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Web3: o que é e como impacta a publicidade?

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Web3: o que é e como impacta a publicidade?

Descentralização e cocriação pauta evolução da relação entre marcas e consumidores na nova fase da internet

Thaís Monteiro
14 de abril de 2022 - 10h02

A descentralização é um dos principais atributos da Web3 (Crédito: Shutterstock)

Cunhado por Gavin Wood, em 2014, o termo Web3 se popularizou com o advento das NFTs, criptomoedas e redes de blockchain. Ela se trata de uma evolução dos sistemas operacionais para se tornar descentralizados e dar maior controle para o usuário. Na publicidade, ela deve ditar uma nova forma de se relacionar com o consumidor.

A aplicação da Web3 está no meio do caminho. Segundo Caroline Nunes, fundadora da InspireIP, os pilares da Web já estão se consolidando, incluindo metaverso, plataformas rodando em blockchain, criptomoedas e NFTs.

Um atributo essencial da Web3 é a descentralização, em que o usuário pode colaborar com os desenvolvedores através de códigos abertos, que torna as plataformas mais acessíveis.

“A Web3 tem como fundamento ser uma rede aberta, provida de relacionamentos de confiança e sem a necessidade de permissão, que funciona em open source (código aberto)”, define Tallis Gomes, Charmain do G4 Educação e empreendedor da área de tecnologia. Isso também garante maior interoperabilidade entre sistemas diferentes, como é o objetivo final dos metaversos.

Um exemplo de como funciona a descentralização pode ser visto no sistema financeiro de criptomoedas, blockchain e metaversos em que o usuário pode participar da construção da plataforma. Caroline também menciona o conceito das Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs), que descreve um grupo de pessoas que está vinculado por regramentos codificados em uma blockchain.

“Por exemplo, em uma rede de supermercados governada por uma DAO, o preço de todos os itens seria escolhido pelos participantes da comunidade, de forma democrática e transparente”, explica.

A Bayz é uma DAO brasileira focada em desenvolver um ecossistema de jogos gestão de conteúdos, educação e desenvolvimento de comunidades. Guilherme Barbosa, diretor geral da Bayz, define a organização como uma união em que os membros são donos e gestores.

Nesse modelo, a comunidade também pode monetizar sua colaboração. “Com as novas formas de negócio, o X-to-earn, ou seja, participar para ganhar possui cada vez mais adeptos e modelos. Em games, temos o play-to-earn, no qual o jogador pode ser recompensado em criptomoedas com base no conhecimento e domínio desses jogos. E mais recentemente, vimos o create-to-earn, que difundiu o mercado de compra e venda de NFTs”, explica.

Em termos de negócios, na Web3 é possível empreender na automação de contratos inteligentes, o que “é claramente uma revolução na forma como as pessoas e as instituições se relacionam, além de mudar totalmente o fluxo de capital dentro da internet”, conta Gomes. O executivo faz parte de uma rede de empreendedores que forma a AlmaDAO, cujo objetivo é democratizar a Web3 investindo e oferecendo ferramentas e mentoria às empresas para explorar este novo universo.

As transações baseadas em redes de blockchain também garantem autenticidade dos produtos e menos possibilidades de fraudes.

Para a publicidade, a Web3 estabelece uma nova forma de engajar os consumidores, pois eles podem contribuir para a marca e agora passam a adquirir ativos digitais, como NFTs.

“Os recursos avançados de experiência do usuário da web descentralizada permitem que os profissionais de publicidade mergulhem em um mundo totalmente novo. Imaginem poder oferecer um NFT exclusivo para seus clientes mais fiéis? Ou permitir que os consumidores participem de decisões estratégicas da marca através de um sistema de DAO?”, sugere Caroline.

Para ela, a publicidade na versão três da web é completamente diferente da Web2, principalmente tendo o dado como commodity. Como os usuários das plataformas terão pleno controle de seus dados, as marcas terão que recompensar as pessoas para ter acesso às suas informações. Ao pedir permissão e compensar os consumidores pelos dados compartilhados, as marcas terão a chance de ficar mais próximas de seu público, criando experiências personalizadas e enriquecedoras.

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