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Inovação aberta: como as marcas trabalham com startups

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Inovação aberta: como as marcas trabalham com startups

Carolina Falcoski, da Nestlé, explica o conceito e como grandes empresas podem se aproximar desse universo

Taís Farias
11 de abril de 2022 - 6h00

Entre 2016 e 2020, o número de empresas que se relacionam com startups, por meio de iniciativas de inovação aberta, cresceu quase 20 vezes, de acordo com dados da plataforma 100 Open Startups. Na prática, o número de companhias que trabalhavam com a modalidade era de 82, em 2016, e saltou para 1.635 em 2020. Entre os setores que mais investiram em parcerias com startups estão os de serviços financeiros; alimentos e bebidas; varejo, comércio e serviços de distribuição; energia e serviços profissionais e comerciais.

 

Carolina Falcoski: “Podemos definir a inovação aberta como cocriação inovadora, desenvolvida em parceria com startups, universidades, institutos e grandes empresas, por exemplo” (Crédito: Divulgação)

Ao serem perguntados sobre os motivos que levaram a tal decisão, oito em cada dez executivos apontaram o desejo de encontrar soluções inovadoras para suas companhias. Uma dessas empresas é a Nestlé. Em julho do ano passado, a centenária do ramo de alimentos apresentou o Panela, plataforma dedicada à inovação aberta, que tem a função de ser a ponte entre o ecossistema de startups e universidades e a companhia. Desde 2018, quando começou os investimentos na área, a Nestlé já se conectou com 1,4 mil startups, implementou 30 projetos em escala e testou 100 pilotos com startups.

Carolina Falcoski, gerente de inovação aberta da Nestlé, explica o conceito e como grandes empresas podem se aproximar do universo das startups. Confira:

Meio & Mensagem – O que é inovação aberta? Como se pode definir esse conceito?
Carolina Falcoski – Podemos definir a inovação aberta como cocriação inovadora, desenvolvida em parceria com startups, universidades, institutos e grandes empresas, por exemplo. Com a inovação aberta, é possível reunir, inclusive, empresas dos mesmos segmentos que, em função de um bem em comum, podem se juntar para a criação e o desenvolvimento de solução inovadora, somando conhecimentos e competências diversas. A consideramos ferramenta essencial para gerar novos negócios, otimizar processos internos e incorporar novas capacidades em tempo recorde, com um olhar inovador para soluções que, muitas vezes, não encontraríamos sozinhos.

M&M – De que maneira a empresa pode incluir inovação aberta dentro de sua estrutura? Como altera os processos?
Carolina – Na Nestlé, de forma resumida, entendemos que existem alguns passos principais para que um projeto de inovação aberta flua. É preciso ter muito foco e pessoas de diferentes áreas fomentando esse tipo de inovação. Também é essencial ter a alta liderança da companhia envolvida, pois isso garante a realização, de fato, de projetos estratégicos. Além disso, é importante ter bom planejamento, desde o alinhamento de conceitos como a expectativa de tipo de projeto (prova de conceito, piloto, produto mínimo viável), passando por horizontes de desafios, até chegar no nível de maturidade dos parceiros. Em relação aos processos, foi necessário ajustar diversos para acelerar algumas entregas.

M&M – Do lado dos parceiros, quais são os benefícios de trabalhar com uma grande marca?Carolina – São vários os benefícios. Podemos citar, por exemplo, maior visibilidade, possibilidade de ganho de escala, que pode gerar exposição e o crescimento do parceiro, e a vantagem de testar a solução em uma situação real de negócio.

M&M – Quais critérios devem ser levados em conta na hora de escolher um parceiro em inovação aberta?
Carolina  – Consideramos que o principal critério é o nível de maturidade do parceiro. Ele precisa ser compatível com a natureza do projeto e com o momento da empresa que está demandando a solução para um determinado desafio. Por exemplo, se temos mais tempo de desenvolvimento, podemos trabalhar com uma startup que está começando, mas se precisamos de algo que já esteja bem avançado, talvez seja melhor escolher uma scale-up. O brilho nos olhos do empreendedor e do pesquisador também é algo que deve ser colocado na conta. Quem quer fazer acontecer, faz. E é isso que precisamos em uma grande empresa.

M&M – Como a inovação aberta ajuda grandes empresas a ganharem agilidade?
Carolina – Muitas vezes os parceiros já têm uma solução, que pode ser adaptada, o que ajuda a grande empresa a ganhar agilidade.  Além disso, eles também já são especializados no que precisamos desenvolver. Se não fosse pela inovação aberta, o processo interno demoraria muito mais, caso a empresa precisasse investir em treinamentos para gerar uma nova competência. Outro ponto importante é que, com a inovação aberta, operamos muito com pilotos, PoCs (proof of concept ou prova de conceito) e MVPs (minimum viable product ou versão mínima do produto) que duram cerca de 90 dias a 120 dias. Com isso, conseguimos validar hipóteses em pouco tempo, entendendo os caminhos que devem ser seguidos ou descartados. Parceiros como startups têm estrutura enxuta e muitos já operam com metodologias ágeis, o que também nos ajuda a organizar projetos em sprints (que são cada uma das fases).

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