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Aperta o play! “Velho é quem é um dia mais velho que a gente”

Pesquisa Consumer Insights 2021 da NewZoo, divulgada em junho, mostrou que as pessoas de +50 anos também jogam

13 de julho de 2021 - 8h03

(crédito: Tima Miroshnichenko/Pexels)

Um dos assuntos mais comentados pela mídia e influenciadores gamers recentemente foi Antonio Fagundes jogando The Last of Us 2 – sim o 2 porque o primeiro ele já zerou. Aí vejo comentários do tipo “nessa idade, 72 anos, não é comum as pessoas jogarem” ou “idosos” não jogam videogames.

Sinto muito em ter de contradizê-los. A pesquisa Consumer Insights 2021 da NewZoo, divulgada em junho, mostrou que as pessoas de +50 anos também jogam. Embora tenham outras preferências, os 50+ jogam para relaxar (72%), melhorar habilidades (14%), socializar (12%) e competir (10%), enquanto os mais jovens preferem os modos competitivos.

Enquanto o Rei do Gado vivenciava os conflitos morais cada vez maiores criados pela busca implacável de Ellie por vingança em The Last of Us 2, outros “idosos” estão disputando campeonatos de jogos de tiro profissionalmente.

Recentemente, um time de CS:GO com média de idade de 75 anos entrou para livro dos recordes. A equipe Young Guard de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) é formada por jogadores entre 66 e 78 anos e entrou para a publicação como o time mais velho a participar de um torneio de eSports na Ucrânia. O fato chamou atenção da comunidade gamer.

A partida marcou também um embate de gerações. O Young Guard enfrentou um grupo misto de crianças, composto por meninos e meninas. Ao final do confronto, os membros da equipe veterana receberam certificados do recorde.

Segundo a chefe do Livro de Recordes Nacional da Ucrânia, Lana Vetrova, foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu no país.

Contudo, esta não é a primeira vez que um equipe de “idosos” compete em CS:GO. Em junho de 2019, a Silver Snipers, da Suécia, se tornou campeã mundial na categoria Sênior, em torneio realizado durante a DreamHack Summer de Jönköping, ao vencer a Grey Gunners, da Finlândia, na grande final. Na época, ambos os times possuíam jogadores com idades que variavam de 62 a 81 anos. E desde então o time vem atraindo milhares de seguidores na Twitch.

Segundo pesquisa realizada pela empresa de marketing Global Web Index (GWI), e divulgada em abril deste ano, a média de idade do público gamer sofreu um aumento considerável nos últimos anos, e pessoas com mais de meio século de vida já integram em massa a comunidade dos jogos digitais.

Conforme dados apresentados no relatório, o grupo etário de 55 a 64 anos cresceu cerca de 32% desde 2018, impulsionado especialmente pelos novos hábitos gerados pela pandemia da Covid-19, em que pessoas passaram a utilizar dispositivos móveis em larga escala. No início deste ano, um relatório do The NPD Group mostrou que o número de jogadores em dispositivos móveis com mais de 45 anos aumentou 17% em relação à pesquisa do ano passado.

A nostalgia advinda do relançamento de títulos considerados clássicos em formato de remaster ou remake, também impulsionou a adesão da comunidade old school.

Aqui no Brasil, a PGB (Pesquisa Games Brasil) constatou que os adultos de 40 anos ou mais constituem 18,9% dos gamers no país, e 8% dos 81 milhões de gamers brasileiros tem mais de 50 anos, ou seja, mais de 5 milhões de gamers já viveram meio século.

O Japão já está de olho nesse novo público. A cidade de Kobe acaba de receber um cybercafé especializado em eSports para a terceira idade.

Com o nome ISR e-Sports, o estabelecimento tem o objetivo de criar um ambiente onde os idosos possam desfrutar da paixão pelos videogames, ajudando no desenvolvimento dos eSports em todas as faixas etárias. Com a iniciativa une o útil ao agradável, ajudando na prevenção do isolamento e solidão, encorajando a convivência social entre os mais idosos.

Enquanto isso, no Brasil, as pessoas de 50 anos ou mais não se contentam apenas em jogar e estão desenvolvendo games. Há seis anos, Fabio Ota, especialista em gamificação pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criou a ISGAME (International School of Game). O curso Cérebro Ativo já recebeu mais de 300 alunos e o objetivo é usar jogos como ferramentas para estimulação cognitiva, física e social. Na grade existe um módulo de desenvolvimento de jogos de videogame e programação, onde os alunos criam seus próprios games.

É de se esperar que investidores estejam de olho nessa fatia de mercado, afinal, a população de +60 anos soma 1,1 bilhão no mundo e 40 milhões no Brasil. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) vai dobrar para 2 bilhões até 2050; isso representará um quinto da população mundial.

No Brasil, 24% dos pais e avós estão considerando a jogatina com os filhos e netos “um momento para a família”. O videogame permite aos parentes socializarem com as novas gerações e traz essa experiência para dentro de casa. É só apertar o start, pois como já dizia Mario Quintana, “O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um dia mais velho que a gente”.

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