Proxxima
Meio & Mensagem

O que planejar para a Black Friday mais digital dos últimos tempos?

Buscar

Opinião

Publicidade

O que planejar para a Black Friday mais digital dos últimos tempos?

Todas as empresas que possuem algum produto, bem ou serviço que precisaram seguir vendendo frente à pandemia, precisaram rever sua estratégia de e-commerce

6 de novembro de 2020 - 8h00

Alexandra Bello Mendonca

Estamos vivendo talvez o ano mais “desafiador” (aspas porque temos muitos adjetivos para classificá-lo) dos últimos tempos quando praticamente todas nossas certezas e crenças frente a muitos aspectos foram colocadas à prova. No varejo físico e no e-commerce, o ano de 2020 não fugiu à regra e está sendo um grande marco referencial de crescimento expressivo e de “viradas de chave” gigantes.

Absolutamente todas as empresas que possuem algum produto, bem ou serviço que precisaram seguir vendendo frente à pandemia, precisaram também rever sua estratégia de e-commerce. Quem não tinha uma definida ou estava pensando em algum grande trunfo, viu-se obrigado a subir operações robustas do ponto de vista logístico, operacional, mas sobretudo tecnológico, em 15 dias e não em 15 meses. Segundo pesquisa realizada pelo Movimento Compre&Confie em parceria com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) o e-commerce brasileiro faturou 56,8% a mais nos oito primeiros meses de 2020 em comparação com igual período do ano passado e desde o início da pandemia mais de 135 mil lojas aderiram às vendas pelo comércio eletrônico para continuar vendendo e mantendo-se no mercado.

E logicamente o tema Black Friday já chegou nas rodas de discussão com mais força, talvez com menos respostas definitivas. Escrevo sobre o comportamento do consumidor no ambiente digital há alguns bons anos, e não é novidade que o omnichannel deixou há muito de ser tendência na Black Friday para ser necessidade: o usuário tem um comportamento de buscar seus produtos em qualquer plataforma, seja no site próprio, nos marketplaces, nas redes sociais e quem sabe ele não termina de comprar na loja física, este ano posto mais à prova. Agora o que fazer para engajar o consumidor neste ano de mudança de comportamento tão radical e consequente maior competitividade?

A necessidade de criar uma experiência de compra online mais personalizada é cada vez mais presente e deveria ser a regra para este ano. Tenho trazido muito para as discussões que o “básico” tem que estar garantido: produto, preço, frete, marketing e mídia nas plataformas corretas (para aprofundar em outro artigo). A pergunta de hoje é como promover de forma integrada uma experiência mais efetiva, eficiente e engajadora: buscar novas maneiras de agregar mais valor ao momento da compra em si.

 

“Não é novidade que o omnichannel deixou há muito de ser tendência na Black Friday para ser necessidade” (Crédito: Pixabay)

O autor do “The revenge of Analog” (“A vingança do analógico” em tradução livre) David Sax, lembrou que as lojas físicas são mais que lugares para trocar dinheiro por bens e os ambientes acabam sendo muito humanos na relação de compra e venda. Isso no mundo do varejo físico brasileiro realmente fez e talvez ainda faça bastante sentido, pensando na grandiosidade do nosso território (leia-se Brasil fora das capitais). Porém na experiência de compra virtual, o usuário compra “sozinho” contando apenas com a tecnologia dos algoritmos e da publicidade utilizada durante sua navegação, para encontrar a melhor oferta de um produto desejado. Será que não existe espaço de fazer diferente? O consumidor brasileiro tem em sua cultura a interação como um pilar forte e ainda percebe-se uma certa desatenção para a criatividade, tom emocional e branding durante a experiência de compra digital, onde as métricas e indicadores focam na “caixa” da performance ainda desconectados com o pilar das etapas iniciais do funil da jornada, mais direcionadas à construção de marca.

Sabemos que em muitas das nossas compras buscamos produtos ou serviços que tragam significado ou solucionem alguma necessidade e que sejam bons negócios do ponto de vista financeiro. Então, por que não criar engajamento emocional utilizando esses comportamentos durante todas as etapas da jornada? Inclusive na etapa mais propensa da conversão surfando a onda da Black Friday sem dúvida mais digital dos últimos tempos? Não seria esse o papel das marcas junto ao varejo de, definitivamente, mudar o patamar da mídia voltada à conversão? Ainda em tempo de revermos nossas estratégias para o ultimo trimestre deste atípico e desafiador 2020.

Compartilhe

Publicidade