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Novos tempos, novas habilidades: o lugar do profissional híbrido

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Novos tempos, novas habilidades: o lugar do profissional híbrido

A necessidade de unir competências chegou às agências porque não é mais possível manter a entrega desejada apartando disciplinas

19 de janeiro de 2021 - 8h00

Daniel Martins (Crédito: Divulgação)

A pandemia do coronavírus revolucionou cotidianos – pessoais e profissionais – e seus efeitos sobre a vida das pessoas, das empresas e da economia estão longe de se dissipar. Tudo indica que teremos um 2021 tão desafiador quanto 2020. Na coluna anterior, Sem cooperação não há transformação, falei um pouco do poder da cooperação para sustentar as transformações em curso no nosso mercado. Mas quem é o profissional necessário para fazer girar a roda da evolução, trazendo para o dia-a-dia o que já enxergamos na teoria?

Da horizontalidade que o trabalho cooperativo desenha, emerge o que podemos chamar de profissional híbrido. Mas tal conceito é francamente deturpado: não se trata de alguém apenas capaz de transitar por várias disciplinas, ou um generalista faz-tudo. O profissional híbrido é aquele capaz de construir novas habilidades tendo como alicerces especialização e experiência. Ou seja, mais do que hibridez, trata-se de flexibilidade para desenvolver novas habilidades.

A especialização segue como fundamental, mas ganha uma ótica híbrida, pois não é mais viável contar apenas com este perfil. A hibridez parte da capacidade de conversar, discutir e trabalhar em alto nível em disciplinas que até então caminhavam separadamente. Os caminhos inevitavelmente se cruzam na construção da publicidade de hoje. Hibridez, portanto, implica a soma de experiência e flexibilidade, porque é preciso ter vivido a especialização para se tornar de fato um profissional híbrido, mas com a adaptabilidade necessária para novos modelos de trabalho. Numa estrutura de fato colaborativa, não há espaço para gavetas fechadas à chave.

Em 2017, quando a Ogilvy implantou seus content studios, os primeiros liquid designers chegaram à agênciaprofissionais originários da direção de arte ou do motion design capazes de circular pela ampla gama de formatos visuais e criativos exigidos pelas novas plataformas de comunicação das marcas. No ano passado, começamos a apostar na função de product manager. Nativos das startups e empresas de serviços de tecnologia, este perfil une habilidades antes esperadas de dois ou três profissionais distintos, unindo as visões estratégica, operacional e consultiva.

A necessidade de unir competências chegou às agências porque não é mais possível manter a entrega desejada apartando as disciplinas. Mas uma só será valiosa se partir da experiência em outra. Nunca é sobre desprezar a experiência pregressa, e sim agregar e permitir que esse profissional circule e atenda a variados desafios. De novo, trata-se da flexibilidade para o novo.

Além disso, a inovação tecnológica é acelerada e estão disponíveis um sem-número de ferramentas capazes de agilizar processos e melhorar exponencialmente a qualidade das entregas. Neste aspecto, também se impõe a necessidade de profissionais capazes de extrair o que de melhor as ferramentas podem oferecer, conciliando essas facilidades à expertise. Mas isso é assunto para uma outra coluna.

Se é verdade que vendemos soluções aos nossos clientes, é mais verdade ainda que a cereja do bolo do que entregamos é a criatividade, é o que a mente de nossos profissionais é capaz de produzir. No centro de tudo está o humano e sua capacidade de criar, aprender e transformar.

* Daniel Martins é chief transformation officer da Ogilvy Brasil 

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