e que com informação em quantidade, qualidade e tempo adequado permitem a tomada de decisão muito mais assertiva. A velocidade de transmissão que o 5G deve abrir um leque de opções ainda maior ao que se tem hoje, pois mais dados, mais imagens, mais informações poderão ser captadas e transmitidas, em um tempo menor do que temos atualmente. Isso influenciará na velocidade com que o produtor ou uma máquina poderá aplicar a informação recebida, praticamente em tempo real.

M&M – Ao mesmo tempo, quais são os desafios para acessar esse potencial?
Vitor – Os desafios principais ainda pairam não sobre a tecnologia em si, mas em fatores fundamentais para impulsionar a adoção de tecnologias já existentes, tais como a sensibilização do produtor ou de outros elos da cadeia produtiva sobre os benefícios das tecnologias digitais. Também está na capacitação técnica de quem lida diretamente com essas tecnologias e na oferta de soluções completas, que tragam boas experiências, com bom atendimento pós-venda e com condições acessíveis de custo. E, finalmente, o mais importante, com um excelente ajuste da tecnologia à real necessidade do usuário.

M&M – Tem marcas investindo nesse setor? Como as startups estão ajudando?
Vitor – Sim, existem inúmeros casos de grandes empresas, médias e inclusive de pequeno porte, investindo nesse setor. Mas vale ressaltar que não é apenas uma questão de investimento, existem boas parcerias formadas e serviços de agtechs contratados por grandes corporações, combinados sim com a atuação dos CVC (Corporate Venture Capital), cada dia mais comuns. O investimento em agtechs tem se destacado nos últimos anos e impulsionado a entrega de soluções tecnológicas ao mercado brasileiro e internacional. As startups de modo geral têm auxiliado grandes empresas a alcançar uma dinâmica diferente de inovação, mais ágil, que se adapta mais facilmente e rapidamente, e de forma próxima do cliente, atuando tanto na atividade principal das empresas quanto em espaços que estavam adjacentes ou descobertos, mas que têm se mostrado relevantes.

*Crédito da foto no topo: Magic pictures/Shutterstock

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