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NFTs: desvendando o presente e o futuro da tecnologia

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NFTs: desvendando o presente e o futuro da tecnologia

Apesar de ainda pouco difundida, utilização do recurso é descomplicada e precisa atravessar obstáculos como educação dos usuários e popularidade

Giovana Oréfice
18 de janeiro de 2022 - 6h00

NFTs podem ser aplicados em diversos contextos, desde games até memes (Crédito: Rokas Tenys/shutterstock)

Após a mudança de nome do Facebook Inc para Meta, a empresa colocou em pauta o conceito de metaverso, despertando grande debate acerca da tecnologia. Contudo, uma sigla que também está em alta e promete revolucionar a relação da humanidade com o universo digital é a NFT. Os non-fungible tokens — tokens não fungíveis, em português — são parte do glossário de criptoativos que prometem movimentar o mercado este ano. Só no ano passado, segundo o DappRadar, o volume de vendas de NFTs resultou em US$ 24,9 bilhões, o equivalente a mais de R$ 137 bilhões. 

Ainda que a tendência seja de crescimento, a tecnologia é pouco conhecida pelo público leigo. Os tokens não fungíveis existem no mundo virtual e são como certificados, e podem ser caracterizados por diversos elementos: fotos, vídeos digitais, obras únicas e exclusivas, gifs, músicas e até mesmo memes, que representam ativos digitais com códigos, passíveis de monetização e, consequentemente, de investimentos. Tal código, conforme explica Bruna Botelho, CEO e fundadora da finsportech StadiumGO!, fica ligado à uma arte digital com descritivo que conta com a especificação e todos os direitos que o seu comprador venha a ter ao adquiri-lo e, assim, se tornar proprietário único do item digital.  “É importante falar que é um criptoativo que não pode ser fracionado em diversas partes, como no caso das criptomoedas, que você pode trocá-las por outras”, diz Bruna. “O NFT é um tipo especial de token criptográfico que representa algo único e irrepetível”, completa. Os NFTs são produzidos em blockchain, sistema no qual as informações são registradas, entre envio e recebimento, por exemplo. A principal funcionalidade da tecnologia no mundo real é a geração de dinheiro, experiência e conexão. “Incluímos códigos de acesso que o tornam um ativo de investimento ou financiamento em clubes, festivais, filmes, exposições culturais etc., possibilitando ao seu titular participar dessas receitas, ganhar dinheiro e, ainda, obter experiências e benefícios exclusivos”, aponta a CEO. 

Mesmo que o conceito possa parecer complexo, sua aplicação é mais simples do que se imagina. Primeiramente, é preciso que o usuário tenha conta digital de plataforma especializada e de confiança. Em seguida, o indivíduo terá acesso a um marketplace de NFTs no qual a escolha pode ser feita e, então, realizar a transação. Atualmente, um dos blockchains mais populares é o da criptomoeda Ethereum. Bruna explica que, por se tratar de ativo colecionável, não é preciso ter nenhuma documentação para começar a movimentar os tokens não fungíveis, sendo a carteira digital a principal porta de entrada para obter a tecnologia.

 

Um novo caminho para o marketing
Os NFTs prometem ser uma revolução para as empresas, uma vez que aproximam os consumidores a partir do senso de pertencimento e exclusividade, e a relação das marcas com o setor já é realidade. No ano passado, a NBA lançou o NBA TopShot, que foi encarado como concorrente do ethereum e que, de acordo com a revsita Forbes,  levantou US$ 2,6 bilhões em financiamento nos primeiros cinco meses de existência. A plataforma permitia a compra de mini-vídeos de jogadas da liga. Claudio Lima, CEO da Druid, considera que este caso foi um dos primeiros que introduziu o recurso no universo pop. O registro de uma das jogadas de LeBron James, na primeira temporada pelo Los Angeles Lakers, foi vendido por mais de R$ 200 mil.

Indo além de ativos digitais convencionais, os NFTs podem ter conexão com a vida offline. “Marcas sempre trabalharam no mundo físico com diversas coisas que podem ser NFTs no mundo online, com brindes, ingressos, convites e posters, por exemplo”, declara Claudio. “Todos esses assets/colecionáveis que antes eram apenas físicos, agora podem ser digitais. Mas, além do fator ‘colecionável’, a marca também pode usar todo o aspecto de ‘funcionalidade’ dos NFTs através de smartcontracts e carteiras digitais”, acrescenta. Tais possibilidades foram exploradas pela Adidas que, ao lançar três marcas de cartoons e cocriar ativos digitais, vendeu 20 mil cópias (de 30 mil disponibilizadas) do mesmo item na primeira fase. A CEO da StadiumGO! relembra, ainda, que algumas pessoas receberam uma versão física de um dos cartoons. “O público entusiasta ou fã quer fazer parte das marcas e clubes que admiram. Já percebemos esse movimento com o boom do streaming, que permite ao público estar mais próximo de seus ídolos”, aponta a fundadora. “Isso fortalece a geração de negócios para as marcas patrocinadoras, pois vai além do ‘logo na camisa ou no banner’, chama o público para perto e é uma via de mão dupla, trás o senso de pertencimento ao público que as marcas tanto almejam”.

Onde estamos e para onde vamos

Por se tratar de modalidade de transações muito nova e, especialmente, por acontecer no meio digital, ainda não há regulamentação sólida para reger as transações. Mesmo que os certificados funcionem como prova de autenticidade, os NFTs, por si só, são ativos para reserva de valor. Isso significa que o usuário realiza compras na expectativa de que, no futuro, tal ativo possa se valorizar e assim possa ser vendido por valor acima do qual foi comprado. Uma das possibilidades para o futuro, alerta a especialista, é de que o mecanismo possa evoluir para se tornar umdireito autoral e fazer as vezes de certificado virtual de autenticidade. Segundo ela, a jurisprudência de direitos autorais ainda está em discussão no mundo. 

Ainda nesse sentido, Claudio, da Druid, aponta que, uma vez que a tecnologia não é amplamente reconhecida por governos e organizações de controle, o issue de confiança é um obstáculo que impede que os NFTs prosperem. Outro barreira que os NFTs enfrentam é a educação do consumidor. O CEO salienta que a programação de carteiras digitais, movimentação dos NFTs e demais tokens requer aprendizado. A boa notícia é que já existem cursos, sobretudo online, voltados para a temática, em plataformas como Udemy e Hotmart.

“Com a vida mais online, dentro dos devices e até do metaverso, esse tipo de tecnologia tende a crescer exponencialmente”, afirma Claudio. “Vamos muito rapidamente entender propriedades digitais como entendemos propriedades físicas. Ter um quadro na parede da sua casa ou um NFT na parede do seu ambiente virtual vão ter o mesmo efeito, o mesmo valor e a mesma penetração na população”, finaliza. 

*Crédito da imagem do topo: Olena.07/shutterstock

 

 

 

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