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Imagina um Happy-hour em 3D no Zoom? Ah, não….

O barato das mídias imersivas é acessar o novo, não substituir o mundo real

16 de março de 2021 - 8h02

Ana Raquel Hernandes*

No início de fevereiro, tivemos mais uma edição do Grow, um programa de educação e inspiração que oferecemos a clientes da Verizon Media em parceria com a Berlin School of Creative Leadership. Como não poderia deixar de ser, discutimos os impactos da pandemia nos negócios e as oportunidades que estão surgindo — a digitalização de alguns setores, que evoluiu décadas em meses, foi uma delas.

Mudanças culturais que ainda eram sutis foram aceleradas e não voltaremos atrás. Trabalho remoto, telemedicina, serviços públicos digitais. Com o avanço da internet, a tendência é que se tornem ainda mais populares. Assim como o uso de mídias imersivas em diferentes segmentos, inclusive em publicidade e marketing.

Depois de três dias de estudo sobre essas e outras questões que afetam as marcas e as pessoas, era hora de celebrar nosso encontro com um happy hour. Que, por motivos de pandemia, foi virtual. Olha, aqui entre nós: não tem kit com comidinhas e bebidinhas, playlist e internet estável que dê conta de substituir a alegria de compartilhar uma mesa. Por melhor que seja a ferramenta, certas conexões só são inteiras presencialmente.

Muitos de nós temos refletido sobre como a pandemia vai impactar os usos e significados da tecnologia para as pessoas no futuro. No que nos diz respeito, tenho pensado em como as marcas podem de fato explorar as mídias imersivas — talvez eu seja ranzinza, mas não consigo achar atraente a simples replicação de experiências reais em ambientes virtuais. O que há de fascinante em usar um instrumento como um óculos de VR é poder acessar um mundo novo que não estaria ao meu alcance. Ser transportado a realidades diversas, seja a um pouso na lua ou a vivência de uma pessoa com Alzheimer, pode realmente aumentar nosso entendimento sobre o mundo real, estimular a empatia e expandir nossa mente e nossos sentidos. Até porque nosso cérebro é realmente enganado pela realidade virtual.

O digital não é necessário para promover a imersão e aguçar nossas sensações — há 20 anos, o Teatro da Vertigem trazia à tona o terror do massacre do Carandiru em Apocalipse 1,11, dentro de um presídio abandonado. No entanto, quem não pode assistir ao espetáculo não tem como acessar essa experiência. E essa é uma das belezas do digital, possibilitar a democratização de uma vivência que, de outra forma, seria estanque a um espaço e tempo.

Muito se tem falado sobre um futuro “híbrido”, no qual acredito muito. Real e digital coexistindo e se complementando. Como já vinha acontecendo com alguns eventos, com versões físicas localizadas e versões virtuais menores ampliando a cobertura para mais pessoas. Com a diferença de que as experiências virtuais serão mais sofisticadas, mais personalizadas, pois as pessoas irão demandar cada vez mais fluidez na jornada. Ninguém quer estar em um evento virtual que se parece com uma call dos tempos de pandemia (nada contra o trabalho remoto nosso de cada dia, pelo contrário — mas evento é evento).

E esse é um olhar que as marcas podem cultivar quando pensam em mídias imersivas: o que quero promover neste ambiente digital, que sensações quero provocar, que causas defender? Como expandir e otimizar uma experiência de live marketing que acontece em poucos lugares para mais pessoas? Posso ter uma instalação virtual perene, como uma mídia proprietária, onde meus consumidores e fãs conseguem se conectar com a proposta da marca de um modo surpreendente? Tudo isso faz sentido, conversa com meu público?

Essas podem ser alternativas para superar algumas barreiras de adoção da realidade virtual pelas marcas, como o custo e tempo de produção — pelo menos enquanto não temos 5G no Brasil. Mas isso já é assunto para outra conversa.

*Ana Raquel Hernandes é head do RYOT Studio, da Verizon Media, no Brasil

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