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Entretenimento omnichannel

Vivemos um momento de grande crescimento e popularização da economia de compartilhamento

13 de novembro de 2020 - 8h00

Felippe Guerra

Olá e sejam bem vindo(as)
Aprendi bem cedo que não tem como iniciar uma conversa sem dizer um olá bem animado e recepcionar muito bem seus convidado(as). Pois bem, sou o Felippe Guerra, começo hoje essa nova jornada aqui no Proxxima e quero muito poder contar com o feedback de vocês, leitores, para a cada dia mais trazer conteúdos que contribuam na construção de um mercado cada vez mais inovador, inclusivo e, por que não, divertido.

Primeiro de tudo, quero trazer um Disclaimer: não me vejo como o dono da verdade ou oráculo do marketing e empreendedorismo, mas sim um profissional muito do curioso e observador que teve e tem a sorte de trabalhar com muita gente incrível ao longo dos últimos anos.

Hoje quero trazer um assunto que, de início, parece meio maluco: Entretenimento omnichannel. Essa sensação de estranheza ocorre porque o termo omnichannel vem do varejo, surgiu no começo dos anos 2000 com o crescimento do e-commerce e com a percepção de muitos varejistas da oportunidade de crescer as vendas ao adicionar novos e diferentes canais de compra em suas estratégias de conversão. O que passou a incluir lojas físicas, venda direta e lojas virtuais, surgindo primeiro como Multicanais onde o consumidor poderia comprar um algo em diferentes formatos de ponto de venda, mas que não eram unificados.

Desta forma, era possível adquirir um tênis no site, mas não trocar o item em uma loja física e/ou encontrar preços diferentes de acordo com o canal, ou ainda a possibilidade de o estoque acabar na loja física, mas ainda ter na online e você só poder comprar e-commerce. Nota-se que existiam inúmeras interrupções no processo de compra que, ao longo dos anos, foram sendo derrubadas, visando a otimização dos resultados. A partir daí, para nascer o omnichannel, foi um pulo.

Segundo o Sebrae, a definição de Omnichannel é: uma tendência do varejo que se baseia na convergência de todos os canais utilizados por uma empresa. Trata-se da possibilidade de fazer com que o consumidor não veja diferença entre o mundo online e o offline. O omnichannel integra lojas físicas, virtuais e compradores.” A multicanalidade, como o nome diz, nada mais é do que conseguir impactar seu cliente em diferentes canais

Mas o que tudo isso tem a ver com entretenimento? MUITO! Vivemos um momento de grande crescimento e popularização da economia de compartilhamento, vide Netflix e Spotify, enquanto as plataformas de mídias sociais concentram cada vez mais a atenção das pessoas. Some a tudo isso, um novo comportamento do consumidor que vem se mostrando visivelmente incomodado com o marketing de interrupção – aquele que impacta o público enquanto ele consome algum tipo de conteúdo de seu interesse -, temos o cenário perfeito para a construção de uma nova forma de entreter o consumidor. Sai de cena o foco em criar para um canal específico para divulgar/consumir determinado produto e nasce a construção de momentos e/ ou conteúdos que circulam em multiplataformas com o mínimo de interrupção possível.

Atualmente, podemos observar dois mercados que já tem que estão bastante avançados nestes conceito: o de games e a de cinema. Hoje você pode começar um jogo no console e terminar no celular, por exemplo. Já no audiovisual, para mim, a opção de assistir sua série preferida uma parte no celular, dentro do busão, e o restante durante aquela pausa do trabalho, no notebook, e terminar de maratonar na TV de casa, a noite é algo incrivelmente impactante para uma percepção do que é uma experiência prazerosa dentro do entretenimento. Você não precisa se preocupar com onde parou assistir e ter que acessar tudo do zero.

Até as novelas da Globo já entraram nessa onda com o Globoplay e com inovações como a personagem Vivi Guedes, vivida por Paolla Oliveira em A Dona do Pedaço (2019), que atingiu 2 milhões de seguidores no Instagram em cinco meses, revoltando a internet quando a emissora trocou a conta da personagem por uma de moda. O sucesso foi tanto que o perfil volta a rede social, agora em uma nova versão focada no público internacional, de olho no inicio da exibição da novela pela Univision, nos EUA.

Ao meu ver, esse é um caminho sem volta. Como vemos no varejo, o omnichannel oferece um “ganha-ganha” para todos. E por que não no entretenimento? De um lado o consumidor que passa ter um poder de escolha ainda maior e do outro creators, artistas, marcas e plataformas que otimizam e ampliam o impacto de seus conteúdos. Toda essa movimentação me leva a crer que devemos mudar, até mesmo, a forma como um conteúdo criado para entreter é pensada. Deixando de lado o protagonismo do lugar onde será veiculado, nasce a ideia de adaptação de um fragmento daquele conteúdo com o objetivo de obter maiores e melhores resultados na plataforma em questão. Arrisco dizer que, a partir de agora, fisgar a atenção e o bolso do consumidor, estará cada vez mais condicionado a atendê-lo a qualquer hora e lugar, exatamente como e onde ele preferir.

Mas este é um papo bem mais longo e que vou deixar para outro dia.

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