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Como a monetização pode evoluir na creator economy

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Como a monetização pode evoluir na creator economy

Maria Teresa Arnal, head da Stripe para a América Latina, analisa as tendências que devem ganhar força com a economia dos criadores

Taís Farias
14 de março de 2022 - 6h00

Maria Teresa Arnal: “O principal desafio que vemos é educacional. Tanto os criadores quanto as plataformas que hospedam seu conteúdo lidam com a complexidade desse mercado” (Crédito: Divulgação)

Creator economy ou economia do criador, em tradução livre, é o conceito usado para definir a nova fase da economia em que, por meio das ferramentas digitais, os criadores de conteúdo são capazes de monetizar e acessar a receita de suas criações. Esse movimento passa pelas empresas desenvolverem serviços e ferramentas que auxiliem os influenciadores nessa jornada. Exemplo disso são plataformas como a Twitch, o Instagram, TikTok e OnlyFans. Mas elas não são as únicas. Pequenas empresas de tecnologia e startups estão enxergando o potencial da creator economy para gerar receita. A Stripe, usa seu software para permitir que indivíduos e negócios recebam pagamentos, e vem apostando na economia dos criadores. Em entrevista, Maria Teresa Arnal, head da startup para a América Latina, analisa os desafios e descreve um caminho de educação pela frente, para empresas e criadores

Meio & Mensagem – Como vocês avaliam o cenário de influenciadores hoje? É possível dizer que já vivemos a creator economy?

Maria Teresa Arnal – A creator economy vai além dos influenciadores. Há inúmeros autores, pesquisadores, artistas e outros produtores de conteúdo com públicos de diferentes tamanhos e em diferentes locais que querem, e podem cada vez mais, viver do que produzem a partir do financiamento dos fãs e seguidores.

Os criadores têm hoje muitas ferramentas à sua disposição para iniciar um novo negócio, e alguns estão deixando seus trabalhos tradicionais para perseguir suas paixões online e em tempo integral. Estes criadores dependem da internet para gerar renda, por isso é essencial que as plataformas de conteúdo ofereçam experiências de pagamento sem atrito tanto para quem paga quanto para quem recebe, para que estes novos profissionais sejam pagos de maneira descomplicada.

De acordo com nossos dados de 2021, a creator economy pode ter nascido nos EUA, mas o Brasil teve um dos maiores crescimentos anuais (171%) em novos criadores entrando neste mercado. Em outras palavras, o Brasil deve ver sua creator economy continuar a crescer exponencialmente na medida em que o público se torna cada vez mais confortável em financiar e comprar conteúdo on-line.

M&M – Quando o assunto é monetização desse mercado, hoje, quais são os principais desafios?

Maria – Hoje a monetização é feita por meio de diferentes formatos, tais como venda de ingressos, gorjetas de fãs, assinaturas de conteúdo, inscrições em canais e muito mais. Conteúdos exclusivos e patrocínios permitem aos criadores produzir conteúdo sem depender de publicidade.

O principal desafio que vemos é educacional. Tanto os criadores quanto as plataformas que hospedam seu conteúdo lidam com a complexidade desse mercado. A boa notícia é que empresas, como a Stripe, oferecem soluções de pagamentos unificadas e eficientes, que requerem esforço mínimo de integração, além de facilitar o trabalho dos times de compliance. As plataformas podem atrair novos produtores, os criadores começam a oferecer seus produtos muito rapidamente, e podem se concentrar no que fazem de melhor: criar conteúdos interessantes.

M&M – Em paralelo, que soluções e tendências emergentes devem ganhar força nesse cenário?

Maria – A tecnologia e a digitalização acelerada impactaram a creator economy, resultando em um crescimento significativo que foi intensificado pela pandemia. Em paralelo, as plataformas de conteúdo terão que atender às exigências desta nova categoria de profissionais, que querem um espaço online moderno em que possam engajar seus clientes.

Para avaliar seu impacto, estudamos a creators economy medindo o crescimento de 50 plataformas globais de conteúdo que usam a Stripe. Entre as mais populares: Substack, Super Follows do Twitter e Buy Me a Coffee.

Nossos dados de 2021 mostram que, no mundo todo, somando a monetização acontecendo dentro destas 50 plataformas, os criadores de conteúdo logo passarão de mais de 10 bilhões de dólares em receita. Os criadores de conteúdo estão estreando no mundo digital em um número recorde: em um ano, o número de creators subiu 48%. No total, estas plataformas juntas possuem 668.000 criadores de conteúdo.

M&M – Que oportunidades a creator economy representa para empresas de tecnologia e finanças?

Maria – As oportunidades são ilimitadas à medida que a creator economy continua a crescer. Se este conceito se baseia na venda de produtos e serviços criativos, as empresas financeiras que desejam atendê-la também terão de ser criativas para se manterem competitivas.

Ajudar os criadores a monetizarem seus talentos foi apenas o começo.Mais de 152 milhões de brasileiros estão interessados e dispostos a pagar por informações exclusivas ou conteúdos personalizados, de acordo com a pesquisa “TIC Domicílios 2020”, realizada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação) em parceria com a Unesco e o Cgi.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil). Mesmo que a “economia criadora” no Brasil ainda seja incipiente, a guinada não está tão distante. Esperamos ver – muito em breve – uma nova safra de criadores digitais bem instruídos sobre o que esperam das plataformas que comercializam seus talentos. Ao mesmo tempo, veremos um aumento da parceria entre estas plataformas e empresas de infraestrutura financeira, como a Stripe, para oferecer modelos de negócios inovadores e integrados.

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