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Como avaliar uma startup?

A maior parte do valor de uma startup está no futuro e não no presente, por isso, não há relação entre Ebitda e o sucesso de uma startup

20 de setembro de 2021 - 6h00

(Crédito: Reprodução)

As startups, assim como as empresas tradicionais, passam por processos de avaliação (valuation), ou seja, valores são arbitrados com relação aos seus ativos reais, intrínsecos e intangíveis, além da análise da sua capacidade de crescimento. Como no caso de startups ainda não existem resultados, lucros, ou mesmo um futuro previsível de mercado, as formas de analisar o seu valor fogem aos métodos tradicionais e podem soar bastante aleatórias, até porque, dependem de fatores subjetivos e da capacidade de imaginar um mundo muito diferente do atual.

Olhando para a frente

A maior parte do valor de uma startup está no futuro e não no presente, por isso, não há relação entre Ebitda e o sucesso de uma startup.  Afinal, elas podem até ser avaliadas com base nas suas receitas, mas o que conta é o seu potencial de crescimento e a extensão da oportunidade à sua frente, por isso usar o Ebitda diz muito pouco sobre qualquer uma dessas coisas.

Mas como? 

Alguns métodos que gosto de usar:

– Avaliação por estágio: frequentemente usada por investidores anjo e investidores de venture capital para rapidamente chegar a uma faixa aproximada de valor de empresa. Esses valores de “regra prática” são normalmente definidos pelos investidores, dependendo do estágio de desenvolvimento comercial do empreendimento. Quanto mais a empresa progrediu ao longo do caminho de desenvolvimento, menor o risco da empresa e maior o seu valor. É quase uma “tabela”, com faixas de valor que variam dependendo da empresa e, é claro, do investidor.

– Múltiplos de mercado: geralmente usada por investidores de venture capital em empresas com mercados já existentes, pois dá uma boa indicação do que outros investidores estão dispostos a pagar para uma empresa com operações semelhantes. Podem ser múltiplos de receita, de clientes, etc, a depender do mercado em que a empresa atua. Basicamente a abordagem faz comparações em relação às recentes aquisições de empresas semelhantes no mercado.

– Fluxo de caixa descontado: para a maioria das startups, especialmente aquelas que ainda não começaram a gerar lucros, a maior parte do valor depende do potencial futuro. Este método então se torna um pouco mais complexo e menos usado do que nas empresas tradicionais, pois envolve a previsão de quanto fluxo de caixa a startup produzirá no futuro e, em seguida, usando uma taxa esperada de retorno do investimento, calcular quanto vale esse fluxo de caixa.

Acelerar o crescimento afeta o valuation?

Vamos imaginar duas empresas com uma receita de 20 milhões que parecem ser idênticas: mesma escala de receita, mesma margem bruta atual e de longo prazo, mesma geração de caixa e dívida no balanço e atuam no mesmo mercado que, em estágios maduros, costuma ter margem Ebitda de 10%. A única diferença significativa é que a empresa Alfa cresce 100% ano a ano, enquanto a empresa Beta cresce 200%. Se os investidores topassem uma rodada de investimento com um valuation de 15x a receita, ou seja, de 300 milhões, qual seria o cenário em cada uma das empresas em um momento de saída dentro de 5 anos?

No cenário em que ambas empresas valham 20 vezes o Ebitda, a Alfa teria uma receita de 640 milhões e Ebitda de 64 milhões, valendo 1,28 bilhões, enquanto a Beta teria uma receita de 4,8 bilhões, Ebitda de 480M e valeria quase 9,6 bilhões (ou seja 32X o valor investido na Beta e 4X na Alfa).

Investir em startups é ciência, ou arte?

Embora impressionantes, esses cálculos, no momento de um primeiro investimento em uma startup, não são tão objetivos assim. A avaliação leva em conta fatores como a experiência, diversidade de habilidades, comprometimento e formação da equipe, produto, tração, número de usuários, estrutura da máquina de vendas, custo de aquisição de clientes, taxa de crescimento, modelo de negócios, mercado, margens, desempenho dos concorrentes, oportunidades de mercado e muito mais.

Tem que dar match!

Ter uma parceria com alguém que tenha a mesma visão de criação de valor de longo prazo, garante um melhor alinhamento de valores e o valuation é um equilíbrio delicado entre muitos fatores. Os fundadores que compreendem a mentalidade e a matemática por trás dos múltiplos de entrada, não apenas conseguem seguir caminhos que possam “multiplicar” valores, como também escolhem os melhores parceiros para a sua jornada.

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