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Sua empresa é conservadora ou agressiva no uso de dados?

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Sua empresa é conservadora ou agressiva no uso de dados?

Esse posicionamento, com base no indicador de privacidade aplicado à modelagem da base de dados, pode ser determinante para dar o “GO” ou “NO GO” de determinada ação

19 de agosto de 2021 - 8h00

Você saberia responder qual seu nível (ou score) de “privacy risk”? É um dado importante de ter em mente, já que se trata de um indicador cada vez mais comum, usado para verificar o potencial de valuation das ações de uma empresa ou uma operação de M&A, ou ainda avaliar uma estratégia de comunicação.

Vale destacar que para obter essa resposta, é preciso levar em consideração outro questionamento. Em relação às legislações de proteção (LGPD, GDPR, CCPA), sua empresa é conservadora ou agressiva na utilização dos dados pessoais?

Ser conservador é assumir uma postura para correr menos riscos. Significa adotar um modelo que tenha como premissa o uso de dados pessoais apenas de origem e/ou fontes próprias, com consentimento e/ou aplicação de recursos de anonimização.

Enquanto ser mais agressivo, e consequentemente estar aberto aos riscos, consiste em optar por padrão que utiliza dados pessoais de várias fontes, desde públicas a terceiras, podendo ter ou não consentimento, e não anonimizados.

Esse posicionamento, com base no indicador de privacidade aplicado à modelagem da base de dados, pode ser determinante para dar o “GO” ou “NO GO” de determinada ação, e entender quais impactos isso pode ter de curto, médio ou longo prazo na reputação de uma marca.

Portanto, atender às novas exigências da Ética dos Dados exige conseguir demonstrar a transparência conforme previsto no artigo 6º. da Lei 13.709/2018 (LGPD) em vigor desde setembro de 2020, que traz como princípio a necessidade da informação clara, precisa e facilmente acessível.

VI – transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e facilmente acessíveis sobre a realização do tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados os segredos comercial e industrial;

Todos os diálogos da marca precisam transmitir essa ética de dados, e a comunicação precisa atender requisitos de linguagem clara, adequada e ostensiva, conforme artigo 9º da Lei:

Art. 9º O titular tem direito ao acesso facilitado às informações sobre o tratamento de seus dados, que deverão ser disponibilizadas de forma clara, adequada e ostensiva acerca de, entre outras características previstas em regulamentação para o atendimento do princípio do livre acesso.

Mas o que significa isso em termos de comunicação? Significa que a marca terá que atender os seguintes requisitos:

– Comunicação CLARA: de fácil entendimento, fácil compreensão
– Comunicação OBJETIVA: sem aberturas a interpretações errôneas
– Comunicação OSTENSIVA: com alta frequência e presença na interação

Ou seja, é uma jornada de melhorias para estar em conformidade com esse novo framework, que vai desde atualizar e disponibilizar a Política de Privacidade e Proteção de Dados atualizada nos canais digitais da organização, até disponibilizar o canal de atendimento de requisição de titulares (atender os direitos previstos artigo 18), e estar preparado para respostas a incidentes (cumprir dever de report do art. 48).

A questão é tão relevante que foi abordada durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em 2019. Ao menos 40 líderes mundiais assinaram o compromisso ético proposto pela GSMA (Global System for Mobile Communications) que tem entre as prioridades o respeito à privacidade dos clientes, o manejo dos dados pessoais de forma transparente, a tomada de medidas que mitiguem ameaças cibernéticas, o combate ao assédio online, ações de inclusão digital, a responsabilidade e “accountability” entre todos, além de inovação e investimento para benefício do consumidor.

Logo, é uma realidade cada vez mais presente, que promete – e tem conseguido – expandir a capacidade de produção, de realização de novas análises sobre processos ou etapas específicas. Só estamos no começo, somos mais que testemunhas, somos os protagonistas de um verdadeiro “gaming change” relacionado ao tratamento de dados pessoais de usuários e da relação da ética dos dados com a reputação das marcas.

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