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Open banking x open finance: o que muda com a ampliação?

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Open banking x open finance: o que muda com a ampliação?

Marcelo Haddad, head de produtos da fintech Neon, explica as diferenças entre os conceitos

Taís Farias
14 de fevereiro de 2022 - 6h00

Marcelo Haddad, head de produtos Neon (Crédito: Divulgação)

No dia 1º de fevereiro a implementação do Open Banking completou um ano no Brasil. Segundo informações do Banco Central, o modelo brasileiro é o maior em número de instituições e em termos de escopo, incluindo dados sobre investimentos, seguros, previdência e proposta de crédito. É neste ponto que um novo conceito entra em cena – o Open Finance. Tratado muitas vezes como sinônimo do Open Banking, Open Finance entrou no vocabulário de instituições financeiras e já aparece em campanhas. Mas, você sabe quais são as diferenças entre Open Banking e Open Finance?

De maneira genérica, o Open Finance é uma ampliação do movimento trazido pelo Open Banking. Além das instituições bancárias, passam a fazer parte do sistema integrado serviços de previdência e seguros, autorizados pelo Banco Central. Por dentro da movimentação, Marcelo Haddad, head de produtos da fintech Neon, enxerga a transição como positiva. “Apesar de ainda ser ‘silenciosa’, a transição do open banking para o open finance está ampliando um conjunto muito maior de informações, e que em breve novas soluções e produtos direcionados às necessidades e interesses do consumidor final e de pequenos e médios empreendedores surgirão no mercado”, aponta. Em entrevista, ele detalha o que muda com o Open Finance e como os consumidores serão beneficiados.

Meio & Mensagem – Quais são as diferenças entre o open banking e o open finance? 

Marcelo Haddad – A princípio vale contextualizar que o Open Finance é a ampliação do Open Banking, ou seja, ambos os termos têm sido usados de forma intercambiável e são diretamente relacionados ao compartilhamento de informações no formato padronizado. A diferença entre eles é o limite de instituições em que as informações circulam. Até a terceira fase do Open Banking, o compartilhamento estava relacionado apenas a bancos e fintechs para o compartilhamento de informações de produtos e serviços do core bancário. Com o avanço para a 4ª fase, implementada em 15 de dezembro do último ano, o Open Banking ampliou o compartilhamento do histórico de informações para além do core bancário, o que marcou o início da sua migração para Open Finance e prevê, em breve, a ampliação do compartilhamento de informações relacionadas a operações de câmbio, fundos de investimentos, seguros, previdência etc.

M&M – Para quê mudar de Open Banking para Open Finance? Quem são os principais beneficiados? 

Marcelo – A mudança tem como objetivo expandir a concorrência no sistema bancário para além dos grandes bancos tradicionais e, consequentemente, tornar o setor ainda mais inovador. Os benefícios serão tanto para as instituições quanto para os consumidores. O mercado vai ter mais espaço para inovar e desenvolver produtos e serviços que estejam cada vez mais alinhados às necessidades e interesses de cada consumidor. Os termos também têm grande potencial em auxiliar no processo de desbancarização no país. Em um recente levantamento feito pela Neon para identificar o conhecimento do público sobre Open Banking, para cerca de 60% dos respondentes a maior vantagem de compartilhar seus dados é ter uma chance maior de aumentar o limite do cartão de crédito, enquanto para mais de 40% é esperada a maior probabilidade de conseguir um cartão.

M&M – Quais oportunidades comerciais o open finance cria? Já podemos observar frutos desse movimento?

Marcelo – Apesar de ainda ser “silenciosa”, a transição do open banking para o open finance está ampliando um conjunto muito maior de informações, e que em breve novas soluções e produtos direcionados às necessidades e interesses do consumidor final e de pequenos e médios empreendedores surgirão no mercado. Conforme o Open Banking e Finance for evoluindo, as tecnologias trazem potenciais impactos disruptivos no ecossistema financeiro e de pagamentos, o que é totalmente estratégico para o mercado no geral. Neste contexto, já temos investido em iniciativas que usam dados dos usuários para facilitar o acesso dos clientes aos nossos produtos de forma geral, principalmente de crédito; no consumo de informações para conhecermos melhor o perfil dos nossos clientes, o que ele usa e busca inserir no seu dia a dia financeiro, e em apoiá-lo com a gestão financeira, apontando sugestões das melhores formas de como organizar o dinheiro. Possibilidades como essas que estão diretamente ligadas à nossa missão aqui na Neon de dar para os nossos clientes o domínio sobre suas vidas financeiras.

 M&M – Hoje, em que estágio esse projeto se encontra? Quais são os principais desafios do momento atual? 

Marcelo – Seguindo o cronograma e normas do Banco Central o mercado já tem acompanhado a implementação do Open Finance no setor bancário por três frentes: transformação interna do modelo de negócios, transformação tecnológica e comunicação com os clientes, porém, pelo fato da tecnologia ser desenvolvida em diversas etapas é necessário um esforço colaborativo envolvendo outras autoridades além do Banco Central, como a Comissão de Valores Mobiliários e Superintendência de Seguros Privados. Em paralelo também contamos com o desafio de garantir que os usuários tenham confiança no sistema e que entendam de forma clara os benefícios que serão obtidos por meio do compartilhamento de seus dados financeiros. No ano passado, a Neon identificou que apenas 6,1% da nossa base de clientes (que possuem conta também em outros bancos) já haviam escutado o termo e sabiam o que significava. Nesse processo temos reforçado por meio da comunicação em nossos canais a implementação e benefícios provenientes de cada uma das fases do Open Banking.

M&M – Olhando para o exemplo de outros países, que vantagens o open finance deve trazer? Como isso pode transformar o mercado brasileiro? 

Marcelo – Apesar do primeiro sinal de transformação proporcionada pelo Open Finance ter sido no território britânico, em 2018, o mercado brasileiro pode ser referência mundial de Open Finance ao ser o primeiro país do mundo a implementar o compartilhamento de informações também em seguros, investimentos, previdência e câmbio. Além disso, como previsto pela Pesquisa de Tecnologia Bancária de 2020, realizada pela FEBRABAN (Federação Brasileira dos Bancos), as pessoas estão mais conectadas e propensas a transacionar no meio digital, seja pela comodidade, pela agilidade ou pelas vantagens financeiras. A implementação do Pix como forma de pagamento, é um exemplo deste cenário. Na Neon, por exemplo, de novembro de 2020 a outubro de 2021, registramos por mês, um aumentou de mais de 38 vezes no volume de transações com Pix, um crescimento médio de 23% mês a mês. Essa movimentação o mercado não observava desde o surgimento do pagamento por aproximação. Com isso, acredito que a partir da melhor contextualização sobre os termos, o brasileiro estará aberto para adotar o Open Finance em uma velocidade maior do que aconteceu em outros países.

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