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Felipe, da Sócios.com: “Tudo vai ser tokenizado”

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Felipe, da Sócios.com: “Tudo vai ser tokenizado”

Head de business development da Sócios.com explica diferenças entre NFTs e fan tokens e adianta o futuro desse mercado

Thaís Monteiro
13 de maio de 2022 - 6h00

No Mídia Master de 2022, participantes do evento receberam um certificado de participação em NFT (token não-fungível). O recurso foi desenvolvido por Felipe Ribbe, head de business development da Sócios.com, que também participou como palestrante sobre Web 3.0.

 

(Crédito: Gustavo Scatena/Imagem Paulista)

A Sócios.com é uma empresa responsável por desenvolver fan tokens em parcerias com clubes esportivos. Ela realizou tokens de times de fora, como Barcelona e Paris Saint-Germain, de e-Sports, UFC e Fórmula 1. Ele é gerado a partir de uma rede de blockchain. Também foi ela a responsável pelo fan token do Flamengo, o Mengo.

O fan token é um ativo digital fungível de utilidade, ou seja, que dá acesso a bens e serviços. No caso dos clubes, ele representa uma porta de entrada para o comprador fazer parte de decisões do clube, com poder de voto, participação em negociação dos atletas, ter descontos em produtos oficiais, ingressos, acesso a conteúdos exclusivos e outras utilidades.

Além dos fan tokens, veículos, influenciadores e marcas estão apostando em NFTs como novas fontes de receita, engajamento e relacionamento. Ao Meio & Mensagem, Felipe Ribbe detalhou os usos e futuro dos tokens.

Meio & Mensagem – Qual é a diferença entre NFTs e fan tokens?
Felipe Ribbe –
A Sócios.com trabalha com os fan tokens, que são tokens fungíveis. Algo fungível é algo que não interessa se está na minha carteira ou está na sua carteira, sempre vai ter o mesmo valor. Então eles são “intertrocáveis”. No token não-fungível, cada um tem um valor interesse. Mesmo que eles sejam iguais fisicamente falando, você tem uma percepção de valor diferente da minha: para você vale X, você está disposta a oferecer X, mas para mim vale Y. Essa é a grande diferença entre algo fungível e algo não-fungível. Uma nota de 100 reais é fungível. Uma casa é não-fungível. A Sócios.com emite tokens fungíveis de organizações esportivas pelo mundo, que são os fan tokens. Fan tokens são tokens de utilidade. Quando você tem, eles te dão direitos a algumas coisas, como participar de votações relacionadas as organizações esportivas, participar de promoções especiais, resgatar experiências exclusivas com as organizações. É diferente de uma criptomoeda. Uma criptomoeda tem duas funções: pagamento ou reserva de valor. O token da Sócios.com flutua de valor como qualquer outro ativo, mas o fato dele valer um real ou cem reais não interfere na utilidade dele, por isso que ele é chamado de um de utilidade.

M&M – Como as marcas podem escolher entre um ou outro?
Ribbe –
Pepende muito do seu do seu objetivo né. Você consegue juntar os não fungíveis e os fundíveis. Então, por exemplo, um clube de membros. Você pode ter um clube de membros de formação de comunidade onde o título de membro por ser algo único ele é não fugível, ou seja, cada pessoa tem um título que pode vender. Você pode usar o NFT para o clube de membros e você usa o social token, para ser o token fungível, para ser uma moeda dentro desse clube, pra você estimular a participação das pessoas. Então, cada vez que eu curto post que eu retuito ou que eu contribuo, eu vou sendo remunerado com esses social tokens, esses tokens fungíveis ali dentro. São como se fossem pontos. Uma vez que eu tenho determinado número de pontos, eu posso trocar esses pontos por algum tipo de benefício. Para mim, a minha grande questão é essa: como que vocês juntam que é não fungível com fungíveis.

M&M – Os clubes de futebol parecem os mais ativos na criação de tokens enquanto as marcas no Brasil ainda estão começando a pensar. Ao que você atribui isso?
Ribbe –
Eu acho que ainda falta um entendimento das pessoas. E tudo que as pessoas não conseguem entender, elas tem medo, receio de entrar. Hoje tem formas de você começar, às vezes, até de graça, sem ter necessidade de contratar um desenvolvedor. São plataformas onde você consegue botar um produto no ar e começar a testar, começar a criar comunidade, ver como é que as pessoas reagem, se elas gostam, se elas não gostam até o momento que você tenha aprendizado suficiente e esteja seguro suficiente para fazer isso numa plataforma própria, contratar um desenvolvedor. Aí vai custar mais dinheiro e tudo mais, você vai chegar mais robusto. Então, eu acho que ainda falta das pessoas uma mentalidade, não só com Web 3.0, mas com tudo que é novo. A parte da inovação é justamente isso, né? Experimentar, errar, aprender, até você chegar num patamar bom.

M&M – Com a evolução da Web 3.0, qual pode ser o futuro dos NFTs?
Ribbe –
A Web 3.0 é tida como a camada de propriedade intelectual da internet. Então tudo pode ser toquenizado, não só ativos digitais como esse que estamos falando, mas os NFTs, por exemplo, podem ser representações de ativos físicos na internet. Então, por exemplo, já temos imóveis que são vendidos como NFTs, não só o imóvel completo, mas a escritura dele é substituída por um token não-fungível. Isso facilita muito a questão de custo. Obviamente, que a temos toda uma legislação por trás. Mas se você pensar nisso, pode reapresentar o fim dos cartórios, por exemplo. Não teria mais a necessidade de ter aquela representação autenticada em cartório, porque a autenticação é feita na própria blockchain. Você tem outros elementos também. Hoje, para a pessoa investir em imóvel, ela precisa ter uma condição financeira, mas a partir do momento que você tokeniza esse imóvel em vários em várias frações, em vários tokens, eu democratizo esse investimento, eu trago liquidez pro mercado que sempre foi líquido. Então uma pessoa pode começar a investir em frações de imóvel, por exemplo. Esso é um NFT que está lastreado e um bem físico, um bem do mundo real. A visão que se tem é que no futuro tudo vai ser tokenizado, ou seja, tudo go real vai ter uma representação autenticada na blockchain.

M&M – Quanto tempo você daria para isso começar a acontecer?
Ribbe –
Já temos muitas iniciativas, mas muito em caráter de experimentação e eu acho que a gente tem uma barreira grande educacional. É difícil você criar uma linha de tempo, mas eu diria que os próximos entre cinco e dez anos vamos ter uma evolução gigantesca em cima disso. Algo que eu sou muito entusiasta é a venda de ingressos. Hoje, temos dois grandes problemas quando falamos de venda de ingresso: uma é falsificação e o outro é o cambismo. Se eu transformo os ingressos em NFTs, eu acabo com a falsificação, porque eu consigo ir lá na raiz e saber quem que emitiu o que e eu consigo ter um controle sobre o mercado secundário, porque eu consigo programar o meu ingresso pra toda vez que ele for revendido, não só eu sei que ele está passando de mão em mão, porque eu consigo rastrear através da blockchain, como eu consigo ter sempre royalties em cima dessa revenda. Então, basicamente, eu acabo com o cambismo e faço com que o organizador do evento não só tenha o controle, como ele continue sendo remunerado nesse mercado secundário. Pode permitir muita coisa legal daqui para frente.

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