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Ainda há muito o que aprender com as startups

As grandes empresas desafiaram suas verdades absolutas. As que ainda não tinham iniciado sua transformação digital, foram obrigadas a testar esses métodos instantaneamente

19 de novembro de 2020 - 8h00

Renata Favale

Com menos de 90 dias para finalizar o ano, já é possível fazer um balanço das lições que o mundo aprendeu ao longo dos últimos meses. Dos maiores aos menores países, todos foram afetados, em escalas diferentes, pelos reflexos da pandemia mundial oficializada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março, mas que dava seus primeiros passos ainda em 2019. Dentro deste cenário cheio de imprevisibilidade, vimos muitos desafios surgindo dia após dia, mas também muitas soluções e tecnologias que já existiam sendo revistas e avaliadas pelo o que realmente são: oportunidades de evolução para muitos modelos de negócio.

As grandes empresas desafiaram suas verdades absolutas. As que ainda não tinham iniciado sua transformação digital, seja por não acreditarem que os processos dariam para serem implementados – como reuniões virtuais, assinaturas online, telemedicina na área da saúde, ensino a distância, entre diversas outras questões – foram obrigadas a testar esses métodos instantaneamente. E o resultado foi muito positivo, pois viram que além de ser possível a continuidade do negócio, mesmo que a distância, ainda houve benefícios agregados, como produtividade, agilidade, implementação rápida, mais objetividade nos processos. Ou seja: apesar de suas complexidades, tiveram que aprender com as startups como lidar com esse modelo agile de funcionamento.

Enquanto lidavam com todas essas mudanças de comportamento e cultura, essas empresas perceberam que para se manterem relevantes, terem diferencial competitivo e estarem presentes na evolução do mercado, precisavam também inovar constantemente e acompanhar tendências e novas tecnologias. E quem melhor do que as startups para manter o mindset inovador em seu modelo de negócios? Além deste olhar, elas também trazem novas possibilidades para modernizar os processos, expandir áreas de negócios e estratégias de longo prazo.

O cenário atual é de recuperação gradual, e algumas grandes empresas inseridas no contexto de inovação estão usando o período para terem uma visão mais de longo prazo e aproveitando as oportunidades para fazerem aquisições estratégicas. Dentro desses planos, estão as startups. Isso porque ao adquirir uma startup, além das soluções apresentadas, as grandes empresas também compram tempo e agilidade para lançarem novos produtos ou abrirem novos mercados, além de talentos e a expertise e mindset de inovação

Não posso afirmar como será o futuro. Mas ouso dizer que ele será mais colaborativo e de aceleração no desenvolvimento do ecossistema de inovação. Da parte das grandes empresas, elas se deram conta de que o tamanho não é determinante para salvar a própria pele dependendo da adversidade, e que a inovação e transformação digital são realidades importantes nos mercados. As startups devem ter suas relações fortificadas para trazer frescor às grandes empresas, ajudá-las a sobreviver aos desafios, assim como para conquistar importantes investimentos, item essencial para seu amadurecimento e crescimento. Todas as pontas saem ganhando com essa união. E essas são as conexões base para o processo de inovação.

Nestes últimos cinco anos, já tínhamos um movimento crescente de colaboração entre startups e grandes empresas. Até 2018, dos investimentos de capital e risco que as startups recebiam, cerca de ⅔ vinham de grandes corporações, segundo a pitchbook & GCV Analytics. Isso mostra um ecossistema em crescimento e amadurecimento. A principal diferença entre o que acontecia no início de 2020 e o que vemos agora é que mesmo as empresas que não estavam próximas desse universo de inovação e tecnologia incorporaram um processo de transformação digital acelerado, e muitas tiveram que recorrer às startups e suas soluções para continuarem com suas operações. Ainda há um longo caminho a ser percorrido e muitas mudanças a serem feitas pelas grandes empresas em suas estruturas. Quanto antes elas entenderem que as startups são peças chave nessa transformação, mais força elas ganham em seus mercados. Nos próximos meses, veremos muitos resultados positivos provenientes dessas parcerias. Já vemos passos importantes sendo dados dentro deste contexto para um futuro repleto de sucesso.

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