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Valores não foram feitos para decorar paredes

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Valores não foram feitos para decorar paredes

Valores não servem de nada se não pararmos para pensar no que significam na prática e como são aplicados no dia a dia de forma consciente

20 de maio de 2021 - 16h30

Cris Camargo* (Crédito: Divulgação)

Não foram raras as vezes em que andei por empresas que tinham belíssimas frases resumindo seus valores e visões estampadas nas paredes. Também não são raras as palestras e artigos disponíveis sobre o papel dos valores na manutenção da cultura corporativa. No entanto, como podemos falar que temos um valor, sem que ele se materialize? Como podemos dizer que “valorizamos o funcionário e seu bem-estar” se nem mesmo colocamos um papel higiênico decente nos banheiros?

Valores não servem de nada se não pararmos para pensar no que significam na prática e como são aplicados no dia a dia de forma consciente. E o que será que precisamos fazer para que os nossos valores estejam presentes em nosso cotidiano e estejam disponíveis como ferramentas de trabalho, para melhor responder às inúmeras questões que lidamos diariamente?

Essa provocação surgiu durante as minhas aulas na Columbia Business School, onde eu e meus colegas fomos convidados a materializar nossos valores pessoais para aplicá-los na prática. Era comum (e esperado!) que parte desses valores não estivessem alinhados com os valores das empresas, e reconhecer potenciais divergências culturais entre profissionais e corporações poderia levar a descobertas incríveis. Afinal, existe um ser humano e um repertório único por trás de cada atitude.

Ou seja, conhecer nossos próprios valores e materializá-los como “cartas” do nosso baralho pessoal, com o qual vamos “jogar” ao longo da vida, pode ser um exercício interessante. E não é algo difícil. Basta começar com uma lista do que faz sentido na sua vida. No meu caso, listei aprendizado constante, cooperação, dignidade, ética, reconhecimento, propósito, confiança, transparência, entre tantos outros. Comecei com uma lista com cerca de 20 itens e, aos poucos, fui condensando e afunilando, chegando a uma lista final de oito “cartas” essenciais.

Curiosamente, duas das minhas cartas pessoais são parte do meu cotidiano no IAB Brasil, e eu as apresento de forma muito transparente ao dar boas-vindas aos novos colaboradores. São as cartas “autorrespeito” e “faça a coisa certa”. Com a carta do autorrespeito, dou carta branca para os profissionais garantirem que estarão sendo respeitados em todas as relações profissionais que construírem, enquanto estiverem no IAB Brasil. Não importa de onde você veio, sua crença, orientação sexual, idade, nada. Se você se sentiu desrespeitado ou desconsiderado, tem o direito de manifestar-se da maneira que achar mais indicada.

A segunda carta não poderia ser mais literal. Fazer parte do IAB Brasil é tornar-se um fiel escudeiro e porta-voz da integridade. Qualquer sinal ou odor de coisa errada, seja torta ou que possa vir a ser mal interpretada, deve ser respondida com um sonoro “não”! Não fazemos artifícios e ponto final.

Essas cartas existiam antes mesmo do exercício que fiz na semana passada. Fiquei feliz de ver que, mesmo que de maneira intuitiva, eu estava no caminho certo.

Agora, estou determinada a aplicar na prática outra carta do meu baralho de valores que faz muito sentido para mim, e que é importantíssima nestes tempos de pandemia que vivemos: o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Sei que ainda estou longe de conseguir materializar todas as minhas cartas de valores pessoais, mas estou confiante de que esse é o caminho certo para o tipo de liderança que quero expressar.

E você, já parou para pensar com quais valores fundamentais você “dá as cartas” da cultura da sua empresa? Quais seriam as suas cartas e como você consegue aplicá-las no dia a dia?

*Cris Camargo é CEO do IAB Brasil

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