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Como construir uma marca socialmente relevante? De dentro para fora

Quando ambientes de trabalho permitem o encontro entre pontos de vista diferentes, podem surgir ideias criativas e inovadoras mais coerentes com as distintas e desiguais realidades brasileiras

11 de junho de 2021 - 8h00

Trabalhar com marcas irá exigir cada vez mais um olhar social apurado. Além dos consumidores estarem cada vez mais interessados no impacto social que as empresas geram, marcas ganham maior atenção das pessoas e criam campanhas culturalmente marcantes quando conseguem conectar-se de forma criativa com o que está acontecendo no mundo agora.

Segundo pesquisa feita pelo Twitter em parceria com a Kantar, o significado de relevância cultural para marcas é estar alinhado a eventos culturais, ser engajado e ditar tendência de comportamento ou apoiar causas sociais que beneficiem a todos —  e o reconhecimento desses fatores em marcas influenciam a intenção e recomendação de compra. Um exemplo disso é a transição do protagonismo das campanhas publicitárias e o #GilDaVigor está aí para provar.

E como podemos nos capacitar para construir marcas socialmente relevantes? Além de estarmos atentos ao que está em alta para as pessoas, precisamos olhar para essas conversas a partir de pontos de vista plurais. Sócrates dizia que o indivíduo tende a desenvolver um sistema de certezas para que se sinta seguro social e individualmente, criando uma camada de opiniões que bloqueia a verdade de penetrar em sua alma. Trata-se de um processo mental natural. Ao termos que rapidamente formar uma opinião sobre um assunto, responder a uma pergunta durante uma reunião, tomar uma decisão, dar um direcionamento estratégico ou criativo, fazer uma análise ou diagnosticar um problema, o que fazemos cotidianamente é julgar a questão com base no que somos, onde estamos, no conhecimento que temos e no que vivenciamos até então.

Segundo a neurocientista Claudia Feitosa-Santana (@cfeitosasantana), pós-doutora em Neurociência pela Universidade de Chicago, quando estamos no piloto automático nosso cérebro faz julgamentos a partir dos nossos vieses inconscientes — ou seja, nossas concepções da realidade a partir do que nos contaram ou do que contamos a nós mesmos. Agimos a partir de condicionamentos que definem a forma que interagimos conosco, com o mundo e com quem trabalhamos. Por conseguinte, também determinam as soluções que criamos.

Quando ambientes de trabalho permitem o encontro entre pontos de vista diferentes, podem surgir ideias criativas e inovadoras mais coerentes com as distintas e desiguais realidades brasileiras. Para que isso aconteça, precisamos assumir compromissos práticos de negócio que vão além das ações de comunicação, construindo times que reflitam a diversidade brasileira de vivências, gerações, formações e identidades, reconhecendo e respeitando o valor do outro e a perspectiva única que ele traz para a mesa na hora de construir marcas e negócios.

Uma marca que se propõe a entender as diferentes gerações muda o jogo e é inclusiva com novas ideias, independente de qual seja seu segmento.

Uma marca que estuda a importância do reforço às identidades brasileiras abre a possibilidade da construção de um país mais igualitário e amistoso com as futuras gerações.

Uma marca que compreende que a experiência de produto, serviço e comunicação está diretamente ligada a acesso, educação e informação, passa a explorar o meio como mensagem.

Tradução: Pessoas que usam máscara são consideradas mais atraentes. Lembre-se disso.

O propósito é estarmos juntos criando em meio ao desconforto de nossas diferenças e descobrindo o que pode surgir a partir disso. Uma conversa ou relação que inicia com julgamentos está fadada a impedir o avanço do debate, já que parte de um lugar de identificação de diferenças e não de vontade de conexão, entendimento da realidade do outro e construção conjunta de uma realidade compartilhada mais justa. Para penetrar na verdade é importante que o questionamento da verdade tradicional e a busca de um caminho partilhado existam — já que são tão relevantes quanto o resultado. No fim, a jornada e a partilha são decisivas para que alcancemos a formação de novas perspectivas pela convivência. Vamos viver e construir novas histórias de marca juntos.

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