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Da distopia à utopia

Como ser transformador no mercado de comunicação e manter a relevância

1 de dezembro de 2020 - 8h00

André Chaves

O mercado de comunicação sempre padeceu de um problema anacrônico que sempre foi a distopia do sistema. Uma distopia negligenciada e provocada por interesse e concentração de poder de poucos agentes, financiadas e suportadas pelas práticas como bonificação de volumes. Paradoxalmente, a indústria de comunicação foi a menos criativa em modelos de negócios nos últimos tempos. Talvez por não estar disposta a correr risco de perder seu status quo e pseudo-conquistas de alguns territórios. E ela justamente deveria ser movida pela criatividade.

Acontece que a revolução tecnológica desses últimos anos veio como um feroz tsunami. Invadiu a indústria e não deixou pedra sobre pedra. Nesse cenário, tivemos a explosão do crescimento das redes sociais, a perda do controle do poder da audiência, a desidratação dos veículos de mídia, a obsolescência das agências de publicidade e retirada da intermediação de muitos serviços. Enfim, nada adiantou prorrogar as mudanças necessárias e fundamentais para perpetuação e atualização de práticas do segmento.

Em 2020, todos os mercados passam por incríveis e necessárias transformações. Isso fica muito mais evidente nos setores como educação, jurídico e vários outros . Na comunicação, por sua vez, pouco se discute a respeito de futuros modelos de negócio e adesão de novas tecnologias. Posso citar um exemplo a respeito disso. Há três anos, quando eu era sócio de uma startup de realidade aumentada, fiz uma palestra durante o evento Próxxima. Falei que os criativos estavam perdendo uma chance imensurável com essa tecnologia. Não só os criativos, mas também toda a mídia impressa. Eles poderiam proporcionar experiências de uma releitura da com interatividade para uma nova geração ávida por novidades. Este é apenas um episódio. A realidade virtual e várias outras também não mereceram o destaque que mereciam. Acredito que exista uma preguiça setorial coletiva de aplicar e experimentar tudo o que a tecnologia pode fazer. Esses recursos, aliás, estão no roadmap estratégicos das big techs mundiais.

Se até aqui estou falando de distopia, qual seria a minha utopia? Agora chegamos aonde eu queria. Precisamos de um mercado criativo na essência, dinâmico, early adopter, trendsetter, além de ser descentralizado e que se torne um balão de ensaio de modelos disruptivos de mercado, como Nomadismo digital, blockchain, tokenização e algoritmo genético são termos que a nossa indústria tem que começar a discutir hoje – passou até da hora.

Para sairmos da distopia, temos que fazer o nosso mea culpa e irmos para a ação. . Estamos precisando de um choque de atualização urgente. Ou seremos um mercado vivendo do passado, como uma velha senhora contando suas peripécias e aventuras para os netos, numa cadeira de balanço, com madeira rangendo.

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