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Edutainment é a transformação através do tempo bem utilizado

Ao juntar educação e entretenimento, além de entregar conteúdos mais interessantes, os comunicadores ajudam na mobilidade de social do país

1 de março de 2021 - 8h00

Felippe Guerra* (crédito: divulgação)

Educação e entretenimento sempre andaram por caminhos separados. Particularmente, sempre achei muito interessante como a educação tinha essa coisa mais erudita, de informação. Já o entretenimento, vem, até hoje, como uma coisa para você fugir da realidade. A premissa sempre foi que o entretenimento não educava tanto e a educação não era divertida.

Só que, ainda bem, isso vem mudando ao longo dos anos e diversos casos mostram o poder quando esses dois pilares da vida humana se misturam. Um case que precisamos olhar é da Disney World. Sempre olhamos para uma viagem para esses parques com foco apenas na questão da diversão e ignoramos o ponto de vista educacional que é possível viver lá. Um exemplo mais próximo da gente é o documentário “É Tudo Pra Ontem”, do Emicida. A produção lançada na Netflix, que é uma plataforma de entretenimento, cumpriu, de forma leve, uma missão muito importante de educação ao revisitar a história da luta antirracista. Através de 1h40 de conteúdo muita coisa foi descoberta e novas referências foram abertas nas cabeças das pessoas. Isso é Edutainment. Que é o neologismo, em inglês assinalado por Richard Oliver, para a junção das palavras educação e entretenimento.

Percebo que nos últimos dois anos uma tendência que está transformando o mercado de marketing, as marcas deixaram a interrupção de lado, o “velho” compra compra compra, e entenderam o seu papel na sociedade. Assim começam a se destacar ao criar e alimentar seus brand lovers. Por isso, hoje é muito difícil uma marca que quer ser realmente relevante no mundo não escolher uma bandeira para si. Hoje, também, o público deseja e busca marcas mais conscientes e espetáculos ou eventos que tenham significados.

Aí que cresce a relevância atual do Edutainment, que é um ótimo veículo tanto de entrega de marca como de experiência, já que leva educação por meio de entretenimento para as pessoas. Assim saímos do share of wallet para o share of moment ou share of attention. Não existe nada mais impactante que entreter e educar ao mesmo tempo, e essa é a força do Edutainment.

Bom ficar de olho em 2021 na construção de conteúdos que tragam algum ensinamento. Isso também vale para os criadores de conteúdo, que param de ser apenas uma “Páginas Amarelas” e se tornam reais produtores de conteúdo, verdadeiros contadores de história. Grande exemplo são criadores que focam em Finanças, como a Nathália Rodrigues, a Nath Finanças, ou o Murilo Duarte, do Favelado Investidor, que estão lá te entretendo ou dando um momento de diversão e ao mesmo tempo entregam conteúdo com muita informação importante.

Descobri recentemente, lendo um estudo da ONU, que uma pessoa que nasceu pobre precisa de nove gerações para conseguir ascender. Como podemos mudar isso? Para mim a resposta passa pelo que fala Adam Grant no livro “Originais: Como os inconformistas mudam o mundo”. Ele diz como é importante avaliar os países mais pelo potencial de mobilidade do que pela diferença social. Por isso, os Estados Unidos, que é um país super desigual, é uma potência mundial. Lá o processo de mobilidade social é muito mais facilitado que no Brasil.

Nós, os profissionais de comunicação, temos em mãos a mais poderosa ferramenta de transformação de um país: a educação. Assim sendo, acredito que é importante pensar em nossos conteúdos com informações relevantes para o momento atual do mundo, base histórica, easter eggs e o que mais possa acrescentar na educação das pessoas para deixá-las curiosas, como foi feito no documentário do Emicida. Pensar em conteúdos que unam educação e entretenimento é nossa forma de acelerar a mobilidade social, causando uma transformação social e cultural. Você tem construído conteúdo com esse tipo de relevância, que ajude na evolução da indústria do entretenimento e da produção cultural?

*Felippe Guerra é head de marketing da Lab Fantasma

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