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Viver o presente? Simples, porém mais difícil que podemos imaginar

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Viver o presente? Simples, porém mais difícil que podemos imaginar

Não se aprisionar em conquistas, feitos e tristezas do passado, tampouco pensar e martelar ansiosamente pelo futuro com milhões de planejamentos

15 de janeiro de 2021 - 8h00

Alexandra Bello (Crédito: Divulgação)

Hoje peço licença para dentre tantas leituras que a pandemia nos proporcionou ao longo do ano passado, para trazer uma, talvez menos ligada ao nosso mundo de negócios e trabalho, mas interessante para o momento ainda de tantas incertezas e pensamentos sobre futuro.

Quem ainda não teve a oportunidade de ler “O Poder do Agora” best-seller de Eckhart Tolle pode pensar que se trata de mais um livro de autoajuda, busca espiritual com um misto de guru resolvendo os problemas do mundo que na verdade estão dentro de você. E até é um pouco disso tudo mesmo.

Porém o que achei mais rico em toda a obra, que escutei duas vezes em 2020, é como a simplicidade de algumas técnicas que vão tão de encontro ao nosso dia a dia, ou melhor dizendo, tão ao desencontro do que fazemos todo o tempo que tomo a liberdade de trazer essa reflexão para ao nosso mundo dos negócios: não sei se nos iluminaremos espiritualmente e nos livraremos de todo os males que nos habitam, mas quem sabe, mais focados poderemos ficar.

Como já diz o título, basicamente o livro resume-se a forçar o pensamento e a energia para o momento único do presente. Agir e olhar de acordo única e exclusivamente para o momento atual, no agora. Não se aprisionar em conquistas, feitos e tristezas do passado, tampouco pensar e martelar ansiosamente pelo futuro com milhões de planejamentos.

Agora imaginem isso no dia a dia corporativo: na maioria do tempo, nas tradicionais reuniões de planejamento estratégico você analisa números, highs, lows o ano todo. Aprendizados, que são do tempo passado. E depois: novas metas, planos, estratégias…olhando sempre para o futuro. Quão desafiador pode ser imaginar todas as horas do nosso dia em que trabalharíamos única e exclusivamente para aquela hora em específico. Será que talvez não estaríamos mais concentrados, com anseios muito mais controlados e colhendo resultados muito mais efetivos, mais profundos e quem sabe mais vivendo uma vida mais sana para nós mesmos?

Ainda faço o recorte com Marketing Digital e Tecnologia: diariamente tem algo novo surgindo, uma feature, uma ferramenta, uma start up, um novo modelo de negócio prestes a revolucionar o mundo. Como administrar a ansiedade de consumir tudo, estar ligado e antenado e ao mesmo tempo pensar na execução estratégica dos negócios atuais? Com primor e excelência? Tenho refletido muito sobre isso.

Outra parte interessante do livro, se traduz de alguma forma na auto responsabilização e na não-permanência, tanto para as coisas tidas como boas, felizes como para seu oposto. Daí acho que também dá para sacar outro bom insight: realmente tudo pode depender de alguma forma diretamente você, o quase clichê “protagonismo”. Às vezes, temos dias muito bons, conquistas e literalmente nos tornamos isso. O extremo oposto também ocorre e aí temos outro ponto do livro, retirado do Budismo: nenhum dos nossos estados da mente deveriam definir nossa identidade, pois são passageiros e não representam a nós mesmos.

Com a chegada de um novo ano, trazer isso um pouco mais para nosso dia a dia, ainda mais deste jeito que ainda estamos vivendo pode significar algo valioso a se colocar em prática. Tenho tentado, mas disciplinar a mente é algo realmente desafiador. No fim, recomendo a leitura!

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