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Estúdios de games investem em dados para construir jornada

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Estúdios de games investem em dados para construir jornada

Rodrigo Terra, da Abragames e Arvore, explica como as informações anônimas de comportamento dos jogadores permeiam o desenvolvimento de produtos

Taís Farias
21 de julho de 2022 - 13h25

No início do mês, a Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) apresentou a primeira Pesquisa Nacional da Indústria de Games, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos. O grande destaque do estudo foi o dado de que, nos últimos quatro anos, o Brasil passou de 375 estúdios de desenvolvimento de games para 1.009. O número representa aumento de 169% no número de estúdios. O levantamento também mostra a distribuição geográfica desses negócios. O Sudeste concentra 57% dos desenvolvedores, seguido do Sul (21%), Nordeste (14%), Centro-Oeste (6%) e Norte (3%).

 

Rodrigo Terra, da Abragems e Arvore: “Só é possível tomar boas decisões baseadas, em parte, no que os dados mostram” (Crédito: Divulgação)

Os estúdios apresentaram grande envolvimento com o mercado internacional. Só em 2021, 57% das desenvolvedoras venderam seus serviços e jogos para empresas de outros países. Entre as muitas particularidades do meio, está o uso dos dados. Rodrigo Terra, presidente da Abragames e CTE da Arvore, explica como as informações anônimas dos usuários permeiam todas as etapas da produção de games e o que os executivos podem aprender com isso.

Meio & Mensagem – Quais são as principais ferramentas usadas para obter dados sobre o comportamento dos jogadores e suas preferências?
Rodrigo Terra – Existem muitas ferramentas de aquisição, tratamento e consolidação de dados de comportamento in-game, sempre de forma anônima, mas que revelam para os estúdios importantes informações e geram insights. Cada segmento da indústria de desenvolvimento de games usa um perfil de ferramenta mais do que outro. Jogos mobile multiplayer, por exemplo, precisam monitorar 24/7 como os jogadores estão se saindo em determinada fase, se obstáculos (inimigos, Non Playable Character – NPC, ou personagem não jogável etc.) estão fáceis ou difíceis, se jogadores estão ficando “poderosos” rápido demais para determinada fase do game ou contra outros jogadores, e agir rápido em rebalanceamento do jogo, pois isso pode levar a um desinteresse muito rápido e afetar retenção.

M&M – Como esses dados são transformados em insights? Quais são os principais desafios desse processo?
Terra – São tratados por times de produto, game designers, marketing, produtores e transformados em relatórios de minutos, dia, semana, meses e anos. Ajudam desde o balanceamento do game design até informar ao marketing quais aspectos do jogo estão fazendo mais sucesso ou não. Os desafios são vários. Como os dados são anônimos, perfilar uma persona necessita de muitos cruzamentos e, dependendo da natureza do jogo, como, por exemplo, games que envolvem matchmaking de partidas, precisam ter poder de processamento em nuvem ou servidores capazes de dar conta e fazer o ajuste fino.

M&M – De que maneira as informações obtidas são incorporadas nas atualizações e novos games?
Terra – São importantes como forma de escutar a comunidade de jogadores, sejam casuais ou assíduos de um jogo. Informam sobre preferências de aspectos do jogo que podem ajudar os desenvolvedores a criar features, corrigir bugs, redesenhar parte do jogo que não esteja engajando bem etc. Em novos jogos, ajudam a evitar erros de design, entender predileções por gênero, estilo, formato etc.

M&M – Como as empresas do meio vem olhando para ferramentas de big data? Como essa tecnologia pode ajudar no desenvolvimento de produtos?

Terra – Quase todo estúdio usa big data e data analytics, com pouco investimento ou muito. As fontes podem ser diversas, gratuitas, pagas e bem pagas. Principalmente para jogos online que dependem desses dados para aumentar o ciclo de vida de um game em produção (aquele que está no ar, está live) e claro, contribuir para o resultado do jogo para o estúdio. O sucesso é medido através de cruzamento de dados de vendas, impacto de mídia, conversas em redes sociais e ajudam todos os times, desde development operations (DevOps, Live Ops) até tomadas de decisão pelos stakeholders se um game continua ou não seu desenvolvimento ou mesmo sua vida depois de lançado. Só é possível tomar boas decisões baseadas, em parte, no que os dados mostram.

M&M – No futuro, que papel os dados devem exercer na indústria de games?
Terra – Vai informar mais, sempre reforçando que é de forma anônima e segura para o jogador, sobre suas preferências e comportamento. Será possível saber ainda mais se um jogador é tóxico ou moralmente questionável baseado no comportamento online e a análise constante da massa de dados, escalável através de inteligência artificial (IA) e práticas responsáveis de aquisição e tratamento.

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