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Segurança e descentralização: os desafios das fintechs

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Segurança e descentralização: os desafios das fintechs

Rafael Stark, do Stark Bank, primeira companhia brasileira a receber investimentos do fundo pessoal de Jeff Bezos, analisa o cenário das startups no universo das finanças

Taís Farias
10 de maio de 2022 - 11h19

Em abril, o Bezos Expeditions, o fundo pessoal de investimentos do fundador da Amazon, Jeff Bezos, investiu pela primeira vez em companhia brasileira. A empresa em questão é um banco digital voltado para médias e grandes empresas, o Stark Bank. O aporte de US$ 45 milhões foi liderado pelo Ribbit Capital, fundo mundial de investimento em fintechs e reuniu outras empresas. Essa é a segunda rodada de captação da Stark. Anteriormente, a startup já havia levantado US$ 13 milhões em rodada de investimentos inicial.

Rafael Stark: “O universo das fintechs nunca foi tão próspero na América Latina” (Crédito: Divulgação)

O movimento ilustra não só aposta individual na Stark Bank, mas a força das fintechs brasileiras. Segundo dados do Inside Venture Capital Brasil, realizado pelo Distrito Dataminer, em 2020, as fintechs receberam mais de 50% do montante total de investimentos no ecossistema de startups brasileiro. O segmento ainda superou os resultados de 2019, captando US$ 1,9 bilhão ao longo do ano. A própria Stark Bank, agora, pretende fornecer infraestrutura para outras startups. “Queremos impulsionar fintechs e permitir que possam emprestar dinheiro usando nossa Cédula de Crédito Bancário (CCB) e que qualquer empresa possa emitir cartão com sua marca em menos de uma semana, gerando novas formas de receita”, conta Rafael Stark, fundador do Stark Bank. O executivo divide os desafios e oportunidades no horizonte das startups que levam tecnologia ao mundo das finanças.

Meio & Mensagem –  Qual é o cenário do mercado de fintechs?
Rafael Stark – As fintechs têm trazido grandes mudanças para o sistema financeiro nacional. Parte da receita de crédito dos grandes bancos está sendo tomada por elas. As grandes instituições financeiras têm criado os seus próprios bancos digitais para tentar atingir a velocidade de crescimento das fintechs. Elas chegaram trazendo mais facilidade, praticidade, competitividade e atendem desde as pequenas empresas de forma diferenciada, o que muitas vezes esse público não consegue alcançar nos bancos tradicionais.

M&M – Quais são os principais desafios das startups que unem tecnologia e finanças?
Stark – Nos próximos meses, vamos observar uma larga evolução de tecnologia nos produtos financeiros, possíveis interoperabilidades do mercado, mais inteligência e um aumento de competitividade no setor financeiro e bancário. Com esses avanços tecnológicos o mercado B2B será beneficiado, pois terá uma gama maior de produtos e serviços bancários, podendo optar pela melhor oferta. As fintechs, por exemplo, que já surgem com uma tecnologia avançada, irão intermediar o contato entre grandes instituições financeiras e clientes nos variados segmentos. No entanto, toda novidade pode ter vantagens e desvantagens e exige um tempo de adaptação. Em relação a isso, um ponto muito importante é que o consumidor saiba com quem ele está compartilhando seus dados. É fundamental verificar se a empresa com quem ele compartilhará os dados é uma instituição financeira com registro no Banco Central. Para as instituições financeiras, é imprescindível ofertar segurança que garanta a operação de ponta a ponta, em especial a integridade das transações bancárias, ou seja, que nenhum hacker altere as transações durante seu percurso até o banco. Então, é fundamental que todas as partes estejam bem engajadas em trabalhar com segurança máxima. E, como boa parte dos golpes acabam sendo muito mais uma engenharia social que um problema sistêmico, as pessoas precisam estar atentas sobre a confiabilidade das empresas que receberão seus dados.

M&M – Quando surgiram, o diferencial das fintechs era descomplicar o sistema financeiro por meio da tecnologia. Com a popularização desse conceito. Onde as novas tecnologias vêm sendo alocadas? Quais são os focos de investimento?
Stark – A Stark, por exemplo, irá inaugurar uma unidade de negócios para vender infraestrutura com foco em fintechs e instituições financeiras. A Stark Infra oferecerá APIs para participantes diretos e indiretos do Pix, Card as a Service (CaaS – emissão de cartão com a marca da empresa) e emissão de CCBs (Cédula de Crédito Bancário) bancarizando operações de crédito. Nosso objetivo é que qualquer empresa que deseje participar do Pix possa integrar com o Banco Central em uma semana. Queremos impulsionar fintechs e permitir que possam emprestar dinheiro usando nossa CCB e que qualquer empresa possa emitir cartão com sua marca em menos de uma semana, gerando novas formas de receita. Gostamos de simplificar criando a melhor tecnologia e a Stark Infra está oferecendo as mesmas APIs que a Stark Bank usa para conectar ao Bacen e a Mastercard.

M&M – Que tendências e tecnologias emergentes estão no radar das fintechs e devem transformar a realidade do ecossistema financeiro?
Stark – Os avanços tecnológicos trazidos pelas startups de inovação no setor bancário se tornaram uma ponte para o sucesso das organizações, fazendo com que as empresas melhorem seus produtos e serviços e agreguem valor à sua proposta de negócio. O universo das fintechs nunca foi tão próspero na América Latina. O setor de tecnologia financeira cresceu globalmente, impulsionado pela pandemia da Covid-19 e a digitalização acelerada que o setor passou. Como a Stark Bank já nasceu digital, essa aceleração apenas validou nosso modelo de negócio e a forma como endereçamos nossos produtos e serviços, a partir do momento em que houve essa ascensão digital, já estávamos prontos para absorver as demandas e suprir a dor do mercado.

M&M – Como o open banking vem mudando a dinâmica das startups de finanças? Como estão se preparando?
Stark – O open banking é um sistema bancário aberto. Um ponto importante nesse cenário é que com o Open Banking, os dados voltam para quem é de direito, o usuário, que com isso, poderá escolher para onde quer levar, sem ter que começar um relacionamento do zero com um novo player. Assim, o banco deixa de ser dono do dado e vira hospedeiro dos seus dados. A tecnologia que viabiliza essa troca de informações são as APIs. Dessa forma, o open banking muda a experiência das pessoas com os bancos. Hoje é bem comum você acessar um site e ver um botão “Logar com o Facebook”. Ao apertar esse botão, aparece um pop-up do Facebook perguntando se você permite que o site acesse o seu email e foto. Ao dar permissão, você pode usar o site sem ter feito cadastro nele. Isso trará mais competitividade para o mercado financeiro, uma vez que compartilhando seus dados, o cliente terá maior oferta de crédito e produtos financeiros, com maior competição por preços e melhores serviços.

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