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“Aprender e fazer são dimensões inseparáveis na Educação 4.0”

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“Aprender e fazer são dimensões inseparáveis na Educação 4.0”

Mariana Rosa, gerente de CSR da HotMart, pontua a função dos recursos tecnológicos no cenário atual de educação

Giovana Oréfice
5 de agosto de 2022 - 11h53

A chamada educação 4.0 não se limita às aulas online, hoje funcionando em uma dinâmica híbrida. Ferramentas tecnológicas como metaverso, inteligência artificial e internet das coisas — que estão em pauta em diversos segmentos — também são aliadas da revolução que a digitalização está fazendo também na educação. Contudo,  aplicabilidade deles é mais complexa do que se imagina. “O mais importante na Educação 4.0 não é focar nos recursos tecnológicos, mas na internação que esses recursos podem proporcionar e viabilizar que a gente expanda, amplie o acesso, democratize”, aponta Mariana Rosa, gerente de comunicação corporativa e responsabilidade social da Hotmart. Fundada em 2011, a plataforma se posiciona no mercado como empresa global de tecnologia, e conta com mais de 1.700 colaboradores em oito países – entre eles o Brasil –, e vendas em mais de 180 nações pelo mundo.

 

Mariana Rosa, gerente de CSR da Hotmart (Crédito: Divulgação)

 

Ao Meio & Mensagem, a gerente explica a origem e cenário por trás da Educação 4.0, maturidade da nova era no País e barreiras para sua expansão:

Meio & Mensagem – Como você definiria a educação 4.0?
Mariana Rosa – Dando um passo atrás, com as novas tecnologias como a Internet das Coisas, Big Data, Inteligência Artificial. Tudo isso faz parte do que a gente chama de Revolução Industrial 4.0 que são são mudanças recentes e bastante profundas que impactam muito diretamente a vida da gente, inclusive, no modo de educar e também de aprender. Para acompanhar esse processo da Revolução Industrial 4.0 é que veio a chamada educação 4.0, que é uma forma de pensar na autonomia dos alunos, o uso da tecnologia para incidir na experiência deles. Então, aproveitamos a tecnologia para estabelecer novas conexões. Não é a tecnologia pela tecnologia. O que fazemos é o uso da tecnologia para incidir na experiência dos alunos, ampliar os acessos, as relações e conexões que eles podem fazer com foco sempre na autonomia e na diversificação das ferramentas de ensino. Estamos falando de incluir robôs, impressoras 3D, linguagem, computacional? Sim, mas não só isso. Estamos falando de poder compartilhar e estabelecer comunidades com pessoas para além dos limites geográficos que o presencial nos possibilitaria, por exemplo; em pensar em conjugar modos diferentes de acessar o conhecimento.

M&M – A Hotmart se posiciona como uma empresa de tecnologia que fomenta a educação. De que maneira ela se posiciona neste cenário?
Mariana – Eu diria que a Hotmart é parte desses dois movimentos que eu mencionei: ela é parte da Revolução Industrial e da Educação 4.0. No caso da Revolução 4.0 é onde a empresa se situa, ela já nasceu nesse momento e com outro mindset, com outra forma de atuar e outros objetivos. Mas, ao mesmo tempo, ela também contribui e oferece as ferramentas para que a gente viva as experiências de transformação nos modos de ensinar e de aprender no meio digital. Ela é o meio para a Educação 4.0: ela está nessa indústria e está promovendo, pelo seu negócio, a Educação 4.0. A maior mudança nesse cenário tecnológico está em a gente repensar essas abordagens no ambiente digital que possibilitam acesso e construção de conhecimento, e colocar isso a serviço do maior número de pessoas possível.

M&M – A pandemia foi um grande fomentador dessa nova era da educação, mas quais são as barreiras para a evolução disso no Brasil? Temos espaço para evolução?
Mariana – Sim, temos espaço porque as possibilidades que a tecnologia traz, e o ambiente digital sobretudo, são quase que incontáveis, são inúmeras. Mas sabemos que existe ainda uma grande parcela da população que não tem Internet ou tem um acesso precário. Isso é uma barreira nos países que ainda estão em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. No caso da população mundial, mais ou menos 47% ainda não está conectada. E esse número é bem parecido no Brasil. E mesmo com aquelas que tem esse acesso, não sabemos como — às vezes usando a Internet do bairro, do shopping, uma Internet que não é constante ou que não tem qualidade para sustentar, por exemplo, a difusão dos conteúdos online, cursos, podcasts. Esse é um empecilho. Só na Hotmart temos 35 milhões de usuários no mundo. É muita gente conectada e que já está em uma ponta ou outra: seja disponibilizando produtos digitais, seja consumindo esses produtos. Eles já estão se beneficiando desse ambiente e de uma abordagem que podemos dizer que é coaduna com os princípios da Educação 4.0.

M&M – Em comparação com os outros países, em que estágio estamos?
Mariana – Aqui ainda estamos começando. Em outros países, como os Estados Unidos, principalmente, já se bastante de Educação 4.0. No Brasil, ainda falamos pouco, é pouco difundido. Ainda parece um futuro distante. É preciso lembrar que a pandemia, assim como tantos cenários de emergência, climática, ambiental, … costumam ser chamados de aceleradores de futuro. Coisas que iam demorar para acontecer de repente se aceleram e se intensificam naquele contexto. Foi isso que aconteceu com o acesso e o consumo no ambiente digital durante a pandemia e, embora esse crescimento pós-pandemia esteja menor do que o durante, ele se mantém em ascensão e continua crescendo. É um mercado muito promissor e, portanto, a Educação 4.0 tende a ser alavancada também. Se pensarmos nos países em desenvolvimento, no Brasil especificamente, tem uma característica da Educação 4.0 que eu acho que nos favorece, que é o princípio learning by doing, significa aprender fazendo. É feita uma experimentação prática, você pensar aprendizagem o tempo todo mediada pela tecnologia. E isso faz muito sentido no nosso cenário em que as pessoas muitas vezes buscam os produtos digitais, os cursos, os podcasts, os e-books, para pensar em uma profissão, para mudar a carreira ou para desenvolver um ofício, para empreender. Então a pessoa vai aprender e empreender ao mesmo tempo. Ela ela vai colocar em prática isso tudo — o learning by doing traz a ideia de que os alunos vão aprender coisas diferentes, de maneiras diferentes, com experiências, projetos, testes, hipóteses. Muito vão na massa. Aprender e fazer são dimensões inseparáveis na Educação 4.0. Principalmente, por meio de projetos, e isso é uma condição favorável para quem precisa aprender, mas precisa ganhar um dinheiro já.

M&M – Na sua visão, qual é a importância e funções de startups e empresas como a Hotmart para fomentar a Educação 4.0?
Mariana – No caso da Hotmart, a importância é bastante decisiva inclusive porque falamos de viabilizar tecnologias que são necessárias para que a Educação 4.0 se estabeleça. Saiu uma pesquisa recentemente do Fórum Econômico Mundial que diz que 70% do valor criado na economia na próxima década vai ser baseado nos modelos de negócios de plataformas digitais. A Hotmart é uma empresa global de tecnologia que está com um ecossistema: tem plataformas que fazem com que as pessoas possam hospedar os seus conteúdos, comercializar, criar comunidades de aprendizagem, que é outra característica também da Educação 4.0. Temos uma tecnologia que é a Sparkle, em que as pessoas podem se encontrar e fazerem trocas e aprenderem de maneira síncrona, assíncrona, e trocarem experiências. Acho que a importância é essa: primeiro, estar apontando para uma tendência de futuro em que essa importância vai ser crescente e, sabendo disso, aproveitando o o momento, está o tempo todo investindo em inovação, em tecnologia, em desenvolvimento de programas para que a gente possa ter as melhores tecnologias para sustentar esse movimento. Não só oferecer as melhores, mas de modo integrado.

M&M – Empresas consideradas mais “tradicionais”, que não nasceram nesse berço de inovação, já estão se adaptando a essa realidade?
Mariana – Não sei se eu consigo dizer por todas, mas acho que é um processo que está em curso. Eu percebo que há um movimento nas empresas de querer investir, por exemplo, em digitalização, em automação, mas não podemos confundir isso com Educação 4.0. Esses são aspectos ligados à Revolução Industrial 4.0, que não necessariamente tem a ver com educação. Educação 4.0 seria as empresas investirem em ambientes em que os seus colaboradores pudessem trabalhar em projetos, programas, decisões, em que eles assumissem riscos e responsabilidades em conjunto, em que pudessem desenvolver uma visão estratégica de longo prazo e tomar iniciativas frente a esses desafios, em que eles tivessem uma postura mais empreendedora. As empresas que são muito hierarquizadas, com uma hierarquia muito rígida, elas tendem a não conseguir estabelecer esse modelo de autonomia mais horizontal, de assumir riscos de responsabilidade, testar ao mesmo tempo fazer.

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